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Revista Brazilian Times # 84
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Moradores protestam contra corte de quase 200 árvores em escolas da Califórnia

O impasse ganhou novos capítulos nas últimas semanas, quando manifestantes passaram a acampar em frente às escolas, escalar árvores e até se prender com correntes aos troncos para impedir que equipes contratadas pelo Pasadena Unified School District (PUSD) realizassem os cortes.

Da redação

Um plano para remover quase 200 árvores de escolas públicas em Pasadena, na Califórnia, desencadeou uma intensa mobilização de moradores, estudantes e ambientalistas, que acusam o distrito escolar de promover um corte desnecessário de árvores históricas sob o argumento de descontaminação do solo após os incêndios florestais que atingiram a região.

O impasse ganhou novos capítulos nas últimas semanas, quando manifestantes passaram a acampar em frente às escolas, escalar árvores e até se prender com correntes aos troncos para impedir que equipes contratadas pelo Pasadena Unified School District (PUSD) realizassem os cortes. Em um dos episódios mais marcantes, ativistas impediram a derrubada de três árvores da espécie American sweet gum na John Muir High School, escola que leva o nome do naturalista John Muir, considerado um dos pioneiros da preservação ambiental nos Estados Unidos.

Segundo o distrito escolar, a remoção das árvores faz parte de um amplo projeto de descontaminação iniciado após o incêndio de Eaton Fire, ocorrido há cerca de 18 meses, que devastou partes de Pasadena e Altadena, matou 19 pessoas e destruiu milhares de residências, empresas e escolas. Mesmo edifícios que permaneceram de pé ficaram expostos a substâncias tóxicas, como chumbo e arsênio, liberadas durante o incêndio.

Após análises realizadas em 2025, o distrito, com supervisão do Departamento de Controle de Substâncias Tóxicas da Califórnia (DTSC), anunciou um plano para remover aproximadamente 13 mil toneladas de solo contaminado em 11 áreas escolares. Para executar o trabalho, seria necessário retirar 193 árvores, incluindo espécies nativas e centenárias, como carvalhos-da-costa (coast live oak) e sicômoros (western sycamore).

As autoridades afirmam que a retirada das árvores é indispensável para garantir a remoção completa do solo contaminado antes do início das aulas, previsto para agosto.

“Árvores localizadas em áreas onde o solo contaminado precisa ser removido devem ser retiradas para permitir uma descontaminação segura e completa”, afirmou o distrito escolar em comunicado oficial. A administração reconheceu que a decisão é difícil, lembrando que esses espaços fazem parte da convivência diária de estudantes e moradores.

A justificativa, no entanto, não convenceu a comunidade local. Ambientalistas argumentam que existem métodos alternativos para descontaminar o solo sem sacrificar árvores que levaram décadas — e, em alguns casos, mais de um século — para atingir seu porte atual.

A organização Pasadena Tree Preservation afirma que muitas das árvores são protegidas por uma legislação municipal aprovada em 2002, criada justamente para preservar a floresta urbana da cidade. Para os ativistas, a proposta de substituir cada árvore removida por uma muda não compensa a perda ambiental.

“Eles dizem que haverá substituição na proporção de uma para uma, mas isso é um mito. Não é possível substituir uma árvore que cresceu durante décadas por uma muda com poucos centímetros de diâmetro”, afirmou Jessica Richards, uma das organizadoras do movimento.

A mobilização ganhou força após o início dos cortes em junho. Em diferentes pontos da cidade, estudantes e moradores passaram a monitorar diariamente os campi escolares para alertar sobre a chegada das equipes responsáveis pela remoção das árvores.

Entre os participantes está a estudante Paloma Muñiz-Ochoa, de 17 anos, que passou cerca de oito horas sobre os galhos de um grande carvalho que ela apelidou de “Mary”, em homenagem à poeta Mary Oliver. Já a arborista Sabine Höppner, de 58 anos, acorrentou-se a um par de sicômoros que estima terem aproximadamente 160 anos de idade.

A pressão popular levou o distrito escolar a anunciar, em meados de junho, que poderá preservar até 57 árvores e estudar alternativas para a descontaminação em alguns locais. Entretanto, a administração não informou quais critérios serão utilizados para definir quais exemplares serão mantidos.

O conflito também passou para a esfera jurídica. No dia 1º de julho, a Prefeitura de Pasadena emitiu uma ordem determinando a suspensão temporária dos trabalhos para avaliar quais árvores estão protegidas pela legislação municipal. O distrito escolar, porém, sustenta que o projeto de descontaminação está sob supervisão do governo estadual e, por isso, não estaria sujeito às normas locais.

Na última sexta-feira, a Justiça do Condado de Los Angeles autorizou que técnicos da prefeitura, acompanhados por um arborista certificado, tivessem acesso às árvores da John Muir High School para realizar inspeções. O distrito informou que cumprirá a decisão judicial, mas mantém o entendimento de que o projeto não depende da autorização municipal.

Enquanto isso, os manifestantes prometem continuar mobilizados para impedir novos cortes. Para muitos moradores, as árvores representam muito mais do que áreas de sombra. Elas fazem parte da identidade histórica e ambiental de Pasadena e desempenham um papel importante na recuperação da cidade após os incêndios, ajudando inclusive na proteção contra futuros eventos extremos.

“Depois do fogo, as árvores parecem mortas, mas não estão. Elas passam um tempo reunindo forças para voltar a crescer. Talvez nós também devêssemos aprender com essa capacidade de resistência”, afirmou a arborista Sabine Höppner.

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