Na semana passada, falamos sobre o que é crescer entre dois mundos. Hoje, vamos olhar mais de perto para um deles: a cultura americana.
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Coluna Educar é Proteger: Criar filhos nos EUA tem o que admirar e o que o coração brasileiro ainda não sabe como sentir
O que ela tem de genuinamente bonita para a formação das crianças, e o que ainda provoca estranhamento em quem veio do Brasil?
Uma das primeiras coisas que chama atenção de pais brasileiros nos Estados Unidos é o quanto a cultura americana valoriza a autonomia da criança desde cedo. Ela é encorajada a fazer escolhas, expressar opiniões, dizer não, inclusive para adultos. Isso pode parecer desrespeito para quem cresceu numa cultura em que criança não contradiz adulto. Mas há algo muito saudável aí: a criança aprende que a própria voz tem valor. Que ela não precisa se apagar para ser aceita.
A cultura americana também tem uma relação mais clara com limites físicos. “Can I give you a hug?” não é frieza, é o reconhecimento de que o corpo da criança pertence a ela. Num país onde a educação para proteção corporal é levada a sério desde o jardim de infância, essa prática silenciosamente ensina algo que muitas crianças brasileiras só descobrem na vida adulta: que ninguém tem o direito de tocar em você sem permissão.
E então vem o que o coração brasileiro ainda não sabe como sentir.
A criança brasileira que chega aqui sente, muitas vezes, uma certa frieza nas relações. O abraço que no Brasil é automático, aqui precisa ser negociado. O vizinho que acena mas não entra. A festa de aniversário que termina pontualmente às cinco da tarde. O “how are you?” que não espera resposta de verdade.
Para a criança acostumada com o calor, a bagunça afetiva e a presença física do jeito brasileiro de se relacionar, esse distanciamento pode ser lido como rejeição, como falta de interesse, como solidão mesmo cercada de gente.
Nenhum dos dois jeitos é inteiramente certo ou errado. São códigos diferentes. E o papel dos pais é ajudar a criança a ler esses dois códigos sem se perder em nenhum deles, nem abrir mão da própria afetividade para se encaixar, nem deixar de aprender o que a cultura ao redor tem a oferecer.
Na semana que vem, vamos olhar para o outro lado: o que a cultura brasileira carrega de mais rico e o que, às vezes, também precisa ser revisitado.

Proteger uma criança começa na forma como você educa.
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