Publicado em 10/12/2015 as 12:00am

Organização defende pagamento de salário mínimo para cada membro da família

"Até agora já gastamos em torno de 50 mil reais para trazer militantes de várias regiões do Brasil"

“Que boa esta sugestão de reunião do pessoal. Isso é muito revolucionário, nos anima muito”, disse a organizadora Sônia Mara Maranhão, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), reagindo a proposta de uma ouvinte do “Estação Mulher”, o programa de rádio do Grupo Mulher  Brasileira,  que vai ao ar todo sábado às 11 horas, pela 1300 AM. A ouvinte propôs ao Grupo promover uma reunião comunitária para discutir formas de ajudar as vítimas do estouro da barragem de Mariana em novembro último.

“Estamos impressionadas com o tanto de coisa que o povo mandou para os atingidos”, disse Sônia. “Já sobrou vestimenta, comida, em Mariana e para todos os bairros pobres, as famílias, são mais ou menos mil pessoas em hotéis, ja ganharam muita coisa. Tem ginásio cheio, não tem mais onde colocar. Em Barra Longa quase não tem nem onde fazer uma reunião com a ONU (Organização das Nações Unidas) esta semana, a Câmara de Vereadores está lotada, para o povo já está suficiente”.

Sônia lamentou que “tem um monte de gente abrindo conta, fazendo pedido, nossa senhora, isso até nos deixa tristes porque é muita gente querendo abrir conta para fazer trabalho que é mais uma questão de estudo e informação”.

O Movimento, explicou, está pedindo “contribuições espontâneas para nos ajudar a fazer o trabalho. Até agora já gastamos em torno de 50 mil reais para trazer militantes de várias regiões do Brasil, para pagar o deslocamento para os pontos onde temos brigadas de militantes fazendo o trabalho de base, que consta de um levantamento de tudo que aconteceu, de um cadastro, visando uma política nacional de todos os atingidos, e a organização em grupos de base. Estamos com nove pontos prioritários dentre os 30 e poucos municípios centrais da bacia do Vale do Rio Doce”.

Para fazer frente a um trabalho deste porte a MAB lançou uma campanha de contribuição a nível nacional. A conta foi aberta no Banco do Brasil, conta nº 61472-6, agência nº 1228-9, no nome da Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social.

O contribuinte físico precisa ter CPF e fornecer seu nome “porque temos de prestar conta de tudo que entra e de tudo que sai, dar recibo”. Se for contribuinte jurídico é necessário o CNPJ e o nome da firma. Sônia disse que no caso de brasileiros que moram fora e não têm CPF, pode ser o número de um documento estrangeiro.

O Movimento dos Atingidos por Barragens reivindica que todos os trabalhadores ganhem um salário mínimo até que voltem a trabalhar e não que cada família ganhe um salário e cada membro da família 20% do valor do salário, como a empresa defende, disse Sônia, “Um salário por família não dá”. Em 2014, diz Sônia, “a Samarco teve lucro de 2,8 bilhões de reais. São 3 mil trabalhadores. Digamos que o lucro foi de 3 bilhões de reais, isso quer dizer que cada trabalhador produziu um lucro limpo em 2014 de 1 milhão de real”. Ela denunciou que a empresa está tentando colocar o povo contra a MAB por causa desse trabalho de conscientização. Em Barra Longa, como não morreu ninguém, “não tem necessidade de indenizar, o povo está indignado,” disse. As pesquisas mostram que há a possibilidade de exploração do minério para 115 anos, a extração de minério vai continuar.

A organizadora defende também que todos os terceirizados foram atingidos e “nós exigimos a continuidade do salário como os outros tiveram. Treze famílias perderam seus maridos porque estavam dirigindo as máquinas. Queremos a unidade dos trabalhadores porque o direito deles também está sendo violado neste momento”, concluiu a membra da diretoria da MAB.

A entrevista completa da ativista Sonia Mara Maranhão vai ser transmitida pelo “Estação Mulher” deste sábado, dia 12 de dezembro, a partir das 11 horas pela WJDA 1300. Na entrevista, Sônia conta por que o povo de Bento Rodrigues e Barra Longa está indignado, como o movimento está trabalhando em nove pontos prioritários da região do Vale do Rio Doce e que estratégias usam para reivindicar pelos direitos de todos os trabalhadores.

Fonte: Redação