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Última Edição #4371

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Revista Brazilian Times # 83
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Após mais de 10 meses detida pelo ICE, bisavó mexicana de 71 anos é libertada e reencontra a família no Arizona 

Depois de mais de dez meses longe da família, o reencontro representou um raro momento de alívio em meio às incertezas que ainda cercam seu futuro nos Estados Unidos. 


Após passar mais de dez meses em um centro federal de detenção de imigrantes, a mexicana Maria Cristina Tapia Cornejo, de 71 anos, finalmente voltou a abraçar a família. A libertação da bisavó, ocorrida em 29 de maio de 2026, emocionou familiares, ativistas e membros da comunidade imigrante no Arizona, que acompanharam de perto o caso. 

Maria Cristina estava detida no Centro de Detenção de Eloy, uma das maiores instalações de imigração dos Estados Unidos, desde julho de 2025. Ela foi presa durante uma operação de fiscalização do Immigration and Customs Enforcement (ICE) realizada em restaurantes da rede Colt Grill, no norte do Arizona. Na ocasião, 22 trabalhadores sem documentação migratória foram detidos. 

O caso ganhou repercussão nacional devido à idade avançada da imigrante e ao seu delicado estado de saúde. Segundo familiares, Maria Cristina sofre de perda de memória, deficiência auditiva parcial e sinais de declínio cognitivo, condições que teriam se agravado durante o período em que permaneceu sob custódia das autoridades federais. 

A libertação aconteceu apenas um dia após a publicação de uma reportagem detalhada sobre sua situação. Para a família, a decisão foi recebida como um verdadeiro “milagre”, resultado da pressão pública e da atenção que o caso passou a receber. 

O reencontro ocorreu em uma igreja na região de Phoenix, no Arizona. Ainda vestindo o uniforme utilizado pelos detentos e usando uma tornozeleira eletrônica de monitoramento por GPS, Maria Cristina foi recebida com abraços emocionados pela filha, netos, bisnetos e outros familiares. Imagens do momento rapidamente se espalharam pelas redes sociais e foram compartilhadas por organizações de defesa dos direitos dos imigrantes. 

Morando no Arizona há mais de 25 anos, Maria Cristina construiu sua vida nos Estados Unidos ao lado da família. Ela é mãe de quatro filhos adultos, avó e bisavó. Durante anos trabalhou como lavadora de pratos e auxiliar de cozinha, desempenhando funções consideradas essenciais em restaurantes da região. 

A possibilidade de deportação continua sendo uma preocupação para a família. Segundo parentes, Maria Cristina teme retornar ao México devido a questões de segurança e à ausência de uma rede de apoio no país. Seus familiares argumentam que toda sua vida está nos Estados Unidos, onde vivem seus filhos, netos e bisnetos. 

O caso reacendeu o debate sobre a detenção de idosos em centros migratórios e sobre o tratamento dado a pessoas com problemas de saúde física e cognitiva sob custódia federal. Organizações de defesa dos imigrantes afirmam que situações como a de Maria Cristina evidenciam a necessidade de avaliações humanitárias mais amplas antes da manutenção de detenções prolongadas. 

Embora tenha conquistado a liberdade, a mexicana ainda enfrenta um processo migratório em andamento. Sua situação legal continuará sendo analisada pelas autoridades de imigração, enquanto ela permanece ao lado da família aguardando os próximos desdobramentos do caso. 

Para os parentes, porém, o mais importante neste momento é que Maria Cristina voltou para casa. Depois de mais de dez meses longe da família, o reencontro representou um raro momento de alívio em meio às incertezas que ainda cercam seu futuro nos Estados Unidos. 

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