Publicado em 13/06/2012 as 12:00am

Justiça manda garoto levado aos EUA pelo pai voltar ao Rio

O juiz Scott N. Gordon, da Corte Superior da Califórnia, decidiu que o menino A.B.B.S. deve voltar ao Brasil. O garoto de três anos foi levado em janeiro aos Estados Unidos pelo pai, o técnico de vôlei de praia Márcio Sicoli, 33, sem consentimento da mãe,

da redação

O juiz Scott N. Gordon, da Corte Superior da Califórnia, decidiu que o menino A.B.B.S. deve voltar ao Brasil. O garoto de três anos foi levado em janeiro aos Estados Unidos pelo pai, o técnico de vôlei de praia Márcio Sicoli, 33, sem consentimento da mãe, Isabel Bierrenbach, 33.

Agora, a guarda do garoto poderá ser disputada na Justiça brasileira, caso o pai deseje. Bierrenbach afirmou que o garoto já foi entregue à ela e que o levará ao Rio de Janeiro. "Estou muito feliz e aliviada. Conseguimos provar a história que era verdade", afirmou a mãe.

O pai não quis comentar o resultado da audiência. "Agora não tenho nada a declarar, mas com certeza vou me defender de todas as acusações [que apareceram] nos jornais, todas as opiniões pessoais que foram ao ar", disse Sicoli, que argumentou que nunca deu entrevista para preservar o filho.

Sicoli afirmou que "nem precisava responder" sobre a vontade de visitar o garoto no Rio de Janeiro. Bierrenbach disse que pretende permitir os encontros, mas que não pretende fazê-lo imediatamente.

"Eu quero deixar o Márcio ver o A. É importante para os dois. Só não sei como vou fazer isso. [...] Preciso consultar minha advogada no Brasil [...]. Acho que está cedo para entregar o A. para o Márcio para passar um fim de semana, acho que vai ser daqui a um tempo."

Sicoli e Bierrenbach, ambos brasileiros, casaram-se no Brasil e se mudaram para a Califórnia, onde nasceu a criança. O pai, que treina as bicampeãs olímpicas Walsh e May nos EUA, levou o garoto para passar férias com ele e não o devolveu.

A Secretaria de Direitos Humanos do governo brasileiro mandou carta à Washington pedindo o retorno de A. ao Brasil. A secretaria afirmara que no entendimento do órgão o pai havia concordado com a mudança de residência da criança dos EUA para o Brasil após a separação do casal.

Também tinha argumentado que, segundo a Convenção de Haia de 1980 sobre Subtração Internacional de Crianças, a criança não podia ficar nos Estados Unidos.

CASO SEAN

Em um caso semelhante, o garoto Sean Goldman foi pivô de uma disputa entre seu pai, o americano David Goldman e a família de sua mãe, Bruna Bianchi, que morreu ao dar à luz a segunda filha. O menino foi trazido ao Brasil em 2004 e retornou aos EUA apenas em 2009 após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Silvana Bianchi, avó materna do garoto, diz que não vê Sean há dois anos e cinco meses. No mês passado, os advogados dela disseram que ela aceita encerrar a disputa jurídica com o pai do garoto, desde que consiga visitar o neto.

Sean deu uma entrevista ao canal americano NBC no mês passado. Ele disse na ocasião que sua relação com o pai vai além da relação pai e filho, e que ele é seu melhor amigo. Durante a entrevista, Sean também disse que pensa em visitar o Brasil quando ficar mais velho.

Fonte: Brazilian Times