Publicado em 10/09/2015 as 12:00am

Mulher que escondeu corpo do filho em sofá é condenada à prisão em MG

Marília Cristiane Gomes, 20, foi considerada culpada pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Uma mulher foi condenada a 22 anos de prisão, em regime fechado, pela morte do próprio filho, de apenas dois anos, cujo corpo foi encontrado dentro de um sofá, na casa do tio dele, situada na cidade de Ibirité, localizada na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

O júri popular, formado por cinco homens e duas mulheres, começou nesta quarta-feira (9) e terminou na madrugada desta quinta-feira. Marília Cristiane Gomes, 20, foi considerada culpada pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.

O caso ocorreu em julho do ano passado, sendo que o garoto foi considerado desaparecido por quatro dias após a mãe ter acionado a polícia e relatado o sumiço da criança.

Cartazes com a foto dele foram feitos e parentes se mobilizaram para tentar localizá-lo. No entanto, em seguida, a mulher confessou o crime.

O advogado de defesa informou que já entrou com recurso para anular o júri. Segundo Marco Antônio Siqueira, a pena foi considerada alta pela defesa, que tenta desqualificar o homicídio doloso (quando há intenção de matar) para homicídio culposo (quando não há a intenção de matar).  Para ele, a pena correta seria entre 4 e 12 anos de reclusão.

"A pena foi exagerada. Ela não cometeu um homicídio doloso contra a criança. Ela agiu culposamente e acabou acontecendo [o óbito]. A minha cliente jogou a criança na cama e, infelizmente, ela bateu com a cabeça na parede', afirmou Siqueira.

O advogado ainda questionou o quesito relativo à ocultação de cadáver. Conforme Siqueira, a mulher, de fato, escondeu o corpo do filho dentro do sofá, mas teria, em seguida, indicado o local à polícia.

Na ótica do defensor, isso descaracterizaria a acusação sobre ela. Essa versão, no entanto, é rebatida pela polícia, que informou à época ter sido o tio da criança quem localizou o corpo após sentir um forte odor oriundo do sofá.

Siqueira disse ainda que a cliente tem transtornos psicológicos considerados por ele como "graves". "Ela padece de sofrimento psicológico e mental graves, inclusive tendo tentando o autoextermínio por três vezes."

Atualmente, a mulher está presa no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte.

Relembre o caso

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, a motivação para a agressão contra a criança foi o fato de ela ter mexido no celular da mãe que, por sua vez, teria se enfurecido e jogado o filho em cima de uma cama.

O menino bateu com a cabeça na parede, que ficava rente ao móvel, sofrendo um traumatismo craniano. A morte ocorreu no dia 24 de julho de 2014

Em um primeiro momento, a mãe disse que a criança havia desaparecido. Ela forneceu fotos do filho para que a polícia confeccionasse cartazes para auxiliar nas buscas.

O corpo, no entanto, foi encontrado no dia 28 daquele mês pelo tio, após ele ter retornado de viagem. O homem afirmou que, ao entrar na casa, sentiu um forte odor vindo do móvel.

O tecido da parte de trás do sofá estava rasgado, sendo que o corpo foi introduzido por essa abertura. Os familiares da vítima moravam em barracões dispostos em um só lote, e a mãe da criança teria as chaves da casa do parente.

Fonte: uol.com.br