Publicado em 15/02/2008 as 12:00am

Oposição protocola novo pedido para instalar CPI dos Cartões no Congresso

A oposição protocolou nesta quinta-feira na Mesa Diretora do Congresso, pela segunda vez no dia, o requerimento com pedido de instalação da CPI mista dos Cartões Corporativos.

A oposição protocolou nesta quinta-feira na Mesa Diretora do Congresso, pela segunda vez no dia, o requerimento com pedido de instalação da CPI mista dos Cartões Corporativos. O líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (PSDB-AM), fez uma corrida em busca de assinaturas para garantir a entrega do requerimento --depois que o primeiro texto foi considerado sem validade pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Virgílio conseguiu a assinatura de 28 senadores ao requerimento. O tucano percorreu, por mais de uma hora, gabinetes de parlamentares e dependências do Senado na busca por assinaturas para a CPI mista (com deputados e senadores). O líder também mobilizou assessores para a coleta.

Apesar da maioria dos parlamentares já estar fora do Congresso --uma vez que grande parte retorna aos Estados às quintas-feiras-- Virgílio conseguiu superar o mínimo de 27 assinaturas para protocolar o requerimento.

"Parecia uma missão até impossível, eu próprio duvidava que conseguíssemos. Mas isso foi uma obra conjunta. O Senado vive agora uma hora de grandeza porque praticamente todos os partidos estão representados no requerimento. A senadora Rosalba Ciarlini [DEM-RN], por exemplo, postergou sua viagem para assinar', disse o tucano.

A estratégia de Virgílio foi acelerar a busca por assinaturas para evitar o adiamento das investigações. Garibaldi havia concedido o prazo de cinco dias para a oposição colher novamente as assinaturas, mas o tucano evitou postergar a busca para permitir que a comissão seja instalada oficialmente na semana que vem.

O presidente do Senado rejeitou o primeiro requerimento de instalação da CPI mista em conseqüência de um erro técnico no texto. Segundo Garibaldi, as assinaturas dos senadores foram colhidas como de "apoiamento" à criação da CPI. Como o regimento do Senado não permite aceitar assinaturas que sejam apenas de apoio à comissão, o peemedebista considerou o texto nulo.

Ao contrário do Senado, na Câmara a oposição não teve que recolher novamente as assinaturas de pelo menos 171 deputados porque o regimento da Casa não faz nenhuma menção ao termo "apoiamento" --que consta no texto de Carlos Sampaio (PSDB-SP). Dessa forma, as assinaturas dos 189 deputados que assinaram foram validadas para o novo requerimento.

Embate

Após a instalação da CPI, oposição e governo prometem retomar os embates pela presidência e a relatoria da comissão. O PT indicou, nesta quinta-feira, o deputado Luiz Sérgio (RJ) para ocupar a relatoria da CPI. O senador Neuto de Conto (PMDB-SC) também confirmou hoje que aceita o convite do partido para presidir a CPI.

Com as duas confirmações, o governo fica automaticamente com os cargos de comando da CPI --com o argumento de que o PMDB e o PT são as maiores bancadas no Senado e na Câmara. A oposição, no entanto, se articula para reagir à manobra governista. DEM e PSDB prometem boicotar a comissão caso não sejam contemplados com a presidência dos trabalhos.

A oposição também não descarta pedir a instalação de outra CPI, somente no Senado, para investigar as irregularidades no uso de cartões corporativos do governo. No Senado, DEM e PSDB têm número suficiente de parlamentares para apresentar um novo pedido de CPI e emplacar parte do seu comando, o que não ocorre na Câmara.

Fonte: (uol.com.br)