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Edição MA 4388

Última Edição #4388

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
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Coluna Jhenny Pacheco: Quando o algoritmo começa a educar nossos filhos

Às vezes, acreditamos que nossos filhos estão seguros porque estão dentro de casa.
Sabemos onde eles estão, que a porta está trancada, que não saíram para a rua.
Mas existe uma pergunta que tem me inquietado cada vez mais:

Quem tem ocupado o coração deles quando nós não estamos emocionalmente presentes?

Antes de continuar, preciso dizer algo muito importante.

Não quero romantizar a realidade de muitas famílias, principalmente de nós, famílias brasileiras que vivem fora do país.

Pais e mães sem avós por perto, sem tios, sem vizinhos que podem ficar uma hora com a criança, sem uma rede de apoio para dividir o peso da rotina. Existe trabalho, contas para pagar, casa para cuidar, documentos, saudade e um cansaço que quase nunca aparece nas fotos das nossas redes sociais.

Eu sei. E justamente por isso seria injusto dizer que as telas entraram na infância apenas por descuido.

Muitas vezes, elas entraram por necessidade, pois, enquanto você prepara o jantar, responde uma mensagem do trabalho ou simplesmente tenta respirar por alguns minutos, entregar um celular parece a única forma de conseguir dar conta de tudo. Não há culpa nisso.

O que não pode acontecer é transformar essa estratégia de sobrevivência no nosso modo automático de educar.

Sem perceber, começamos a entregar pequenas partes da infância aos algoritmos. Os influenciadores passam mais tempo conversando com nossos filhos do que nós, o YouTube responde perguntas que eles nunca fizeram aos pais, o TikTok ensina valores, os jogos ensinam pertencimento, e, aos poucos, alguém que nunca conheceu a nossa família começa a participar da formação das nossas crianças.

Toda criança nasce com uma necessidade profunda de pertencimento. Ela precisa sentir que é vista, importante e interessante para alguém. E quando essa necessidade não encontra espaço nas relações de dentro de casa, ela continua procurando, e muitas vezes, procura na internet.

O problema nunca foi a tecnologia, mas sim esquecer que nenhuma tecnologia foi criada para substituir a presença de um adulto emocionalmente disponível.

Predadores digitais sabem disso!

O aliciamento online raramente começa com ameaças. Ele começa com atenção, escuta e validação, eles oferecem exatamente aquilo que toda criança procura: sentir-se especial para alguém.

Por isso, acredito que proteger nossos filhos vai muito além de limitar ou proibir o tempo de tela.

É voltar a ocupar o lugar que nunca deveria deixar de ser nosso.

Não para sermos pais perfeitos, porque a perfeição não está disponível no cardápio. Mas para sermos pais presentes o suficiente para que nossos filhos saibam que, quando precisarem de acolhimento, orientação ou pertencimento, o primeiro lugar onde irão procurar será dentro de casa.

O melhor controle parental nunca foi um aplicativo, sempre será um vínculo.

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