Publicado em 9/09/2008 as 12:00am

Cresce número de mulheres chefiando famílias

Pesquisa do Ipea compara dados entre 1993 e 2006. Estudo revela desigualdade de gêneros e raças em aspectos sociais

Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (9) pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), realizada em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), aponta que a proporção de mulheres chefiando família passou de 19,7%, em 1993, para 28,8%, em 2006.

Em números absolutos, no mesmo período, o número de famílias formadas por casais com filhos chefiadas por muheres subiu de 247.795 para 2.235.233. Ainda de acordo com a pesquisa, nas áreas rurais, 14,6% dos lares com filhos são chefiados por mulheres, menos da metade dos 31,3% encontrados nas áreas urbanas.

A terceira edição da pesquisa “Retrato das desigualdades de gênero e raça” compara dados das Pesquisas Nacionais por Amostras de Domicílio (Pnad) 1993 a 2007. O estudo é realizado pelo Ipea desde 2005 e revela a realidade de brancos, negros, homens e mulheres do Brasil, e as mudanças ocorridas na última década. Entre os temas abordados estão população, educação, saúde, mercado de trabalho e distribuição e desigualdade de renda.

                                           

Desigualdades de raça

Ainda segundo o estudo, os negros e negras estão menos presentes nas escolas. Eles apresentam médias de anos de estudo inferiores e taxas de analfabetismo superiores. No ensino fundamental, a taxa de escolarização líquida (que mede a proporção da população matriculada no nível de ensino adequado à sua idade) para a população branca era de 95,7% em 2006 e de 94,2% entre os negros. No ensino médio, essas taxas correspondem, respectivamente, a 58,4% e 37,4%.

Na comparação do acesso aos bens de consumo, itens como geladeira, máquina de lavar e televisão são mais comuns em casas de brancos do que de negros. Cerca de 75% da população branca não possui freezer. Entre os negros esse índice corresponde a 89,3%. Entre os que não possuem telefone, os negros saem novamente na frente, com 67,4% e 43,9% dos brancos.

Fonte: (G1)