Publicado em 3/07/2008 as 12:00am

Brasil torna-se o celeiro do Mundo

Estamos alimentando grande parte do planeta Terra

 

Até parece que as plantações saem do nada, como na região de cerrado em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. Verdejantes fileiras de milho e algodão espalham-se em direção ao horizonte ? isso, sòmente alguns meses após uma safra-recorde de soja, colhida na mesma área.

Dada à abundância dos campos, é difícil imaginar que essas terras antigamente eram consideradas estéreis, aonde viviam animais, como tatus, macacos, serpentes e as temidas onças. Hoje, o cerrado está aberto para negócios, com sua fertilidade fazendo nossa agricultura emergir e crescer, chamando a atenção de estrangeiros para o superpoder do Brasil nesta década.

O diretor-presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Silvio Crestana, afirmou à reportagem: "Conseguimos transformar essas terras no celeiro da agricultura brasileira".

 

Para alimentar o planeta

Com milhões de pessoas literalmente famintas no Mundo, o crescimento do país na agricultura tropical pode provar que isso é o elemento que faltava para alimentar grande parte da população global.

Se a Arábia Saudita enche os tanques de gasolina, a China monta produtos de consumo, o Brasil está dando seus primeiros passos para ajudar o consumidor a estocar comida em suas despensas. No ponto de vista de diversos observadores, a agricultura pode ser o melhor assunto sobre globalização atualmente.

Com bastante sol e água fresca e muitas terras aráveis à disposição, o Brasil está numa trajetória histórica e pode ser o número 1 na produção agricultural. Deve ultrapassar a produção americana.

O Mundo inteiro tem pago muito caro pela demanda nas redes de alimentação. Muitos dos países importadores estão exigindo os grãos que o nosso país está plantando. A crise que se estabeleceu a nível planetário, tem sido boa para o Brasil, pois permite aos fazendeiros negociarem melhor os seus preços.

 

Exportações em alta

Hoje, exportamos bife, frango, soja, acúcar, café e suco de laranja e estamos crescendo em outras categorias. Os níveis atingidos em Mato Grosso são os melhores até agora, quase iguais aos de Iowa e Minnesota, nos EUA. O Brasil está procurando, ainda, aumentar sua liderança como o maior exportador global de etanol, como resultado do baixo custo no processamento da cana de açúcar.

O setor agricultural americano está olhando o crescimento do Brasil com um mixto de receio e fascinação. Há alguns meses atrás, uma apresentação em Power Point, feita pela Federação dos Fazendeiros de Iowa perguntava: "O Brasil poderia lhe dar dores de estômago e inveja?"

A atitude agora é de calma. "O coração do centro-oeste americano compete em igualdade de condições com o Brasil", comentou Dave Miller, diretor de pesquisa da Federação. Gary Joachim, fazendeiro de soja localizado em Minnesota, acredita que os preços altos nas commodities representa "lucro para todos".

 

Oportunidade para todos

                Os agri-negócios americanos têm visto o Brasil como uma fonte de negócios e oportunidades. A empresa John Deere, de equipamentos agriculturais, tem 114 distribuidores e 140 lojas no Brasil, com previsão de expansão para 200 lojas em 2010.

                Uma fábrica de tratores moderníssima foi inaugurada recentemente na cidade de Montenegro, Rio Grande do Sul e na loja da John Deere em Sorriso, MT, os vendedores ficam sem condições de atender a demanda dos tratores de 310 cavalos de potência, cada vez mais solicitados pelos fazendeiros locais.

                A Cargill, de Minneapolis, possui 25 mil empregados no Brasil, onde iniciou operações em 1965 ? seu maior contingente fora dos EUA - além de contar com vendas locais de 7 bilhões de dólares por ano.

                Em princípio, o Brasil poderia triplicar sua área de cultivo em pouquíssimo tempo sem ter que devastar a floresta amazônica, já bastante destruida. As terras disponíveis para plantações superam todo o espaço hoje existente na União Européia. 

 

                Cientistas brasileiros deram um passo à frente

                Tudo isso, graças à descoberta, por parte de cientistas brasileiros, alguns treinados em agronomia nos Estados Unidos, de fertilizantes ricos em limão e fosfato que reformularam os solos ácidos do cerrado. O desenvolvimento do cerrado brasileiro é considerado, hoje em dia, um dos grandes acertos da ciência da nossa agricultura no Século 20.

 

 

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)