Publicado em 11/02/2015 as 12:00am

Goianos são presos por quadrilha de imigração ilegal

Segundo a PF, segue foragido um mexicano que está nos Estados Unidos. Grupo levou 150 imigrantes e movimentou quase R$ 3,5 milhões em 2 anos.

Cinco goianos foram presos, na manhã desta terça-feira (10), em Goiás e em Minas Gerais suspeitos de integrar uma quadrilha que levava brasileiros ilegalmente para os Estados Unidos. De acordo com a investigação da Polícia Federal, o grupo conduziu 150 imigrantes para o país norte-americano, movimentando quase R$ 3,5 milhões, em dois anos.

Denominada Operação Coiote, a ação contou com a participação de 200 policiais e o apoio da Organização Internacional de Polícia Criminal. Foram expedidos 54 mandados judiciais. Do total, 40 foram cumpridos em Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rondônia.

De acordo com o delegado regional executivo da Polícia Federal, Umberto Ramos Rodrigues, as investigações começaram no início de 2013 após a Embaixada dos Estados Unidos detectar uma alta incidência de vistos consulares que tinham a condição de militar. Ao checar com o Exército Brasileiro, notaram que os documentos não eram verdadeiros.

O delegado explicou que, logo nas primeiras diligências, foi possível identificar que o “palco principal das ações” estava em Piracanjuba, no sul de Goiás.

“Isso foi possível de ser identificado a partir do IP da máquina que fazia acesso ao site da Embaixada dos Estados Unidos para o agendamento do pedido de visto. Nós identificamos esse IP, o usuário dessa máquina e passamos a trabalhar em cima desse alvo e foi possível identificar que existia uma grande organização criminosa”, disse Rodrigues em entrevista coletiva.

A Polícia Federal informou que a quadrilha possuía três divisões bem definas. Duas delas, que atuavam em Minas Gerais e Goiás, focadas em captar pessoas interessadas em ir para os Estados Unidos. Já uma terceira vertente agia no Rio Janeiro com a falsificação de documentos.

Imigrantes ilegais
Os policiais constataram que integrantes da quadrilha intermediavam a aquisições de vistos consulares. Eles utilizavam documentos falsos ou adulterados, como extratos bancários, vínculos com universidades e empregatícios, para forjar a situação em que a pessoa se encontrava.

Segundo a PF, os imigrantes pagavam de R$ 15 mil a R$ 30 mil para ir ilegalmente aos Estados Unidos. O valor variava conforme a maneira que a pessoa desejava tentar entrar no país norte-americano.

Caso o visto não fosse emitido, os imigrantes tentavam entrar nos Estados Unidos ilegalmente, pela fronteira. De acordo com a PF, isso se dava de duas formas: viajando em veículos, ônibus e aviões; ou caminhando, por até quatro noites, até entrar em território americano.

No prazo de dois anos, estima-se que 150 brasileiros, sendo a maioria composta por goianos, entraram no país com o intermédio da quadrilha. Do total, Rodrigues acredita que apenas 30 conseguiram o visto com documentos falsos.

“Há uma série de dificuldades para se conseguir o visto. Os documentos falsos que foram aceitos não foram identificados porque eram ideologicamente falsos. Por isso, a maioria das pessoas ia ilegalmente”, disse o delegado.

Rodrigues informou ainda que, no período em que a quadrilha foi monitorada, quatro pessoas que tentaram entrar nos Estados Unidos não conseguiram. Assim, elas foram repatriadas. Não há informações de óbitos desses imigrantes ilegais, apenas de que alguns foram mantidos em cárcere privado até que entrassem nos país.

Chefe do Serviço Consular da Embaixada, Yolanda Parra afirmou que os brasileiros que se encontram ilegais ou com vistos feitos com documentos falsos podem ser deportados dos Estados Unidos. “Podemos incorrer em proibição permanente de entrar nos Estados Unidos”, disse.

Prisões
Dos 43 mandados de condução coercitiva, 30 foram cumpridos. De acordo com Rodrigues, entre as pessoas que serão ouvidas há pessoas que foram por intermédio da quadrilha aos EUA e já retornaram ao Brasil. Elas devem ser interrogadas nesta tarde.

Em Goiás, a polícia prendeu dois suspeitos em Piracanjuba e um em Goiânia. Outros duas pessoas foram presas em Minas Gerais.

Autoridades americanas também estão tomando as medidas necessárias para neutralizar os criminosos que se encontram nos Estados Unidos. Um deles é Jose Antonio Spinoza, de 34 anos. Com nacionalidade mexicana, ele é apontado pela PF como um dos chefes da quadrilha. "Ele atuava como coiote, pois conhece bem a fronteira, o melhor caminho para entrar nos Estados Unidos”, informou o delegado. Também há dez mandados de condução coercitiva a serem cumpridos nos EUA.

Os detidos devem responder pelos crimes de uso de documentos falsos, falsificação de documentos públicos e particulares e formação de quadrilha. Caso sejam condenados, eles podem pegar até 24 anos de prisão.

Rodrigues explicou que uma nova fase da investigação iniciou com a operação deflagrada nesta manhã. “Vamos fazer acariações, tentar identificar o patrimônio e checar se tem mais ramificações da quadrilha”, conclui o delegado.

Fonte: Da Redação