Publicado em 6/08/2009 as 12:00am

Medicamento para tratar nova gripe é vendido por camelôs em Porto Alegre

Autoridades condenam uso de remédios sem procedência. Medo do contágio levou escolas infantis a suspender reinício das aulas


O medo da gripe suína produziu duas situações extremas, no Sul do Brasil: camelôs estão vendendo o remédio para o tratamento da doença nas ruas de Porto Alegre. E o medo do contágio levou as escolas infantis e creches a suspender o reinício das aulas.


A auxiliar de serviços gerais Fernanda Machado descobriu que a creche dos filhos estava fechada, quando saía para o trabalho. “Agora, eu vou ter que continuar em casa, cuidando deles e correndo o risco de perder o emprego”, diz.


A Prefeitura de Porto Alegre quer reduzir o risco de contágio do vírus da nova gripe entre as crianças menores de 6 anos de idade e adiou por duas semanas o reinício das aulas. Ao todo, 17 mil crianças foram afetadas pela decisão.


Sem escolas e com as creches fechadas, os pais precisam buscar alternativas. Muitos procuram o trabalho de pessoas como a babá Marilaine Bom.


Até semana passada, ela cuidava de duas crianças. Hoje, divide a atenção e a casa onde mora, com mais quatro meninos e meninas. “É lucro, mas para as mães é ruim porque pesa no bolso delas. Vai fazer falta para elas”, diz a babá.


Nesta quinta-feira (6), a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul confirmou mais três mortes provocadas pela nova gripe.

Remédios vendidos por camelôs

No centro de Porto Alegre, camelôs irregulares vendem ilegalmente o que, segundo eles, é o remédio usado no tratamento da doença. Com uma câmera escondida, a reportagem flagrou a ação de um homem. Ele oferece cinco comprimidos por R$ 120.


O vendedor garante que o medicamento é verdadeiro e ainda tenta ensinar como o remédio deve ser tomado. Em poucos minutos, outro homem faz a entrega. Os comprimidos são embalados em um saco plástico, sem nenhum cuidado.
A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso.


“São criminosos que estão soltos na cidade, vendendo remédios que não são só falsificados, mas que são modificados e que podem prejudicar e levar até a morte”, avisa o secretário municipal de Indústria e Comércio, Idenir Cecchin.


As autoridades de saúde condenam o uso de remédios comprados sem procedência e mal acondicionados. Mesmo o uso do medicamento verdadeiro, sem receita, também é perigoso e pode causar resistência do vírus.


“A automedicação pode causar efeitos colaterais e obviamente o paciente pode não melhorar. Ele pode até deixar de ter recebido a medicação que receberia se fosse procurar atendimento”, explica o médico infectologista Ricardo Zimerman.

Fonte: (G1)