Publicado em 26/02/2008 as 12:00am

Violência é constatada por 87% dos professores de SP

Pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) revela que 87% dos profissionais da educação no Estado disseram ter sido alvo ou saber de algum caso de violência dentro da escola.

 

Pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) revela que 87% dos profissionais da educação no Estado disseram ter sido alvo ou saber de algum caso de violência dentro da escola. Os alunos, de acordo com 93,3% dos professores, são os maiores causadores da violência. O reflexo disso é que 29% dos profissionais chegaram a se afastar temporariamente do trabalho ou deixaram de lecionar por causa de agressões. Para 39%, a violência é também o motivo para alunos abandonarem as aulas.

Foram ouvidos 684 professores durante o 21º Congresso Estadual da Apeoesp, realizado em dezembro de 2006, e os dados só foram divulgados hoje. Quase todos os consultados, 96%, disseram que foram vítima ou souberam de algum caso de agressão verbal; 88,5%, de atos de vandalismo; 82% sofreram ou souberam de caso de agressão física; e 76,4%, de furto. Além disso, 46% dos professores souberam de casos de pessoas armadas nas aulas e 70% têm conhecimento de tráfico de drogas dentro da escola.

"Os dados não chegam a surpreender, mas são preocupantes", disse o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro. Ele afirmou que não existe pesquisa similar com a qual seja possível fazer uma comparação exata. No entanto, diz Castro, com base em cruzamentos com estudos de outros Estados, é possível concluir que a violência dentro das escolas está aumentando. "Há a necessidade de medidas concretas tanto nas salas de aula quanto nas comunidades, para diminuir os casos de violência escolar", afirmou.

Para ele, a principal providência a ser tomada é a integração da comunidade na escola, com participação de pais, alunos, e profissionais da educação na resolução de problemas. "Nossa escola é extremamente autoritária e não estimula essa integração na elaboração de uma proposta para a educação escolar, com uma gestão democrática."

Cidadania

Outros problemas que ajudam na ocorrência de casos de violência escolar é a falta de infra-estrutura e de funcionários, como vigias e inspetores, que, de acordo com o presidente da Apeoesp, "estão integrados na educação dos alunos". "A violência dentro da escola é reflexo da violência da comunidade. Mas a escola deveria estar resolvendo esse problema, não apenas instruindo na formação intelectual, mas também na cidadania", disse.

Castro também defende a integração de serviços públicos sociais e de saúde na educação. "É necessário um acompanhamento psicológico, social e de saúde na educação dos alunos para evitar esses casos de agressões", afirmou.

Fonte: (MSN.COM.BR)