Publicado em 3/09/2009 as 12:00am

Anvisa discute proibição de câmaras de bronzeamento artificial

Órgão abriu consulta pública para estudar prós e contras. Técnica causa câncer, dizem pesquisadores.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu nesta quarta-feira (2)  uma consulta pública que pode resultar na proibição do uso de câmaras de bronzeamento em clínicas de estética. O órgão estabeleceu o período de um mês para profissionais de saúde, população e fabricantes poderem opinar.

A proibição é discutida pela agência uma vez que recentes estudos têm mostrado que a prática tem efeitos nocivos à saúde. Em julho, a International Agency for Research on Câncer (Iarc), instituição vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), incluiu as câmaras de bronzeamento na lista de fatores comprovadamente causadores de câncer.

Os especialistas apontam que a emissão de radiação ultravioleta A, utilizada nas câmaras de bronzeamento, aumenta os riscos de desenvolvimento de câncer de pele. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, esse é o tipo de câncer mais freqüente no Brasil, correspondendo a cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados no país, “Há muitos anos a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) é contrária ao uso das câmaras”, diz Omar Lupi, presidente da SBD.

De acordo com o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano, há uma contradição em existir o registro para os equipamentos  em um país como o Brasil, com grande número de casos de câncer de pele. "Buscamos compreender que tipo de justificativa poderia existir para uma prática considerada cancerígena pela OMS pudesse ser mantida de maneira segura", afirma. "O que se verifica é que existe uma contradição enorme."

Ficariam de fora da proibição, as câmaras de emissão de radiação ultravioleta destinadas a terapias médicas. Hoje, a técnica é utilizada no tratamento de doenças como psoríase e vitiligo. “Uma briga da sociedade é que onde existe uma câmara deveria haver acompanhamento de um dermatologista, o que não acontece”, diz Lupi.

Evidências

Segundo o assessor técnico da Associação Brasileira dos Profissionais de Bronzeamento, Cleverson Riggo, a consulta pública da Anvisa ignora o que o próprio estudo da Iarc aponta. "Após uma análise profunda de nossa assessoria técnica verificou-se que a evidência da relação entre o uso continuado de camas de bronzeamento e o câncer de pele é muito fraca", diz.

Riggo afirma que desde 2000 as câmaras são consideradas com potencial cancerígeno nos EUA e nem por isso deixaram de ser usadas. "A luz ultravioleta e o sol são consideradas desde 1994 como potencial cancerígeno pelo Iarc, não é surpresa nenhuma. Essa classificação apenas leva em conta que é um elemento cancerígeno, assim como é o sol, o vinho, os elementos das bebidas alcóolicas", explica.

  

No Brasil, desde 2002, a Anvisa estabelece um regulamento para a utilização das câmaras de bronzeamento. Entre outros pontos, proíbe o uso por menores de 18 anos de idade. “Nenhum dermatologista sério faz bronzeamento em consultório até porque existem métodos seguros como os autobronzeadores”, explica.

De acordo com o presidente da SBD, os danos causados à saúde pelo bronzeamento artificial se agravam pelo fato de muitas pessoas se tornarem dependentes da técnica. “Estudos têm mostrado que as pessoas se tornam viciadas em exposição crônica, pois têm liberação de endorfina e sensação de bem estar”, diz.

Caso a consulta pública aponte para a proibição das câmaras de bronzeamento artificial, a Anvisa deve publicar a resolução ainda neste ano, afirma Barbano.

Fonte: (g1)