Publicado em 26/03/2009 as 12:00am

Brown pede apoio de Lula a crédito de US$ 100 bi para comércio mundial

Em sua primeira visita ao Brasil, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defendeu a oferta de mais crédito ao comércio internacional. Segundo Brown, são necessários "US$ 100 bilhões, no mínimo"

 

Em sua primeira visita ao Brasil, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defendeu a oferta de mais crédito ao comércio internacional. Segundo Brown, são necessários "US$ 100 bilhões, no mínimo" para reativar o fluxo entre os países. A ideia de Brown será apresentada na reunião do G20, em Londres, no próximo dia 2 de abril. "Vou pedir aos países do G20 que apoiem a ampliação dos financiamentos para o comércio", afirmou o primeiro-ministro britânico. "Convido o Brasil, outros países e organismos internacionais a participar."

O comércio foi o principal ponto da conversa entre os líderes, que se reuniram para discutir propostas para a recuperação da economia mundial. Conversas bilaterais entre líderes do G20 se tornaram mais intensas nas últimas semanas, em uma tentativa de alinhavar propostas conjuntas. Brown disse que sua visita ao Brasil, às vésperas do G20, é um "indicativo" da liderança brasileira no sistema econômico mundial. "Não estou aqui por acidente", afirmou. "Não podemos chegar a Londres sem um processo de consulta."

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os países "têm obrigação" de sair de Londres com propostas concretas. "Caso contrário, cairemos em descrédito", afirmou."Se cometermos o erro de fazer dessa reunião mais uma reunião pra marcarmos outra reunião, nós poderemos cair em um descrédito, e essa crise poderá se aprofundar", acrescentou o presidente.

Doha

Ainda no contexto do comércio internacional, Brown também defendeu a retomada das negociações de Doha. Segundo o líder britânico, a recuperação da economia mundial tem de passar pelo comércio. "O presidente Lula e eu concordamos que vamos trabalhar juntos no G20 para prevenir o protecionismo", disse Brown. O combate ao protecionismo foi um dos principais temas da primeira reunião dos líderes do G20, em novembro. No entanto, alguns países do grupo têm adotado medidas que contrariam o prometido em Washington.

O presidente Lula disse que cada país decide "o que é melhor para si", mas que é preciso encontrar formas de impedir o protecionismo. "Eu comparo o protecionismo a uma droga", afirmou. "Você toma na hora para resolver um problema no curto prazo, mas depois vem a depressão." Os dois mandatários também defenderam uma reforma "rigorosa" do sistema financeiro internacional e afirmaram que vão colocar o assunto sobre a mesa na reunião do G20.

“Olhos azuis”

Lula também voltou a defender que os países em desenvolvimento "não paguem o preço" da crise econômica. O presidente citou o caso de imigrantes, que, segundo ele, "são os primeiros a sofrer e os que menos têm culpa"."Essa é uma crise causada e fomentada por gente branca, de olhos azuis, e que antes pareciam que sabiam tudo", disse Lula, diante de uma plateia que incluía integrantes britânicos da delegação que acompanhou a visita de Brown. Lula negou, no entanto, que exista "viés ideológico" em seu discurso.

"O que existe é a constatação de um fato", afirmou o presidente. "Não conheço um banqueiro negro ou índio."

 

Fonte: (G1)