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Revista Brazilian Times # 83
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EUA negam visto para brasileira que ganhou viagem VIP para assistir à Copa do Mundo

A jovem venceu uma promoção promovida pela Coca-Cola Brasil, que lançou no início do ano uma campanha exclusiva entre parceiros comerciais no Brasil.

Da Redação

O que deveria ser a realização de um sonho acabou se transformando em frustração para a brasileira Raphaela Coiado, de 24 anos, moradora do interior de São Paulo, que conquistou uma viagem com tudo pago para assistir à 2026 FIFA World Cup nos Estados Unidos, mas acabou impedida de embarcar após ter o visto americano negado pelo consulado.

A jovem venceu uma promoção promovida pela Coca-Cola Brasil, que lançou no início do ano uma campanha exclusiva entre parceiros comerciais no Brasil. A proposta era simples: empresas que atingissem metas de vendas e liderassem o ranking receberiam como prêmio uma experiência completa para acompanhar a Copa do Mundo em território americano.

Como o marido de Raphaela, Vitor, atua no setor comercial do supermercado da família, o casal entrou na competição e permaneceu entre os primeiros colocados praticamente durante toda a campanha, garantindo o prêmio máximo oferecido pela empresa.

A premiação incluía passagens aéreas internacionais de ida e volta, cinco dias de hospedagem e acesso ao camarote VIP da Coca-Cola durante a partida entre Brasil e Haiti, marcada para acontecer em Philadelphia no dia 19 de junho.

No entanto, a comemoração durou pouco.

Nenhum dos familiares que poderiam utilizar a viagem possuía visto americano. Raphaela, recém-casada, precisou correr para atualizar documentos pessoais, emitir passaporte e iniciar todo o processo consular em tempo recorde.

Ela, o marido, duas cunhadas e os respectivos companheiros viajaram até o consulado americano no Rio de Janeiro para realizar a entrevista obrigatória.

O resultado foi devastador: os seis pedidos de visto foram negados.

Segundo Raphaela, o consulado não forneceu qualquer explicação oficial sobre os motivos da recusa — procedimento padrão adotado pelas autoridades americanas em grande parte dos processos negados.

Além da decepção emocional, a família calcula prejuízo financeiro de aproximadamente R$ 5 mil, valor gasto com taxas consulares, contratação de assessoria especializada, passagens aéreas para o Rio, hospedagem e alimentação durante o processo.

Em entrevista publicada pela imprensa internacional, Raphaela revelou o impacto emocional vivido após receber em casa o kit oficial da promoção, que incluía malas temáticas e camisetas personalizadas da Seleção Brasileira.

“Foi naquele momento que caiu a ficha. Eu percebi que tudo aquilo estava acontecendo… e que a gente não iria. Eu chorei muito”, relatou.

Sem alternativas e sem tempo hábil para uma nova tentativa, a família decidiu vender o pacote da viagem por aproximadamente R$ 25 mil.

 

Mas o caso de Raphaela não é isolado.

Levantamento divulgado pela BBC World Service, com base em dados do Departamento de Estado americano, mostra que torcedores de pelo menos 11 dos 48 países classificados para o Mundial enfrentam taxas de rejeição de visto superiores a 40%, evidenciando um problema que tem afetado milhares de pessoas ao redor do mundo.

Diferentemente de edições anteriores da Copa do Mundo realizadas em países como Brasil, Russia, Qatar e África do Sul, os Estados Unidos não criaram nenhum regime especial de facilitação de vistos para torcedores internacionais.

Especialistas em imigração afirmam que, embora a FIFA tenha criado mecanismos para acelerar entrevistas consulares, a decisão final continua sendo exclusiva do governo americano.

O episódio reacendeu críticas sobre o impacto das rígidas políticas migratórias americanas justamente no momento em que o país recebe o maior evento esportivo do planeta.

Para Raphaela, porém, a frustração vai muito além do prejuízo financeiro. “Eu devolveria todo o dinheiro se me dissessem agora que eu teria meu visto aprovado. Nenhum valor compra a experiência que eu iria viver”, desabafou.

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