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Publicado em 23/01/2019 as 5:00pm

Alunos de Harvard estudam os sistemas de saúde de cidades paranaenses

Três cidades paranaenses estão ajudando alunos brasileiros e estrangeiros a encontrar formas...

Alunos de Harvard estudam os sistemas de saúde de cidades paranaenses O programa é coordenado pela professora Marcia Castro, a única mulher brasileira que é professora na Escola de Saúde Pública de Harvard (Foto: UFPR)

Três cidades paranaenses estão ajudando alunos brasileiros e estrangeiros a encontrar formas de combater alguns dos principais problemas de saúde pública enfrentados pelo estado. O curso de especialização em Saúde Global é uma iniciativa da Universidade de Harvard, de Massachusetts, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Desde o dia 7 de janeiro, o grupo, formado por 16 estudantes de pós-graduação brasileiros e 14 estudantes de Harvard, está conhecendo e estudando os sistemas de saúde de Curitiba, Paranaguá e Piraquara.

O curso, que já está em sua 11ª edição, é realizado anualmente pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard em parceria com instituições brasileiras e municípios de diferentes estados. O programa é coordenado pela professora Marcia Castro, a única mulher brasileira que é professora na Escola de Saúde Pública de Harvard.

Esta é a primeira vez que ele é ofertado na região Sul do Brasil. “As dez primeiras edições aconteceram nas regiões Norte, Sudeste, Centro-Oeste do país. É a primeira vez que acontece na região Sul. A ideia de trazer para cá era, além de eles conhecerem os problemas epidemiológicos, também verem a realidade do sistema de saúde local, que é um pouco melhor estruturado do que nas outras regiões”, afirma o professor da UFPR Adriano Massuda, que, desde 2016, atua em Harvard como pesquisador.

De acordo com ele, esta é uma oportunidade para alunos de diversas áreas da saúde. “Eles fazem um curso rápido, de três semanas de imersão voltada para ações de saúde pública em campo. Os alunos acompanham a execução de programas voltados para doenças que são relevantes na região”, explica. No Paraná, foram escolhidos cinco temas: HIV/AIDS, tuberculose, dengue, saúde mental e violência.

Na primeira semana, foram realizadas aulas teóricas sobre os sistemas de saúde e os problemas selecionados para estudo. As aulas foram ministradas por professores de Harvard, da Universidade de São Paulo (USP) e UFPR.

Além das aulas, houve visitas a locais como a Casa da Mulher Brasileira, as Unidades Básicas de Saúde (UPAs) e Centros de Atenção Psicossocial (Caps), além de entidades que atuam em parceria com os municípios, como a Pastoral da Criança e Fiocruz.

Na segunda semana, os alunos foram divididos em cinco grupos: cada um ficou encarregado de um tema. Em Paranaguá, atuam os grupos responsáveis pelo estudo de projetos de combate à dengue e à violência. Em Curitiba, os alunos acompanham ações contra o HIV. Em Piraquara, ficaram os grupos de estudo da tuberculose e saúde mental.

Os grupos elaboraram estudos de melhoria dos sistemas de atendimento e os projetos finais, apresentados nesta terça-feira (22) e debatidos em seminário aberto ao público nesta quinta-feira (24), poderão, mais tarde, ser aplicados pelas prefeituras nos próprios municípios. “São projetos para enfrentar os problemas que eles encontraram em campo”, explica Adriano.

“A prefeitura de Piraquara é a que mais foi generosa em nos receber e ver a oportunidade dessa parceria para a cidade, de fomentar a melhoria de seus programas”, conta Adriano, ressaltando a parceria entre a UFPR e a cidade, que já vem de longa data.

“É como se fosse um sistema de saúde e escola. Eles recebem alunos de graduação, de medicina, odontologia. Estão recebendo, agora, médicos residentes”, conta. “Tudo isso facilitou muito ter Piraquara como uma das principais cidades para a gente desenvolver o projeto”.

Segundo Adriano, que foi secretário da Saúde de Curitiba entre 2013 e 2015, também é interessante analisar a diferença entre os sistemas de saúde da capital, Curitiba, que é melhor estruturado, e das demais cidades. “[Os alunos] puderam ver experiências de excelência que acontecem em Curitiba e foi interessante para fazer uma comparação entre uma cidade com um sistema bem estruturado e rica com uma cidade com uma série de dificuldades”, afirma Adriano, referindo-se à cidade da região metropolitana.

“A renda per capta de Piraquara é um terço da renda média nacional. É uma cidade pobre, com capacidade de arrecadação baixíssima, que depende de repasses do governo federal e estadual, mas que, mesmo na situação de pobreza, faz um trabalho bastante bonito”, ressalta.

“Eles irem para Paranaguá, ver a realidade do Litoral, a realidade epidemiológica, como o sistema funciona lá, foi muito bacana”, complementa. Paranaguá, que viveu uma epidemia a partir de 2015, conseguiu controlar a doença

A expectativa, de acordo com o professor, é que os trabalhos possam ter continuidade. “Talvez, Piraquara seja o maior exemplo de uma cidade que está sabendo aproveitar a oportunidade de ter uma parceria acadêmica, de pesquisa, sobre suas iniciativas na área de política de saúde para medir o que está fazendo bem, quais são os principais desafios e pensar em estratégias para enfrentar esses desafios”, conta. (fonte:Paraná Portal)

Fonte: Redação Braziliantimes