Uma exposição que reúne obras históricas de 1973 do artista Chico da Silva e de nomes ligados à escola que floresceu a partir de sua linguagem pictórica singular promete conduzir o público por uma travessia entre arte, memória e identidade brasileira. Promovida por iniciativa privada de Zackia Daura e David Faria, a mostra destaca um universo imagético marcado por pássaros míticos, peixes encantados, serpentes, dragões e criaturas híbridas que parecem emergir das profundezas do imaginário nacional.
Publicidade
Publicidade
Exposição leva universo fantástico de Chico da Silva às margens do Rio São Francisco em Três Marias
Uma exposição que reúne obras históricas de 1973 do artista Chico da Silva e de nomes ligados à escola que floresceu a partir de sua linguagem pictórica singular promete conduzir o público por uma travessia entre arte, memória e identidade brasileira. Promovida por iniciativa privada de Zackia Daura e David Faria, a mostra destaca um universo imagético marcado por pássaros míticos, peixes encantados, serpentes, dragões e criaturas híbridas que parecem emergir das profundezas do imaginário nacional.
Nascido no Acre e consagrado no Ceará, Chico da Silva construiu uma trajetória artística profundamente conectada às margens amazônicas, onde rios, florestas e narrativas ancestrais se entrelaçam. Sua obra carrega o espírito desses territórios, reinventando a natureza em estado de sonho e revelando um Brasil povoado por símbolos, encantamentos e memórias coletivas.
Ao chegar a Três Marias, cidade mineira moldada pelas águas e travessias do Rio São Francisco, a exposição ganha novos significados. O encontro entre o imaginário amazônico de Chico da Silva e o chamado Velho Chico estabelece um diálogo poético entre dois grandes cenários brasileiros marcados pela força da natureza e pela riqueza da cultura popular.
Se na Amazônia os rios abrem caminhos pela floresta, no sertão mineiro eles desenham veredas, sustentam vidas e inspiram narrativas que ecoam a literatura de Guimarães Rosa. É justamente nessa aproximação entre sertão e floresta que a mostra encontra uma de suas dimensões mais simbólicas.
Segundo os organizadores, há uma afinidade profunda entre a Amazônia retratada por Chico da Silva e o sertão rosiano: ambos pertencem ao território do mito, da oralidade e da imaginação popular. Em suas paisagens, a natureza deixa de ser apenas cenário para tornar-se personagem viva, espiritual e transformadora.
Em Três Marias, as criaturas fantásticas do artista parecem encontrar morada natural. Peixes imaginários e aves exuberantes dialogam com canoeiros, margens barrentas, ventos do cerrado e caminhos que seguem rumo ao infinito sertanejo, aproximando diferentes territórios simbólicos do Brasil através da arte.
Mais do que uma exposição, a iniciativa propõe uma travessia cultural entre rios brasileiros — das correntezas amazônicas às águas do São Francisco — revelando um país profundo, mágico e permanentemente reinventado pelo olhar artístico.
A mostra surge também como um convite ao encantamento, reunindo memória, paisagem e imaginação em uma experiência que reafirma o valor da arte como ponte entre histórias, territórios e identidades brasileiras.
Publicidade




