Publicado em 28/06/2018 as 3:00pm

Polícia pede prisão de suspeito de matar brasileira em Sydney

País emitiu alerta vermelho para a prisão e extradição de Marcelo Santoro.

Polícia pede prisão de suspeito de matar brasileira em Sydney Arquivo Pessoal

Quase dois meses após o corpo da empresária brasileira Cecília Haddad (38) ter sido encontrado boiando em um rio de Sydney, na Austrália, a polícia local emitiu, nesta quarta-feira (27), um mandado de prisão imediata para Marcelo Santoro.

O brasileiro é ex-namorado de Cecília e até então era tratado pelas autoridades australianas apenas como pessoa de interesse. Marcelo voou para o Rio de Janeiro no mesmo fim de semana em que o corpo foi localizado por canoístas.

A polícia de New South Wales também solicitou à Interpol um alerta vermelho para a prisão e extradição de Santoro, considerando que ele possa ter fugido do Brasil passando por algum aeroporto ou porto internacional de qualquer país. A notícia estampa a primeira página dos sites de notícias australianos e é destaque nos noticiários na tv desta quarta-feira.

Em um documento que a polícia de NSW apresentou a um magistrado de Sydney no início do mês para obter o mandado de prisão, apesar de não estar totalmente claro como o crime aconteceu, Cecília foi morta no interior de seu apartamento.

Segundo o jornal The Sydney Morning Herald, o inquérito fala sobre numa combinação de evidências físicas e circunstanciais que resultou no pedido contra o ex-namorado.

Especialistas ouvidos pela imprensa australiana não acreditam que Santoro será extraditado para a Austrália, pois apesar de haver um acordo entre os dois países desde 1994, isso não obriga que um cidadão natural seja enviado de volta ao país onde cometeu o crime.

O Governo australiano pode negociar com o governo brasileiro para que Santoro seja processado no Brasil. "Se o Brasil se recusar a extraditar um cidadão brasileiro, o tratado prevê que o caso será processado pelas auroridades brasileiras", explicou o advogado internacional e professor da Universidade de Sydney, Rowan Nicholson, em entrevista ao Canal 9 da Austrália.

No mês passado, Marcelo Santoro disse que já estava em contato com a polícia da Austrália e a disposição das autoridades. Parentes dele chegaram a dizer que Santoro estaria pronto para embarcar de volta a Sydney para provar sua inocência no caso, o que ainda não ocorreu.

Na época, o ex-namorado de Cecília disse que já tinha planejado uma viagem ao Brasil, mas que apenas adiantou a passagem pelo fato do seu pai estar doente e o estado de saúde dele ter se agravado. Com o mandado de prisão internacional aberto, Marcelo é considerado foragido pela Interpol.

Se for processado no Brasil e considerado culpado pela morte de Cecília, Santoro poderá pegar no máximo 30 anos de prisão. Na Austrália, a pena máxima aplicada é a prisão perpétua.

Caso Santoro seja enviado de volta para a Austrália pelo governo brasileiro, ele será o segundo brasileiro extraditado.

Em janeiro deste ano, em ato inédito, o Brasil extraditou a brasileira Claudia Cristina Sobral, que matou o marido nos Estados Unidos em 2007 e fugiu para o Brasil após o crime.

Neste caso, a Sobral tinha perdido a nacionalidade brasileira em 1999 de forma automática ao solicitar a cidadania americana. A mudança de cidadania permitiu a extradição mesmo após os apelos que ela até a decisão do Supremo Tribunal Federal, em Brasília.

Fonte: noticiasaominuto.com.br (Com informações da Folhapress)