Publicado em 10/01/2012 as 12:00am

Escândalo da Integração tira Pimentel da 'chuva'

As denúncias que trovejam sobre a cabeça do ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) retiraram momentaneamente da chuva o colega Fernando Pimentel (Desenvolvimento).

As denúncias que trovejam sobre a cabeça do ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) retiraram momentaneamente da chuva o colega Fernando Pimentel (Desenvolvimento).

O Planalto celebra discretamente o sumiço do noticiário sobre as consultorias mal explicadas de Pimentel. A oposição programa-se para reanimar as manchetes em fevereiro, no reinício do trabalhos do Congresso.

O senador Álvaro Dias, líder do PSDB e articulador dos raios que partam Pimentel, retoma, desde logo, uma pregação que o recesso parlamentar silenciara.

Todos os ministros acusados de irregularidades, recorda Alvaro, prestaram depoimento no Congresso, exceto dois: Antonio Palocci e Fernando Pimentel. “Só os do PT foram blindados”.

No caso de Pimentel, amigo de juventude de Dilma Rousseff, o escudo resultou na derrubada de cinco requerimentos de convocação. Quatro em comissões da Câmara. Um em comissão do Senado.

Líder do DEM e autor de um dos pedidos sepultados, o deputado ACM Neto relembra: “Nunca tinha visto, em nenhum outro momento, o PT se organizar como se organizou para blindar o Pimentel.”

Antes de sair em férias, Alvaro Dias protocolou na Comissão de Justiça do Senado um sexto pedido de comparecimento de Pimentel ao Legislativo. A chance de aprovação é nula.

O líder tucano não ignora que a infantaria governista dispõe de folgada maioria na comissão. A despeito disso, mantém de pé o requerimento. Uma forma de constranger o governo e, sobretudo, Dilma.

“Quando quisemos convocar o Palocci, foi um cerco total. Depois, adotaram o procedimento de aceitar. Os ministros passaram a depor. Quando surgiu o Pimentel, interromperam o processo.”

Nesta terça (10), Alvaro retorna a Brasília para protocolar um pedido de inquirição do outro Fernando, o Bezerra. Seu requerimento será anexado a outro, do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP).

Em telefonema a José Sarney (PMDB-AP), Fernando Bezerra se dispôs a comparecer ao Legislativo na condição de “convidado”. Vai a uma comissão constituída para atender às emergências do recesso.

Alvaro Dias tripudia: “O ministro é do PSB, não do PT. Então, o governo autoriza que ele deponha no Congresso. Esse jogo deixa muito mal o governo, em especial a presidente.”

O Planalto alega que, no caso de Pimentel, não há razões que justifiquem o comparecimento às comissões do Legislativo. Por quê?

Quando prestou as consultorias que lhe renderam R$ 2 milhões, Pimentel já não era prefeito de Belo Horizonte e ainda não tinha virado ministro. Nessa versão, os negócios foram privados.

Pimentel, por sua vez, dá o caso por encerrado. Afirma que já deu as explicações que o caso requeria. Os antagonistas do governo no Congresso discordam.

Afora o requerimento de Alvaro Dias na Comissão de Justiça, ainda pendente de votação, o PSDB representou contra Pimentel no Ministério Público Federal.

A oposição aguarda pela manifestação do procurador-geral da República Roberto Gurgel, a quem cabe decidir se o caso merece ser investigado ou arquivado.

“O recesso não é apenas do Legislativo. Afeta também o Judiciário e o Ministério Público. Isso prejudicou tudo”, lamenta Alvaro. E ACM Neto: “Quando não conseguimos trazer o ministro ao Congresso, o desdobramento passa a depender da imprensa e do Ministério Público.”

As tentativas de Pimentel de explicar os negócios da P-21, sua empresa de consultoria, não se revelaram bem sucedidas. Os R$ 2 milhões faturados pelo ministro vieram de quatro clientes.

Pimentel exibiu as notas fiscais. Mas não mostrou o resultado do trabalho. Em três casos, reconheceu que não chegou a produzir relatórios. Noutro, disse ter feito um texto “não muito extenso.” Numa das transações, nem contrato foi celebrado. Metade do faturamento de Pimentel veio da Federação das Indústrias de Minas Gerias –R$ 1 milhão em nove meses. Ou R$ 111 mil por mês. Nada de relatórios.

Presidente da Fiemg na época da contratação, Robson Andrade, hoje mandachuva da CNI, tentou dar ossatura ao “trabalho” de Pimentel. Disse que ele “fez uma série de palestras nas regionais” da entidade. Cópias das palestras? Inexistem. Planilhas de custo? Nada. Programações? Nem sinal.

O repórter Thiago Herdy visitou as unidades regionais da federação mineira. Recolheu declarações que transformaram a versão de Robson Andrade em pantomima. Ninguém tem notícia das palestras de Pimentel. Questionado, o atual presidente da Fiemg, Olavo Machado, pediu “tempo para pensar um pouquinho.” Já lá se vão quase trinta dias de silêncio.

Nesse cenário, o temporal que alaga o gabinete de Fernando Bezerra, apadrinhado do governador pernambucano Eduardo Campos, se reflete na forma de um arco-íris na sala de Fernando Pimentel, amigo e protegido de Dilma. 

As denúncias que trovejam sobre a cabeça do ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) retiraram momentaneamente da chuva o colega Fernando Pimentel (Desenvolvimento).

O Planalto celebra discretamente o sumiço do noticiário sobre as consultorias mal explicadas de Pimentel. A oposição programa-se para reanimar as manchetes em fevereiro, no reinício do trabalhos do Congresso.

O senador Álvaro Dias, líder do PSDB e articulador dos raios que partam Pimentel, retoma, desde logo, uma pregação que o recesso parlamentar silenciara.

Todos os ministros acusados de irregularidades, recorda Alvaro, prestaram depoimento no Congresso, exceto dois: Antonio Palocci e Fernando Pimentel. “Só os do PT foram blindados”.

No caso de Pimentel, amigo de juventude de Dilma Rousseff, o escudo resultou na derrubada de cinco requerimentos de convocação. Quatro em comissões da Câmara. Um em comissão do Senado.

Líder do DEM e autor de um dos pedidos sepultados, o deputado ACM Neto relembra: “Nunca tinha visto, em nenhum outro momento, o PT se organizar como se organizou para blindar o Pimentel.”

Antes de sair em férias, Alvaro Dias protocolou na Comissão de Justiça do Senado um sexto pedido de comparecimento de Pimentel ao Legislativo. A chance de aprovação é nula.

O líder tucano não ignora que a infantaria governista dispõe de folgada maioria na comissão. A despeito disso, mantém de pé o requerimento. Uma forma de constranger o governo e, sobretudo, Dilma.

“Quando quisemos convocar o Palocci, foi um cerco total. Depois, adotaram o procedimento de aceitar. Os ministros passaram a depor. Quando surgiu o Pimentel, interromperam o processo.”

Nesta terça (10), Alvaro retorna a Brasília para protocolar um pedido de inquirição do outro Fernando, o Bezerra. Seu requerimento será anexado a outro, do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP).

Em telefonema a José Sarney (PMDB-AP), Fernando Bezerra se dispôs a comparecer ao Legislativo na condição de “convidado”. Vai a uma comissão constituída para atender às emergências do recesso.

Alvaro Dias tripudia: “O ministro é do PSB, não do PT. Então, o governo autoriza que ele deponha no Congresso. Esse jogo deixa muito mal o governo, em especial a presidente.”

O Planalto alega que, no caso de Pimentel, não há razões que justifiquem o comparecimento às comissões do Legislativo. Por quê?

Quando prestou as consultorias que lhe renderam R$ 2 milhões, Pimentel já não era prefeito de Belo Horizonte e ainda não tinha virado ministro. Nessa versão, os negócios foram privados.

Pimentel, por sua vez, dá o caso por encerrado. Afirma que já deu as explicações que o caso requeria. Os antagonistas do governo no Congresso discordam.

Afora o requerimento de Alvaro Dias na Comissão de Justiça, ainda pendente de votação, o PSDB representou contra Pimentel no Ministério Público Federal.

A oposição aguarda pela manifestação do procurador-geral da República Roberto Gurgel, a quem cabe decidir se o caso merece ser investigado ou arquivado.

“O recesso não é apenas do Legislativo. Afeta também o Judiciário e o Ministério Público. Isso prejudicou tudo”, lamenta Alvaro. E ACM Neto: “Quando não conseguimos trazer o ministro ao Congresso, o desdobramento passa a depender da imprensa e do Ministério Público.”

As tentativas de Pimentel de explicar os negócios da P-21, sua empresa de consultoria, não se revelaram bem sucedidas. Os R$ 2 milhões faturados pelo ministro vieram de quatro clientes.

Pimentel exibiu as notas fiscais. Mas não mostrou o resultado do trabalho. Em três casos, reconheceu que não chegou a produzir relatórios. Noutro, disse ter feito um texto “não muito extenso.” Numa das transações, nem contrato foi celebrado. Metade do faturamento de Pimentel veio da Federação das Indústrias de Minas Gerias –R$ 1 milhão em nove meses. Ou R$ 111 mil por mês. Nada de relatórios.

Presidente da Fiemg na época da contratação, Robson Andrade, hoje mandachuva da CNI, tentou dar ossatura ao “trabalho” de Pimentel. Disse que ele “fez uma série de palestras nas regionais” da entidade. Cópias das palestras? Inexistem. Planilhas de custo? Nada. Programações? Nem sinal.

O repórter Thiago Herdy visitou as unidades regionais da federação mineira. Recolheu declarações que transformaram a versão de Robson Andrade em pantomima. Ninguém tem notícia das palestras de Pimentel. Questionado, o atual presidente da Fiemg, Olavo Machado, pediu “tempo para pensar um pouquinho.” Já lá se vão quase trinta dias de silêncio.

Nesse cenário, o temporal que alaga o gabinete de Fernando Bezerra, apadrinhado do governador pernambucano Eduardo Campos, se reflete na forma de um arco-íris na sala de Fernando Pimentel, amigo e protegido de Dilma. 

Fonte: http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br