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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 83
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Avó de 71 anos permanece presa pelo ICE há mais de 10 meses  

Enquanto isso, ex-patrões acusados de contrabando aguardam julgamento em liberdade 


A situação da mexicana Maria Cristina Tapia Cornejo, de 71 anos, tem gerado indignação entre familiares, líderes religiosos e defensores dos direitos dos imigrantes nos Estados Unidos. Há mais de dez meses detida em um centro de imigração no estado do Arizona, a bisavó luta para evitar sua deportação enquanto aguarda o resultado de recursos judiciais. 

Maria Cristina foi presa em 15 de julho de 2025 durante uma operação do Departamento de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês) em restaurantes da rede Colt Grill, no norte do Arizona. A ação tinha como alvo principal os proprietários da empresa, Robert e Brenda Clouston, acusados pelas autoridades federais de conspirar para trazer trabalhadores indocumentados do México, empregá-los por salários abaixo do mínimo legal e abrigá-los em imóveis de sua propriedade. 

Embora os empresários tenham sido presos na ocasião, ambos foram liberados pouco tempo depois e aguardam julgamento em liberdade. Documentos judiciais mostram que o casal recebeu autorização para realizar diversas viagens interestaduais enquanto o processo segue na Justiça Federal. O julgamento está previsto para novembro deste ano. 

Já Maria Cristina, que trabalhava como lavadora de pratos em uma das unidades da rede na cidade de Cottonwood, continua detida no Centro de Detenção de Eloy, no Arizona. Ela foi encaminhada para deportação por permanecer ilegalmente nos Estados Unidos, após já ter sido deportada anteriormente e retornar ao país sem autorização. 

Segundo familiares, a idosa vive nos Estados Unidos há mais de 25 anos. Mãe de quatro filhos, avó de 18 netos e bisavó, ela construiu toda sua vida no país. Sua filha, Carina Cárdenas, afirma que a mãe não possui antecedentes criminais e enfrenta problemas de saúde, incluindo perda auditiva severa e dificuldades de memória. 

“Ela parece frágil. Perdeu peso, está deprimida e sofre muito por estar longe da família”, relatou a filha, que percorre cerca de seis horas de viagem todos os domingos para visitá-la com os filhos. 

Organizações de defesa dos imigrantes afirmam que casos como o de Maria Cristina se tornaram mais frequentes com o endurecimento das políticas migratórias. Segundo especialistas, pessoas idosas e com condições médicas delicadas tradicionalmente tinham maiores chances de serem liberadas por razões humanitárias enquanto aguardavam decisões judiciais. 

Durante entrevista concedida por telefone ao jornal americano, Maria Cristina descreveu o impacto emocional do período de detenção. 

“Não estou bem. O estresse é muito grande. Às vezes nos tratam de forma humilhante. Vejo pessoas chorando todos os dias e isso me afeta profundamente”, afirmou. 

A detenta também relatou episódios preocupantes dentro da unidade, incluindo tentativas de suicídio e conflitos envolvendo outros internos. 

Apesar das dificuldades, ela diz encontrar forças nas visitas da família. Segundo a própria Maria Cristina, já contabilizou 138 visitas de filhos, netos e bisnetos desde que foi presa. 

“É isso que me sustenta”, declarou. 

Líderes religiosos e organizações comunitárias têm pressionado o governo federal para que a idosa seja libertada por razões humanitárias. Em abril, um grupo de religiosos realizou um ato público pedindo sua soltura, argumentando que ela não representa risco para a sociedade e merece tratamento digno e compassivo. 

A filha também enviou solicitações formais ao ICE pedindo a liberação da mãe, comprometendo-se a garantir moradia, assistência médica e o cumprimento de todas as exigências das autoridades migratórias. Os pedidos, no entanto, foram negados. 

Atualmente, Maria Cristina segue detida enquanto aguarda a análise de um recurso apresentado ao Conselho de Apelações de Imigração. Paralelamente, sua família também ingressou com uma ação judicial federal buscando sua libertação. 

O caso tem chamado atenção para o tratamento dado a imigrantes idosos e vulneráveis nos centros de detenção dos Estados Unidos, especialmente em um momento de aumento expressivo das prisões imigratórias em todo o país. 

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