Publicado em 18/08/2015 as 12:00am

Avó dá à luz a netos e amamenta os gêmeos da filha

A cesárea foi realizada quando a gestação tinha completado 36 semanas (uma gravidez a termo vai de 37 a 40 semanas) para, segundo os médicos, evitar riscos para a avó das crianças.

Quanto tinha apenas 15 anos Débora Gouveia, hoje com 29 anos, descobriu que havia nascido sem o útero. Ainda adolescente, não se importou com o fato de que jamais poderia gerar um bebê dentro de sua barriga. Sua mãe, no entanto, ficou preocupada e logo se prontificou em entender mais sobre a cessão de útero para ajudar a filha assim que ela despertasse a vontade de ser mãe.

“Ela desejou isso todos os dias em orações repetidas. Já eu era uma menina e, naquela época,  não me importava em ser mãe”, comenta Débora.

A mãe de Débora, a professora Regina Gouveia, 51, conta que ficou em choque ao saber que a filha não poderia ser mãe. “Chorei muito quando soube e comecei a pesquisar sobre barriga de aluguel. Estava decidida a ajudá-la a ser mãe. Cederia até a minha vida se preciso fosse”, diz Regina, que também é mãe de Juliana, 31.

A menina cresceu, se formou enfermeira, casou e depois de dois anos veio a vontade de aumentar a família. Apesar de ter nascido sem útero, Débora tem os ovários normais o que permitiu fazer a fertilização in vitro usando a barriga da mãe como uma espécie de ‘empréstimo’ para que seu bebê se desenvolvesse.

Débora conta que a mãe engravidou na segunda tentativa e que a felicidade se completou ao saber que estavam grávidos de um casal de gêmeos, os primeiros netos de Regina.

A vovozona conta que teve uma gravidez um pouco difícil pois teve hiperemese gravídica (doença que gera episódios recorrentes de vômitos) por três meses, infecção urinária, alergia, anemia. “Mas nada me deteria. Tinha convicção que ia dar certo, o tempo foi passando e eles nasceram fortes e saudáveis, são os anjos das nossas vidas”, conta.

Regina teve todo o apoio do marido para gerar os netos e diz que ele acompanhava todas as consultas e exames ao lado da filha e do genro.

NASCIMENTO DOS GÊMEOS

Rafael e Mariana nasceram em São Paulo no dia 23 de junho pesando 2.990 e 2.700, respectivamente.

A cesárea foi realizada quando a gestação tinha completado 36 semanas (uma gravidez a termo vai de 37 a 40 semanas) para, segundo os médicos, evitar riscos para a avó das crianças.

Débora e o marido, o ator Reggis Silva, 35, acompanharam o nascimento dos filhos e ela conta que foram os primeiros a vê-los e a pegar a duplinha no colo. “Minha mãe é a minha grande heroína, a mulher da minha vida. O que ela fez não tem preço nem palavras para agradecer. Só mesmo uma mãe para ter e dar tanto amor”, diz.

Os gêmeos passaram apenas um dia na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e logo foram para casa.

NOVA ROTINA

Débora conta que nos primeiros dias dos bebês em casa foi difícil a adaptação deles com ela. “Eles estavam acostumados com o cheirinho dela, mas agora estamos adaptados”, relata.

A mãe dos gêmeos fez tratamento durante três meses para poder amamentar os filhos, mas diz que o médico não deu um remédio específico que ajudaria a descer o leite.

“Tive somente colostro. Eles chegaram a pegar o meu peito, mas ficaram impacientes. Como minha mãe tem muito leite, optei em deixar ela amamentá-los até quando fosse possível e, se possível, pelo menos até os 6 meses”, diz Débora.

Ela conta que a mãe mora perto, mas como não está 24 horas com os bebês precisa suplementar, mas que também utiliza o leite que é ordenhado pela avó.

Após irem para casa, a avó diz que não passa um dia sem ver e  amamentar os netos. “Nos revezamos entre a minha casa e a dela”, conta Regina, que se aposentou para cuidar dos netos assim que a licença maternidade da filha acabar.

Débora afirma que nunca teve ciúmes da mãe por ela gerar e amamentar seus bebês. “Nunca questionei a Deus o motivo de eu não poder gerá-los. Sempre entendi que tudo nesta vida tem um propósito”, comenta.

Fonte: uol.com.br