Publicado em 8/09/2016 as 5:30am

Justiça decide se garoto sequestrado pelo pai nos EUA deve voltar ao Brasil

Gustavo Gaskin, de 13 anos, viajou nas férias e deveria ter voltado em julho. Audiência no Tennessee pode interromper pedido de guarda emergencial.

A Justiça do Tennessee, nos Estados Unidos, deve decidir nesta quinta-feira (8) o destino do menino Gustavo Gaskin, de 13 anos, que viajou durante as férias de julho para visitar o pai e não retornou ao Brasil, conforme previsto. A mãe de Guga, Cheyenne Menegassi, acusa o ex-marido de sequestro internacional do adolescente e tenta reaver a guarda do filho.

Segundo a defesa de Cheyenne, Samuel Gaskin conseguiu um documento na Justiça americana que dá a ele a guarda emergencial do garoto. Nos EUA desde o início de agosto, a professora de Santa Rosa de Viterbo (SP) aguarda a decisão judicial para poder trazer o filho de volta ao Brasil e mobiliza uma campanha nas redes sociais.

A audiência que pode interromper o processo de pedido de guarda do pai foi marcada após mais de um mês de espera em um trâmite que envolveu o Ministério de Justiça e a Autoridade Central norte-americana. Brasil e EUA são são signatários da Convenção de Haia, que prevê que a discussão da guarda ocorra no país onde mora o adolescente, no caso o Brasil.

Segundo a advogada Camila Ghozellini Carrieri, que defende a família brasileira de Guga, o governo norte-americano enviou um comunicado à Justiça do Tennessee orientando que a convenção seja respeitada.

"O juiz que está cuidando desse caso já recebeu o comunicado para que ele se abstenha do julgamento de guarda e devolva o Guga para o Brasil. Então, a gente espera que amanhã ele cumpra, não só a determinação da Convenção de Haia, mas a detrminação do governo americano, de devolução", disse Camila.

Ainda de acordo com a advogada, a guarda emergencial do adolescente foi concedida a Gaskin para que fossem apuradas denúncias de que Guga corria riscos morando no Brasil. "Primeiro ele [Samuel Gaskin] fala muito mal do Brasil, falando de violência, e segundo ele imputa pra Cheyenne várias condutas violentas contra o Gustavo, o que não existe", comentou Camila.

Segundo a mãe do adolescente, o pai de Guga não era presente e não paga pensão para o filho há 11 anos. Na semana passada, em entrevista ao G1, a avó do garoto afirmou que Gaskin poderia ter inventado "um monte de mentiras" para conseguir a guarda do filho.

O caso
O drama da família brasileira começou no dia 27 de junho deste ano, quando o adolescente Gustavo Gaskin embarcou sozinho para o estado americano do Tennessee, onde vive o pai, Samuel Gaskin. O garoto ficaria nos EUA até o dia 27 de julho, mas a falta de comunicação com o Brasil logo nas primeiras horas preocupou a mãe.

Em um post em seu perfil no Facebook, Cheyenne conta que o filho viajou com autorização judicial e levou um tablet e um celular para manter contato com a família.

Após 20 dias de tentativas frustradas de falar com o menino e com o pai dele, Cheyenne descobriu por meio de parentes de Samuel nos EUA que, há três anos, o ex-companheiro vive em isolamento com a mãe dele em uma fazenda, e que se tornou uma pessoa agressiva.

Dias depois, ao receber uma mensagem de Samuel avisando que Gustavo não voltaria mais, Cheyenne, finalmente, conseguiu falar com o ex-marido e o filho.

“As pouquíssimas conversas que tiveram foram monitoradas pelo pai, que a todo tempo demandava que o menor respondesse para ele em inglês o que estava sendo falado", comentou a advogada do caso.

Há quase um mês em Summertown, no Tennessee, Cheyenne só pode ver o filho uma vez, no dia em que houve uma primeira audiência. Segundo a advogada, o menino está privado de contato com o restante da família e com os amigos, não frequenta a escola e está psicologicamente abalado.

Fonte: g1.globo.com