Publicado em 9/09/2009 as 12:00am

Crise econômica marca produções no Festival de Toronto

Filmes com 'visões apocalípticas de mundo' são destaque da mostra. Brasil participa com o longa 'Jean Charles', de Henrique Goldman.


A 34ª edição do Festival de Toronto, que começa na próxima quinta-feira (10), será mais austera que as anteriores e terá uma programação fortemente marcada pela crise econômica mundial. "A crise que começou há mais ou menos um ano repercutiu nesta edição do festival", afirma um dos diretores da mostra, Cameron Bailey.

Isto se vê refletido também nas telas, onde abundam as visões apocalípticas. O cenário pode ser visto por exemplo em "A estrada", adaptação do livro vencedor do Pulitzer de Cormac McCarthy, no qual Viggo Mortensen e Charlize Theron enfrentam um mundo de pós-guerra nuclear.

O Brasil marca presença no festival com "Jean Charles", de Henrique Goldman. A filme protagonizado por Selton Mello conta a história real do brasileiro morto pela polícia britânica em 2005.

O pessimismo também é notável em "Les derniers jours du monde" dos irmãos franceses Arnaud e Jean-Marie Larrieu, assim como no documentário "Collapse" do jornalista Michael Ruppert, que previu a crise com a carta eletrônica "From the wilderness".

As centenas de recepções e festas que acompanham o maior festival de cinema da América do Norte serão menos grandiosas em 2009.

"O festival viu uma redução das contribuições dos patrocinadores. Como quase todas as organizações artísticas, fomos afetados pela recessão", explicou Bailey. 

Comédias

Em 2008, o fim da presidência de George W. Bush nos Estados Unidos iluminou o festival com várias comédias, estabelecendo uma ruptura da filmografia de anos anteriores, marcada por temas como a guerra do Iraque.

Mas as risadas se calaram com a explosão da crise imobiliária americana e suas consequências a nível mundial.

"Não perdemos apenas dinheiro, também perdemos a fé no mercado, e muitos empresários de sucesso foram presos", lembra Bailey.

A seleção de 2009 tem vários longas inspirados diretamente pela crise, como "Up in the Air" de Jason Reitman, com George Clooney no papel de um especialista em demissões. Outros exemplos são "The joneses" de Derrick Borte e "The Informant" de Steven Soderbergh.

"Estes filmes lançam um olhar sobre a empresa Estados Unidos e julgam vigorosa e profundamente os valores de mercado, além da maneira como este último pode infectar as relações humanas", completa o diretor do festival.

Na mesma linha será exibido o documentário de Michael Moore "Capitalism: a love story".

Ao contrário dos festivais europeus, o de Toronto não oferece prêmios de um júri.  Na quinta o festival terá início com a exibição do filme britânico "Creation", de Jon Amiel, uma biografia crítica do pai da teoria da evolução, Charles Darwin. Durante 10 dias serão exibidos outros 270 longas-metragens de ficção e 64 curtas-metragens.

Muitas estrelas são esperadas na cidade, entre elas a atriz espanhola Penélope Cruz e os americanos Matt Damon, Nicolas Cage, Natalie Portman e Michael Douglas.(


Fonte: (g1)