Publicado em 9/10/2008 as 12:00am

Para FMI, Brasil está forte, mas não é imune à crise

O diretor do Fundo afirmou ainda que o crescimento econômico global no próximo ano será gerado essencialmente pelos países em desenvolvimento. "As economias avançadas deverão crescer perto

"'O Brasil implementou nos últimos anos as políticas econômicas corretas, acumulou reservas, e a economia brasileira está em boa forma", afirmou Dominique Strauss-Khan, do FMI, nesta quinta-feira, 9.  "Mesmo em boa forma, o efeito do declínio no crescimento global terá conseqüências sobre as reservas", acrescentou Strauss-Kahn. "A situação do Brasil é uma situação forte, mas ele não está imune à crise." O diretor do Fundo lembrou que a estimativa de crescimento brasileira feita pelo FMI para 2009 é menor do que a projeção para este ano.

 

            Crescimento

            O órgão avalia que o Brasil terá um crescimento de 5,2% em 2008 e de 3,5% no ano que vem. "Para um país como o meu, um crescimento de 3,5% é um grande sucesso", disse Strauss-Kahn, que foi ministro das Finanças da França entre 1997 e 1999. "A última vez que tivemos um crescimento assim foi há dez anos, quando eu nem me lembro quem era o ministro das Finanças", brincou o diretor do FMI. "Mas, para um país como o Brasil, 3,5% não é tão bom assim, já que costumava crescer de 5% a 6%", acrescentou.

 

            Emergentes

            O diretor do Fundo afirmou ainda que o crescimento econômico global no próximo ano será gerado essencialmente pelos países em desenvolvimento. "As economias avançadas deverão crescer perto de 0% no ano que vem, isso significa que 100% do crescimento econômico virá das economias emergentes e das nações de baixa renda", disse o francês. Indagado se isso implicaria em uma mudança na estrutura mundial de poder, Strauss-Kahn respondeu: "Uma mudança de poder leva tempo, mas essa crise já dura mais de um ano e deve continuar por mais tempo."

"Com o tempo, e dado o grau de crescimento de diferentes países, isso deverá aumentar também o peso dessas nações", concluiu o diretor do FMI. 

Fonte: (Folha Online)