Publicado em 15/10/2015 as 12:00am

Contratado por Aidar, Doriva recebe apoio e é blindado por 'nova' diretoria

Apesar da estreia - com resultado (2 a 0 para o Fluminense) e atuação ruins -, Doriva está respaldado

Há seis dias, Doriva sentava ao lado de Carlos Miguel Aidar e falava pela primeira vez como treinador do São Paulo. A relação com o patrão, no entanto, foi mais curta do que o imaginado. Com a renúncia de Aidar, o novo comandante ficou ‘órfão', mas não desamparado. Pelo menos é o que o garante a nova diretoria, liderada de forma interina por Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

Apesar da estreia - com resultado (2 a 0 para o Fluminense) e atuação ruins -, Doriva está respaldado. Segundo apurou o ESPN.com.br, Leco, que assumiu interinamente como presidente, e Ataíde Gil Guerreiro, dirigente exonerado por Aidar, mas que retornou com vice-presidente na atual gestão de transição, fizeram questão de blindar o treinador em meio ao clima político instável do clube.

Leco conversou com Doriva com a intenção de passar tranquilidade ao treinador na execução de seu trabalho em um momento decisivo no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil. Durante o papo, o dirigente lembrou do passado do ex-volante, formado nas categorias de base do Tricolor e campeão da Libertadores e do Mundial de 1993.

Excluído por Aidar da direção são-paulina em virtude de um ‘entrevero' ocorrido durante um encontro da alta diretoria em um hotel da capital paulista, Ataíde Gil Guerreiro foi o primeiro nome anunciado por Leco para participar da transição política no clube. Segundo o estatuto, o clube tem até um mês para convocar novas eleições; a ideia do ‘presidente-interino' é convocar o pleito em até duas semanas.

Elevado novamente ao cargo de vice de futebol após uma semana de ‘exoneração', Ataíde Gil Guerreiro viajou com o elenco para o Rio de Janeiro, onde o São Paulo acabou derrotado na última quarta-feira. O dirigente, procurado por jornalistas no Maracanã, preferiu esperar o primeiro pronunciamento de Leco, marcado para esta quinta, antes de falar novamente como dirigente do clube.

Em meio à guerra política no São Paulo, o apoio da atual diretoria de transição serve como consolo para Doriva. A contratação do ex-treinador da Ponte Preta foi o último ato de Aidar como presidente do clube; o anúncio ocorreu horas depois da saída de Juan Carlos Osorio, que, diante dos problemas nos bastidores, preferiu aceitar uma proposta para comandar o México. 

O respaldo sobre Doriva também surge como a primeira medida oposta à Era Aidar. A postura do antigo presidente incomodou Juan Carlos Osorio durante os quatro meses de trabalho no Morumbi. O colombiano não escondeu a mágoa com o ex-mandatário, tanto que o ignorou na carta-despedida responsável por findar a sua passagem como treinador do São Paulo.

Depois da derrota para o Fluminense, Doriva ganhou o apoio do goleiro e capitão Rogério Ceni, que evitou fazer qualquer relação da crise política do clube com a má atuação da equipe no Maracanã.

"O que acontece no jogo é do jogo. Nós jogamos mal, foi apenas isso. Não tem nada a ver com parte política", disse Ceni, que acrescentou.

"Não podemos fazer um comparativo de um treinador que chegou agora com outro que estava há quatro meses aqui. Depois de conseguir resultados e trabalharmos mais, aí sim será possível comparar".

Durante a entrevista coletiva, Doriva admitiu que não terá muito tempo para preparar o São Paulo nesta reta final de temporada, mas explicou que vai tentar corrigir as falhas apresentadas diante do Flu.

"Quando tem uma filosofia implantada, você demora um tempo maior para implantar a ideia. Tem coisas que precisam assimilar ainda. Eu não tinha um parâmetro. Mas hoje eu tenho e agora posso trabalhar, corrigir, posso mostrar para eles o que eu quero", afirmou o treinador.

Fonte: uol.com.br