Publicado em 16/03/2012 as 12:00am

Sem caixa, Odebrecht pede mais R$ 150 milhões emprestados para tocar Itaquerão

Ainda sem dinheiro do BNDES, a construtora Odebrecht busca mais um empréstimo-ponte no mercado para continuar tocando as obras do Itaquerão


Ainda sem dinheiro do BNDES, a  construtora Odebrecht busca mais um empréstimo-ponte no mercado para continuar tocando as obras do Itaquerão, estádio que deve abrir a Copa 2014 e que está sendo construído na Zona Leste de São Paulo. A operação de reforço de caixa injetará R$ 150 milhões no projeto.

 É a segunda vez que a construtora recorre ao mercado para driblar o atraso na liberação do dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento, que ainda analisa as garantias oferecidas pelo consórcio formado pela construtora e o clube. Em dezembro de 2011, a empresa já tinha conseguido junto a um banco privado R$ 100 milhões para injetar na obra.

 A previsão oficial é de que o estádio esteja concluído até dezembro de 2013, em condição de abrir a Copa 2014 em julho. A dificuldade operacional para liberação do dinheiro junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social se deve à aceitação “da engenharia financeira” montada pelo consórcio Odebrecht-Corinthians.

Além dos R$ 400 milhões que devem ser liberados pelo BNDES, o consórcio usará os títulos públicos emitidos pela Prefeitura de São Paulo (certificados de incentivo ao desenvolvimento da Zona Leste – CID), no valor máximo de R$ 420 milhões. A soma dos dois valores deverá sustentar a finalização da obra, orçada em R$ 820 milhões, fora juros e despesas bancárias.

O Banco do Brasil deverá ser o banco garantidor, ou agente repassador do dinheiro do BNDES. Sendo garantidor, será também sócio do negócio. O Corinthians só assumirá o estádio quando quitar a dívida, por volta de 2024. O BB também montou o fundo imobiliário para vender cotas do estádio e, possivelmente, comercializar os CIDs emitidos pela Prefeitura.

Essa operação complexa de oferta de garantias está chamando a atenção do Ministério Público Federal, em São Paulo.

A dúvida principal deve ser quanto ao fato de um banco misto (o governo federal é controlador  do BB) poder atuar como fiador de uma operação milionária junto a outro banco estatal, como o  BNDES.

Por isso, o procurador da República José Roberto Pimenta de Oliveira, membro do Grupo de Trabalho Copa-14 da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, quer saber informações “sobre a tramitação do financiamento no banco, a identificação de todos os setores envolvidos no processo, o cronograma e as exigências que o BB faz para conceder o financiamento”.

Oficialmente, o BB não confirma se está participando do segundo empréstimo-ponte para ajudar a construtora Odebrecht a manter um bom fluxo de caixa. Uma obra como o Itaquerão, explicou um técnico,  exige investimentos de cerca de R$ 300 milhões/ano para que o cronograma de trabalho não sofra atrasos.

Fonte: (da uol)