Publicado em 29/12/2015 as 12:00am

Cunha diz que 'dá de presente' se acharem novas contas no exterior Eduardo Cunha

Deputado nega informação de empresário sobre contas no exterior

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta terça-feira (29) que "dará de presente" caso sejam encontradas novas contas dele no exterior, além das quatro já localizadas na Suíça pela procuradoria do país.

 

Questionado sobre as acusações da delação do empresário Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia, de que teria pago propina a Cunha em conta no Israel Discount Bank e em outras duas contas no banco BSI e no Merril Lynch, o presidente afirmou que tem "zero" relação.

 

Anteriormente, Cunha havia negado possuir contas no exterior, mas o Ministério Público da Suíça remeteu à PGR a existência de quatro contas ligadas a ele naquele país. O peemedebista argumenta que três delas se tratavam de trusts, figura na qual os recursos são entregues para terceiros administrarem, por isso os recursos não seriam seus diretamente. Uma quarta conta é de despesas de cartão de crédito de sua mulher, Cláudia Cruz.

 

"Vocês podem preparar em qualquer escritório de advocacia internacional qualquer documento que diga empresa, trust, de qualquer natureza, para eu assinar procuração de doação, busca, verificação, não é só de Israel não, de Israel, da Arábia Saudita, do Líbano, de qualquer lugar do mundo que você queira, de qualquer conta bancária, que eu dou de presente para reverter a quem quiser porque não existe", disse, em café da manhã com jornalistas na presidência da Câmara.

 

 

"Estou absolutamente tranquilo, não tenho preocupação nenhuma", completou.

Cunha disse que tudo que possuía no exterior já "está sendo por mim explicado". "O resto não existe, isso é fantasia. Eu já faço antecipadamente a oferta de assinar qualquer documento necessário em qualquer natureza, façam o documento que quiser que eu assino", declarou.

 

O presidente voltou a criticar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, dizendo que seu pedido de afastamento feito por Janot ao Supremo era uma "peça teatral" e que passou o último fim de semana lendo-o para ajudar a produzir a peça de defesa.

 

Cunha afirmou ter convicção de que completará tanto o mandato de presidente da Câmara como o de parlamentar.

 

BOLETIM DE OCORRÊNCIA

Sobre o fato de o boletim de ocorrência sigiloso do ex-relator de seu processo de cassação no Conselho de Ética, Fausto Pinato (PRB-SP), ter sido encontrado no bolso de seu paletó, Cunha afirmou que a própria Secretaria de Segurança de São Paulo o encaminhou o documento depois que a Câmara pediu investigação do caso.

 

"Qual o problema de eu ter esse documento?", afirmou.

 

Cunha porém não quis comentar a delação do empresário Ricardo Pernambuco, afirmando que não teve acesso a ela e suas declarações podem ser usadas por Janot contra ele.

Fonte: Folha de São Paulo