A política de fiscalização imigratória dos Estados Unidos voltou a gerar repercussão após a detenção de uma imigrante lituana durante uma entrevista para obtenção do green card. Airida Gould, casada há mais de dez anos com um veterano do Exército americano, foi presa por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) no mesmo dia em que o Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) aprovou a petição de casamento do casal.
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ICE detém esposa de veterano do Exército durante entrevista para green card e mulher é deportada após 66 dias de custódia
A política de fiscalização imigratória dos Estados Unidos voltou a gerar repercussão após a detenção de uma imigrante lituana durante uma entrevista para obtenção do green card. Airida Gould, casada há mais de dez anos com um veterano do Exército americano, foi presa por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) no mesmo dia em que o Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) aprovou a petição de casamento do casal.
O caso ocorreu em 16 de maio, na região de Chicago, e ganhou destaque na imprensa americana por levantar novamente o debate sobre o aumento das prisões realizadas durante entrevistas de imigração e comparecimentos obrigatórios a órgãos federais. Segundo familiares, Airida foi deportada para a Europa na noite de terça-feira (21), após permanecer 66 dias sob custódia do ICE.
De acordo com o marido, Mark Gould, veterano do Exército dos Estados Unidos, o casal compareceu ao prédio do governo acreditando que aquela seria a etapa final para a regularização da esposa.
Em relato divulgado por meio de uma campanha de arrecadação de fundos, ele afirmou que, naquela mesma manhã, o USCIS reconheceu oficialmente a legitimidade do casamento. Horas depois, porém, agentes do ICE algemaram Airida e a retiraram do local.
“Naquele dia, o governo confirmou que nosso casamento é verdadeiro, que somos uma família de verdade e que Airida pertence a este país. Poucas horas depois ela foi presa”, afirmou Mark.
Segundo a família, Airida vivia nos Estados Unidos desde o ano 2000 e era alvo de uma ordem de deportação emitida em 2009. O marido sustenta, porém, que a decisão ocorreu porque ela chegou atrasada a uma audiência de imigração devido a obras na estrada, fazendo com que o caso nunca fosse analisado em seu mérito.
Os advogados da imigrante ingressaram com um pedido emergencial para reabrir o processo perante o Conselho de Apelações de Imigração (Board of Immigration Appeals), mas a medida não impediu a deportação.
Airida e Mark são pais de três filhos nascidos nos Estados Unidos: Lucas, de 23 anos, Jamie, de 20, e Nojus, de 17.
Além da vida familiar, ela trabalhava há aproximadamente 20 anos como massoterapeuta licenciada na empresa Libertyville Massage Therapy, em Illinois. A clínica chegou a divulgar uma campanha pública pedindo apoio ao caso e incentivando clientes a assinarem uma petição em favor da funcionária.
Relatos sobre as condições da detenção
Inicialmente mantida em Illinois, Airida foi transferida para centros de detenção em Indiana e, posteriormente, para Kentucky.
Em entrevista à emissora ABC7, ela descreveu as condições do local onde esteve presa como precárias.
“Tratam melhor gatos e cachorros do que as pessoas ali. Aquele lugar deveria ser fechado”, declarou.
Segundo a imigrante, no centro de detenção para onde foi levada posteriormente, os detentos tinham acesso ao ar livre apenas uma hora por dia, três vezes por semana.
Aumento das prisões em entrevistas de imigração
O caso ocorre em meio a relatos de um aumento nas detenções realizadas durante entrevistas para green card e outros compromissos obrigatórios com autoridades migratórias, à medida que o governo Trump intensifica a aplicação das leis de imigração.
Advogados especializados afirmam que cidadãos americanos casados com imigrantes passaram a enfrentar um escrutínio mais rigoroso durante os processos de residência permanente. Já o governo sustenta que apenas está aplicando leis migratórias que, segundo a administração, não vinham sendo executadas com o mesmo rigor em anos anteriores.
O casamento com um cidadão americano continua sendo uma das principais formas de obtenção do green card. Em 2024, aproximadamente 343 mil cônjuges de cidadãos dos Estados Unidos receberam residência permanente legal, representando cerca de metade de todos os green cards concedidos a familiares imediatos de cidadãos americanos, segundo dados do Departamento de Segurança Interna (DHS).
O DHS e o ICE não divulgaram comentários oficiais sobre o caso até o momento.
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