Publicado em 3/09/2011 as 12:00am

Aos 80, Maluf diz ter enfrentado a ditadura e esbanja amor próprio

Cada vez menos popular e hoje pouco lembrado nos noticiários e nas conversas de bar, Paulo Maluf completa 80 anos neste sábado (3) e continua esbanjando amor próprio. O deputado federal pepista, representante de um populismo em extinção, não perdeu o hábi

Cada vez menos popular e hoje pouco lembrado nos noticiários e nas conversas de bar, Paulo Maluf completa 80 anos neste sábado (3) e continua esbanjando amor próprio. O deputado federal pepista, representante de um populismo em extinção, não perdeu o hábito de falar em terceira pessoa e exaltar, a qualquer oportunidade, seus feitos.

“Só me arrependo do que eu ainda não fiz. Tudo que fiz deu certo”, diz. “Toma dez táxis e faz uma pesquisa para saber quem mais trabalhou em São Paulo”, recomenda.

Figura inofensiva, se comparado ao que representou nas décadas de 70, 80 e 90, Maluf tenta capitalizar até as críticas mais pesadas que recebe, como ter participado da ditadura e alavancado a carreira de Celso Pitta.

“Paulo Maluf foi o primeiro a desafiar o regime militar”, responde. Quanto ao seu apadrinhado, “empenhei meu prestígio para um negro ser prefeito de São Paulo, mas não tenho culpa se ele não entendeu o momento histórico”, afirma.

O deputado amenizou o discurso sobre os adversários políticos, a ponto de elogiar Lula, Serra, Kassab e projetar apoio a Geraldo Alckmin nas eleições de 2014, caso o tucano dispute o governo de São Paulo novamente.

Maluf acumula dez derrotas em eleições para cargos executivos, sem contar o pleito presidencial de 1985, quando perdeu para Tancredo Neves na votação indireta. Nas urnas, foi eleito prefeito de São Paulo, em 1992, e deputado federal por três vezes (1982, 2006 e 2010) – em duas delas com a maior votação do país.

O deputado não descarta se candidatar a prefeito da capital paulista em 2012 e até a governador em 2014, embora reconheça que a idade pese.

Quanto aos processos, Maluf responde a três ações penais e a um inquérito, que está há cinco anos no STF (Supremo Tribunal Federal). Com o nome na lista da Interpol, Maluf não pode colocar os pés nos Estados Unidos, onde há uma prisão decretada contra ele. Todos os seus bens no Brasil e em seis países estão bloqueados.

Uma das investigações trata do sumiço de mais de US$ 300 milhões dos cofres da Prefeitura de São Paulo na sua gestão. Como sempre, Maluf se declara inocente e diz que a maior prova disso é nunca ter sido condenado.

Em entrevista ao UOL Notícias, Maluf falou de todos esses assuntos e também da sua prisão na sede da Polícia Federal de São Paulo, em 2005, onde ficou detido por 40 dias. O delegado da PF responsável pela prisão de Maluf e do filho Flávio foi Protógenes Queiroz, hoje colega do deputado na CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) da Câmara. 

Fonte: UOL.COM.BR