O irlandês Lorcan Tadgh Murphy, condenado nesta quinta-feira pelo assassinato da enfermeira americana Mackenzie Michalski, de 31 anos, em Budapeste, na Hungria, mantinha uma rotina marcada por comportamento obsessivo em relação às mulheres, segundo informações apresentadas durante o julgamento.
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Irlandês condenado por matar enfermeira americana levava vida obsessiva e mantinha registros de mulheres que abordava
O irlandês Lorcan Tadgh Murphy, condenado nesta quinta-feira pelo assassinato da enfermeira americana Mackenzie Michalski, de 31 anos, em Budapeste, na Hungria, mantinha uma rotina marcada por comportamento obsessivo em relação às mulheres, segundo informações apresentadas durante o julgamento.
As investigações revelaram que Murphy gravava secretamente mulheres em locais públicos e arquivava os vídeos em seu computador, além de registrar detalhes sobre as abordagens que fazia e o resultado de cada tentativa de conquista. De acordo com as autoridades húngaras, ele também mantinha anotações pessoais nas quais afirmava que seu principal objetivo de vida era conhecer mulheres e ter relações sexuais.
Os investigadores encontraram registros envolvendo pelo menos 16 mulheres diferentes, todas elas sem aceitar suas investidas. Murphy também havia elaborado uma espécie de ranking de cidades europeias, classificando os locais onde acreditava encontrar mulheres mais receptivas, além de estabelecer como meta alcançar mil abordagens.
Noite terminou em tragédia
No tribunal, Murphy afirmou que havia consumido bebidas alcoólicas antes de sair para um bar em Budapeste, onde conheceu Mackenzie Michalski, enfermeira que trabalhava em Portland, no estado americano do Oregon. Ela estava na capital húngara durante os últimos dias de uma viagem pela Europa antes de retornar aos Estados Unidos.
Segundo seu depoimento, ele percebeu a americana conversando com outro homem e interpretou alguns olhares como um convite para iniciar uma conversa. Os dois passaram parte da noite juntos, consumiram bebidas e depois seguiram para uma área mais reservada do estabelecimento. Em seguida, deixaram o local e caminharam até o apartamento de Murphy.
Imagens de câmeras de segurança registraram o casal caminhando de mãos dadas até o prédio onde ele morava. As gravações do elevador são as últimas imagens conhecidas de Mackenzie com vida.
Laudo contradisse versão apresentada pelo acusado
Murphy alegou que os dois participaram de uma prática sexual consensual e que a morte teria ocorrido de forma acidental durante o encontro íntimo.
No entanto, o laudo da autópsia apresentou conclusões diferentes. Os peritos identificaram que a vítima teve as mãos amarradas com um cinto, sofreu agressões físicas em diversas partes do corpo, incluindo tórax e braços, além de ter sido estrangulada por aproximadamente três minutos. Também foram constatados ferimentos provocados por impacto na cabeça e outras lesões espalhadas pelo corpo.
Durante a investigação, a polícia encontrou no celular do acusado vídeos que mostravam o corpo da vítima já sem vida. Também foram localizadas pesquisas realizadas na internet sobre formas de ocultar cadáveres, informações sobre animais que poderiam consumir restos mortais e buscas relacionadas à atuação da polícia de Budapeste.
Murphy admitiu ter comprado uma mala para transportar o corpo da enfermeira e dirigiu cerca de 160 quilômetros até uma região de mata, onde abandonou a vítima.
Família contestou versão do acusado
Os pais de Mackenzie criticaram duramente as declarações apresentadas pelo réu durante o julgamento, afirmando que ele tentou manchar a imagem da filha ao associá-la a práticas das quais, segundo a família, ela jamais participou.
Embora a legislação húngara normalmente preserve a identidade de acusados em processos criminais, um jornal irlandês divulgou posteriormente o nome completo de Murphy alegando interesse público.
Ao final do julgamento, o Tribunal Metropolitano de Budapeste condenou Lorcan Tadgh Murphy pelo crime de homicídio. A defesa recorreu imediatamente da decisão, classificando a sentença como equivocada.
Murphy recebeu pena de 14 anos de prisão na Hungria. Após cumprir a condenação, será deportado e ficará proibido de retornar ao país por mais dez anos. O período em que permaneceu preso preventivamente será abatido da pena.
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