Publicado em 7/09/2011 as 12:00am

Sindicato de docentes de MG diz que dirigentes estão sendo perseguidos pela polícia

O Sind-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais) afirmou nesta terça-feira (6) que seus dirigentes têm sofrido intimidação e são seguidos nas tarefas do dia a dia. De acordo com deputados estaduais, a coação estaria sendo feita p

O Sind-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais) afirmou nesta terça-feira (6) que seus dirigentes têm sofrido intimidação e são seguidos nas tarefas do dia a dia. De acordo com deputados estaduais, a coação estaria sendo feita por homens do serviço reservado da Polícia Militar mineira, conhecido como P2. Os docentes estão em greve há três meses.

"Há dez dias, temos percebido um monitoramento da sede do sindicato (localizada em bairro da região leste da capital mineira). Conseguimos identificar três carros que param próximo ao sindicato e permanecem por todo o dia. Quando o carro do sindicato sai para alguma agenda, ele é seguido, e também o nosso caminhão de som", afirmou Beatriz Cerqueira, diretora-geral da entidade. No entanto, ela não soube precisar se a ação estaria sendo feita por policiais do serviço reservado da corporação. "O que nós buscamos foi tentar flagrar a situação porque, se eu dissesse que estava sendo seguida, soaria um pouco apelativo no meio de uma greve", afirmou. Ainda conforme a dirigente, o seu telefone estaria grampeado.

"Eu espero que a publicidade seja suficiente para que essas ações parem e espero que haja uma investigação", afirmou Beatriz Cerqueira.

A denúncia foi repassada por ela ao deputado estadual Rogério Correia (PT), de oposição ao governador Antonio Anastasia (PSDB), e à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas Gerais (AL-MG). “Ela me procurou para denunciar que estava sendo seguida. Não só ela como outros dirigentes. Além disso, a casa de um dos dirigentes do sindicato foi apedrejada de madrugada”, afirmou Corrêa que disse ter pedido a Beatriz para anotar a placa dos carros que supostamente ficava m estacionados no entorno do local.

Abordagem

Nesta terça-feira, o deputado disse ter abordado um dos homens que estariam espreitando os sindicalistas. “Ele saiu sem dizer nada do que eu perguntei a ele”, disse o petista, para complementar dizendo que a placa do carro, ao ser consultada no site do Detran-MG (Departamento de Trânsito de Minas Gerais), revelou ser uma placa com “acesso restrito”. Ainda conforme o político, houve a solicitação da presença de homens da Polícia Militar ao local, mas segundo ele, não houve resposta.

Correia disse que, com auxílio da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas Gerais, vai denunciar o caso, na próxima segunda-feira à Polícia Civil mineira.

“Nós vamos entregar essa ocorrência ao Ministério Público, à Ouvidoria de Polícia e ao governador do Estado, e vamos pedir à Secretaria Nacional de Direitos Humanos proteção a esses sindicalistas”, frisou. O deputado disse ainda que vai solicitar o afastamento do comandante-geral ao governador Anastasia.
Já o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Durval Ângelo (PT), também de oposição ao governo mineiro, afirmou que o caso será levado à ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. O parlamentar ainda revelou a intenção de pedir à Polícia Federal (PF) proteção aos sindicalistas.

O deputado Durval Ângelo afirmou também que duas das placas dos carros que estariam estacionados perto do sindicato seriam do "serviço reservado da Polícia Militar".

Parcela de professores está em greve desde o dia 8 de junho deste ano nas escolas estaduais da rede pública do Estado. Segundo o governo mineiro, apenas 1,5% das escolas estão tolmente paralisadas. Ao todo, 19% das unidades de ensino estão sendo afetadas parcialmente pelo movimento grevista. Por seu turno, o sindicato da categoria avalia que 50% dos professores estão de braços cruzados.

Outro lado

O governo do Estado informou, por meio de nota, que a Polícia Militar do Estado pauta seus atos pela “pela transparência, não se prestando ao cerceamento de direitos ao realizar o seu trabalho de polícia ostensiva ou de inteligência aplicada à preservação da ordem pública e à segurança dos cidadãos”.

Fonte: UOL.COM.BR