A declaração foi feita após uma reunião da congressista com o diretor interino do ICE. De acordo com Garcia, a própria agência confirmou que Lorenzo não era a pessoa procurada pelos agentes durante a operação, levantando novos questionamentos sobre a atuação das autoridades e o uso da força durante a abordagem.
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Imigrante morto durante operação do ICE não era o alvo da ação, afirma congressista
Da redação
Um caso que tem provocado forte repercussão nos Estados Unidos ganhou novos desdobramentos nesta semana. O imigrante mexicano Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, morto durante uma operação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) em Houston, no Texas, não era o alvo da ação, segundo afirmou a deputada federal norte-americana Sylvia Garcia.
A declaração foi feita após uma reunião da congressista com o diretor interino do ICE. De acordo com Garcia, a própria agência confirmou que Lorenzo não era a pessoa procurada pelos agentes durante a operação, levantando novos questionamentos sobre a atuação das autoridades e o uso da força durante a abordagem.
O episódio aconteceu na última terça-feira, quando agentes federais realizavam uma operação de fiscalização migratória. Segundo a versão divulgada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), os agentes tentaram abordar uma van utilizada por trabalhadores da construção civil. As autoridades afirmam que o motorista teria acelerado o veículo em direção a um agente federal, que reagiu efetuando disparos por considerar que sua vida estava em risco.
No entanto, essa narrativa vem sendo contestada por advogados que representam os ocupantes da van. Segundo eles, testemunhas afirmam que o veículo não estava sendo utilizado como arma e que os disparos teriam sido feitos pela janela do passageiro, quando não havia risco iminente aos agentes. Até o momento, o governo federal não divulgou imagens que comprovem a versão oficial dos acontecimentos.
Outro aspecto que tem gerado críticas é a ausência de câmeras corporais durante a operação. Diferentemente de muitas forças policiais locais, os agentes envolvidos não utilizavam body cams, o que dificulta a reconstituição dos fatos e aumenta a pressão por transparência nas investigações.
A deputada Sylvia Garcia também afirmou que Lorenzo Salgado Araujo não possuía antecedentes criminais conhecidos e trabalhava na região de Houston. Segundo ela, a confirmação de que ele não era o alvo da operação torna ainda mais urgente uma apuração completa sobre as circunstâncias que levaram à sua morte.
O caso está sendo investigado pelo Federal Bureau of Investigation (FBI), além da promotoria do Condado de Harris e de outras autoridades competentes. Congressistas democratas solicitaram a preservação de todas as provas relacionadas à operação, incluindo registros de comunicação, documentos internos e imagens de câmeras de segurança próximas ao local da ocorrência.
Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes também pedem uma investigação independente e criticam a intensificação das operações migratórias conduzidas pelo ICE. Para esses grupos, o caso reforça a necessidade de maior fiscalização sobre o uso da força em ações de imigração e da adoção obrigatória de câmeras corporais pelos agentes federais.
Até o momento, o ICE e o DHS mantêm a posição de que o agente envolvido agiu em legítima defesa. As investigações seguem em andamento e deverão esclarecer se os procedimentos adotados durante a operação seguiram os protocolos estabelecidos pelas autoridades federais.
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