Publicado em 17/11/2017 as 11:30am

Jornalista brasileiro conclui Mestrado nos EUA

O carioca Leonardo Ferreira atua há quase 18 anos na comunidade em New Jersey.

Jornalista brasileiro conclui Mestrado nos EUA Leonardo espera que a conclusão do Mestrado sirva para motivar outros imigrantes, apesar dos obstáculos, a investirem em seus sonhos.

O jornalista Leonardo Ferreira, natural do Rio de Janeiro, morador na cidade de East Newark (NJ), concluiu em novembro o Master in Business Administration (MBA) em Comunicação & Marketing em Mídias Digitais pela Universidade Estácio de Sá em convênio com a Harvard University. Ele conquistou o Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), na capital fluminense. Nos EUA, ele concluiu o curso de Continuing Education (Extensão Universitária) em História da Imigração nos Estados Unidos pela Emory University, no qual se formou com distinção. Na infância e adolescência, ele foi aluno bolsista da Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa (SBCI), proporcionando-lhe desde cedo à fluência no idioma inglês.

Há aproximadamente 18 anos, Leonardo leciona inglês (ESL), atua como jornalista no Brazilian Voice Newspaper (BV) na comunidade brasileira do bairro do Ironbound, em Newark (NJ). Além disso, ele é instrutor no curso preparatório para o teste de Cidadania Americana e, anteriormente, lecionou no curso de Alfabetização em Hebraico níveis 1 e 2, também na comunidade, na ONG Mantena Global Care. Ele vive nos EUA há cerca de 23 anos, inicialmente em Fort Lauderdale (FL), Manhattan (NY) e atualmente em New Jersey.

Início no Jornalismo:

Antes de imigrar aos Estados Unidos, Leonardo fez carreira no extinto Banco Nacional, onde trabalhou como gerente de Novos Negócios no Rio de Janeiro e na região metropolitana de São Paulo, também atuando um breve período como repórter estagiário da extinta TV Norte Fluminense, em Campos dos Goytacazes (RJ). Ainda na faculdade, aluno bolsista, ele fundou o jornal estudantil e experimental "Arte & Fato", cujo foco era a abordagem da cultura e arquitetura do Brasil colonial no centro histórico do Rio de Janeiro. O retorno ao Jornalismo ocorreu nos EUA.

"O meu início na TV em Campos foi meio trágico, pois eu estava de plantão sozinho no estúdio e tive que cobrir um acidente envolvendo uma batida frontal entre um ônibus e uma limusine da comitiva da Prefeita de Campos dos Goytacazes na BR 101, que voltava de uma viagem a Cuba. Era uma noite chuvosa, fria e havia corpos espalhados por toda a parte no asfalto, inclusive crianças. Eu respirei fundo e fiz o meu trabalho, mas demorou alguns dias para apagar as imagens da minha mente, entretanto, o cheiro de sangue, óleo e borracha queimados me perseguem até hoje; ficaram tatuados em minha mente. A nossa memória olfativa é mais marcante. No dia seguinte, tive que cobrir os velórios", recorda ele.

"Eu era um novato e, nessas horas, toda a equipe técnica, o operador de câmera, motorista, iluminador, ficam esperando a sua reação. Bem, eu fiz de conta que tinha o domínio da situação, era inesperado, as aulas de teatro no ginásio ajudaram, e segui em frente; funcionou", acrescentou. "Então, percebi que esse era o meu chamado; eu podia fazer isso. Bem, tenho que deixar bem claro que eu procuro ser muito verdadeiro naquilo que eu faço; pois não sou mais novato e lutei muito por tudo que conquistei. Nada me caiu do céu. Eu sou muito curioso; a curiosidade me guia".

Imigração aos EUA:

Ao chegar aos EUA, nem tudo foi um "mar de rosas", pois Ferreira foi garçom, vendedor de sapatos, entregou panfletos nas ruas de Nova York durante o inverno, ajudante de eletricista, limpou fábricas e casas e até arriscou trabalhar na construção civil durante uma semana. Vale ressaltar que ele imigrou sozinho, portanto, não tinha amigos ou quem o ajudasse.

"Não me envergonho dos trabalhos que fiz, pois todos foram honestos e, graças a eles, sustentei com dignidade a mim e minha família. Eu tive a vantagem de dominar o idioma em um país novo, mas comecei do zero. Eu literalmente guardei os diplomas na gaveta e fui à luta porque tinha que comer e pagar aluguel", disse ele. "Acho que a minha experiência na vida, nasci na Zona Sul, mas fui criado no subúrbio carioca e vim de família pobre, talvez, isso tenha me dado essa 'fibra' para encarar os desafios".

Conquista acadêmica:

Leonardo espera que a conclusão do Mestrado sirva para motivar outros imigrantes, apesar dos obstáculos, a investirem em seus sonhos. “Definitivamente, a trajetória não foi fácil. Fins de semana inteiros estudando, madrugadas dedicadas ao estudo, pouco tempo para passar com a minha filha, mas no final valeu a pena. Se fosse fácil, talvez eu não desse tanto valor. Nas eleições municipais em novembro, brasileiros em Massachusetts foram eleitos pela primeira vez a cargos políticos e isso é fantástico, pois estamos conquistando, aos poucos, visibilidade e representatividade”, concluiu.

Fonte: Redação - Brazilian Times