Publicado em 14/01/2012 as 12:00am

Geraldo Alckmin visita cracolândia de madrugada

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) esteve na cracolândia na madrugada deste sábado.

Sem descer do carro, o governador circulou pelas ruas Helvétia e Dino Bueno, região central de São Paulo, onde está concentrada a operação policial para impedir o consumo de crack na região.

Com carros da polícia nas esquinas, a cracolândia estava praticamente vazia durante a passagem do governador. Os usuários de crack caminhavam a algumas quadras dali, próximos à rua Santa Ifigênia. Alguns dormiam na calçada.

O carro de Alckmin circulou por cerca de dez minutos na cracolândia, escoltado por outro veículo. O governador deixou o local por volta de 1h20.

CRACOLÂNDIA

A Polícia Militar realiza desde o dia 3 uma operação na região da cracolândia para combater o tráfico de drogas e evitar aglomerações de dependentes na região. A operação deve persistir na região por tempo indeterminado.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, afirmou ontem que traficantes pequenos já foram presos e o Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) está trabalhando para mapear o caminho da droga que chega a região.

"É um equívoco dizer que foram apreendidos só 300 ou 400 gramas de crack. Ocorre que a pedra de crack é menor que uma semente de laranja. Por isso deve contar pelo número de pedras apreendidas. São milhares de pedras recolhidas nesse período."

Já em relação aos dependentes, a polícia faz rondas pela região para evitar as aglomerações. Reportagem da Folha flagrou inclusive o uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra os usuários. O secretário afirmou que após a reportagem, os policiais foram proibidos de portar os equipamentos.

PRAZO

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, afirmou na quinta-feira (12) que a operação na cracolândia não tem prazo para terminar. Ele também afirmou que a operação foi planejada e negou ter havido erros.

"A contrário do que dizem por aí, a operação não tem prazo para acabar. A polícia vai permanecer enquanto tiver necessidade. Vamos apoiar as próximas fases da operação, apoiar os agentes de saúde e de assistência social", disse.

Um inquérito civil foi instaurado na terça-feira (10) por quatro áreas do Ministério Público para investigar a operação. Segundo os promotores, o objetivo é descobrir quem está comandando a ação e se houve improbidade administrativa. Eles caracterizam como "desastrosa" a ação, que teria boicotado o trabalho que já estava sendo feito na região.

"O trabalho do Ministério Público é investigar, apurar eventuais abusos. O que não é legítimo é fazer juízo precipitado em relação a operação", disse Ferreira Pinto.

Fonte: (da folha)