Publicado em 29/04/2015 as 12:00am

Brasileiros que combatem amianto são premiados por americanos

Eles receberam o troféu "Tributo Inspiração", por sua atuação contra o uso do amianto no Brasil, concedido pela Asbestos Disease Awareness Organization, conhecida pela sigla Adao.

Um jantar de gala oferecido no dia 18 por uma entidade privada americana, no luxuoso hotel Crystal Gateway Marriot, em Washington (EUA), serviu de palco para homenagear três servidores públicos brasileiros: o procurador-geral do trabalho, Luís Antônio Camargo de Melo, e seus colegas Márcia Kamei Lopez Aliaga e Philippe Gomes Jardim.

Eles receberam o troféu “Tributo Inspiração”, por sua atuação contra o uso do amianto no Brasil, concedido pela Asbestos Disease Awareness Organization, conhecida pela sigla Adao.

O cenário reúne quase todos os ingredientes para orgulhar o país do futebol. Não fosse a suspeita de que a causa, em vez de nobre, é lucrativa. A premiação fez parte da 11ª Conferência Anual Internacional do Amianto, que reúne grandes escritórios de advocacia e ativistas ligados a movimentos pró-banimento do amianto ao redor do mundo. Em edições anteriores, outros brasileiros foram homenageados, como a auditora do trabalho, atualmente aposentada, Fernanda Giannasi.

Desta vez, a premiação coincidiu com a ofensiva do Ministério Público do Trabalho em alguns estados, como Paraná e Santa Catarina, contra lojistas e revendedores, para acabar com as vendas de telhas de fibrocimento com amianto, sob pena de retaliações judiciais.

O chefe da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho, Philippe Jardim, revelou durante o jantar que a estratégia do MPT consiste atualmente em “estimular a edição de mais leis estaduais e municipais proibindo o uso da fibra” e também “buscar responsabilizar judicialmente empresas que já produziram e ainda produzem passivos sociais pelo uso do amianto.”


Fazer um título maior

Marca francesa quer mais espaço no mercado

Ao mesmo tempo, há outra ofensiva em andamento, de cunho empresarial, de tornar a marca francesa Saint Gobain mais conhecida no mercado brasileiro. A empresa estrangeira tenta ganhar espaço para a venda de suas telhas de fibras sintéticas. “Vamos gastar um caminhão de dinheiro nesse objetivo”, disse à revista Época Negócios o presidente da Saint Gobain, Thierry Fournier.

Como o banimento do amianto é parte essencial dessa estratégia, na mesma entrevista Fournier deixou escapar o que parece ser o curso a ser tomado pelo seu “caminhão” ao declarar: “Temos um trabalho forte sendo feito em Brasília, nas comissões”. Mas ele não explica o que vem a ser “um trabalho muito forte” nem revela quais “comissões” seriam essas.

Tudo isso ocorre em meio à real possibilidade de o Supremo Tribunal Federal julgar ao menos uma das sete ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs), questionando leis estaduais que proíbem o uso do amianto. Trata-se do momento mais aguardado por alguns dos maiores escritórios de advocacia que já faturaram bilhões de dólares com ações movidas ao redor do mundo de indenizações por danos que teriam sido causados pelo amianto. O que vier a ser decidido no Brasil, terceiro maior produtor de amianto do mundo, terá reflexos jurídicos não só na América Latina, como na produção global de telhas.

Fonte: Da Redação

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