Publicado em 19/12/2009 as 12:00am

Corrupção no Distrito Federal escandaliza opinião pública

A Voz de Brasília grita pelas ruas e pede a saída imediata de José Roberto Arruda (DEM) do Governo do Distrito Federal! Roqueira Rita Lee também se manifesta

Todo o esquema veio à tona recentemente e é de domínio público mundial. Arruda é acusado, em inquérito da Polícia Federal, de comandar um esquema de corrupção envolvendo secretários de Estado, o vice-governador Paulo Octávio e deputados distritais.

E depois de passar seis dias ocupada por estudantes que pediam o impeachment do governador, a Câmara Legislativa do Distrito Federal acatou na última quarta-feira, 9, o projeto-de-lei, com a assinatura de membros de todas as bancadas, que cria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a rede de distribuição de propina a políticos e membros do governo local, conhecida como mensalão do DEM.

 

A comissão irá analisar todos os governos do DF entre 1991 e 2009, o que inclui, além da administração de Arruda, as de Joaquim Roriz (PSC) e Cristovam Buarque (PDT).

 

Apontado pela Polícia Federal como integrante do esquema de corrupção no Distrito Federal, o governador anunciou, finalmente, na quinta-feira, 10, a desfiliação do Democratas.

 

Arruda disse que, com sua decisão, "evita o constrangimento de colegas de partido e de amigos".

 

"Quero agora me dedicar às questões administrativas do governo, sem o clima emocional que marca esse momento. Quero trabalhar por Brasília e defender a minha honra e defender o mandato de governador, que me foi dado pelo povo", disse.

 

Com essa decisão, Arruda evita passar pelo processo de expulsão, que era dado como certo entre os líderes do DEM. Very clever!

 

Com a desfiliação, Arruda está impossibilitado de disputar as eleições no ano que vem, já que não há mais tempo suficiente para filiar-se a outro partido.

 

 

 

Rita Lee se manifesta durante show

No sábado, 12, foi a vez da roqueira mais famosa do Brasil dar a sua opinião, em pleno palco do centro de convenções Ulysses Guimarães, onde a avó do rock brasileiro apresentou seu espetáculo Multishow Rita Lee.

 

Irreverente, a cantora comentou os recentes acontecimentos no planalto, fazendo o delírio dos fãs presentes. 

 

Publicitários se deram bem

Além de todas a denúncias publicadas, o governo do Distrito Federal abasteceu, também, nos últimos três anos, sem licitação, com pelo menos R$ 14,4 milhões, a uma produtora que fez programas para o diretório do DEM em Brasília nesse período e cuidou da campanha de Arruda em 2006.

 

Num encontro em 2006 com Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo de Arruda, Abdon Bucar admite que fez acordo para receber por caixa dois na campanha. Nessa conversa, gravada em vídeo por Barbosa, o dono da AB Produções reclama de um contrato não honrado de R$ 750 mil "com o PFL" - nome antigo do DEM- e de R$ 1 milhão que teriam caído em sua conta sem qualquer explicação. Ele chega a falar em "esquentar" nota fiscal, expressão usada para "legalizar" dinheiro não declarado.

 

 

Com a CPI e a instalação da comissão especial que recomendará a abertura ou não do processo de impeachment, a Câmara espera dar uma satisfação à opinião pública. Atua também para se descolar da crise e deixar o desgaste no âmbito do Poder Executivo, de onde o propinoduto era operado pelo ex-secretário de Relações Institucionais. "A crise é muito séria e exige respostas à altura", afirmou o deputado Paulo Tadeu (PT-DF).

 

 

Só no Brasil... ou seria só em Brasilia?

 

Arruda joga com a maioria folgada que desfruta no Legislativo - até a crise ele tinha 19 dos 24 distritais da casa - e com o fator tempo. No próximo dia 15 começa o recesso parlamentar e tanto a CPI como o pedido de impeachment ficarão em suspenso até 2 de fevereiro.

 

Mesmo com a debanda de partidos da base, Arruda continua com maioria folgada e dominará tanto a comissão especial, como a CPI. "Vai ser um massacre, estamos em nítida desvantagem", previu a deputada Jacqueline Roriz (PMDB), filha do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), que tentará voltar ao cargo em 2010.

Fonte: (Da redação)