Publicado em 25/02/2008 as 12:00am

Medicamentos brasileiros na mira da Harvard

"Remédio destinado ao emagrecimento prejudica a saúde", denuncia pesquisadores

Elizabeth M. Simoes

Estudos realizado pela Harvard encontrou substâncias nocivas à saúde dentro das pílulas fabricadas no Brasil. A pesquisa divulgada no "Journal of Immigrant and Minority Health", foi liderada pelo médico Pieter A. Cohen, após constatar que um grande número de mulheres brasileiras imigrantes com excesso de peso, compareciam constantemente em clínicas ou em emergências hospitalares com sintomas comuns, provocados pelo uso de fórmulas para emagrecer.

Após levantar as inúmeras ocorrências dessas emergências hospitalares causadas por efeitos colaterais, os médicos advertiram novamente que essas pílulas são responsáveis por danos fisiológicos provenientes das composições que contém a combinação de anfetaminas, benzodiazepines, antidepressivos e laxantes.

Os pacientes, na grande maioria são mulheres usuárias da droga, e queixaram-se de ansiedade, vômitos, cansaço e disritmia cardíaca, uma doença que atinge o batimento do coração. Cohen alerta que elas podem causar sérios problemas neurológicos. Ele também destaca que é comum à prática de empresas americanas solicitarem exames toxicológicos aos seus funcionários, ou aos candidatos entrevistados, aspirantes a uma vaga de emprego, neste caso, os usuários desses remédios são reprovados no teste devido à existência de substâncias tóxicas detectadas na urina, e por tanto estes podem perder o emprego.

A benzodiazepines, encontrada nas cápsulas analisadas, é um sedativo usado no tratamento de ansiedade crônica, e não é recomendada para pessoas que não apresentem esse tipo de disfunção psíquica, além disso, ela causa a dependência do usuário. Já a anfetamina é um estimulante que acelera o metabolismo, e após um determinado período de uso ele requer doses cada vez maiores para surtir o mesmo efeito, e também termina na dependência química.

Os dois compostos reagem de maneira contraditória no cérebro, por isso a combinação de ambos é responsável pelo estresse do organismo que recebe dois comandos diferentes, sempre que são ingeridos simultaneamente. Sendo assim, o sonho de perder alguns quilos será transformado no pesadelo da depressão, perda de memória, mal humor, ou pode até mesmo induzir o paciente a alucinações.

Esse coquetel de substâncias, provoca desordem cerebral, o paciente pode desenvolver o distúrbio bipolar, uma doença grave que interfere no sistema nervoso deixando a pessoa com forte variação de humor: Num momento fica exageradamente feliz, e no outro fica prestes a virar uma bomba relógio emocional. Por isso essas drogas são consideradas maléficas à saúde e ilícitas nos Estados Unidos.

E, embora a venda dessas pílulas tenha sido proibida pelo Governo americano desde 2006, pelo Departamento que administra a liberação de alimentos e drogas, elas ainda são enviadas ilegalmente para o país e podem ser compradas pela internet. A euforia pela perda de peso faz com que ela torne-se popular e seja consumida sem qualquer acompanhamento médico.

A paulista, Daniela tomou durante quatro meses esse tipo de medicação sem receita médica, até que parou a pedido da família. "Minha irmã estava nervosa. Era incapaz de conversar sem brigar ou discutir por alguma coisa boba", disse sua irmã caçula. Daniela finalmente foi ao médico e após alguns exames descobriu que tinha hipotiroidismo, uma síndrome clínica relativamente comum, relacionada à reposição hormonal, que foi tratada com o remédio adequado. Daniela não precisou de nenhuma das substâncias utilizadas no remédio sem prescrição. Conseguiu perder peso, além de manter a boa forma usando apenas uma substância mais simples, barata, segura e permitida por lei.

Assim como Daniela, existem outros brasileiros infringindo a lei e colocando a saúde em risco em nome da beleza. A recente pesquisa apontou que pílulas brasileiras de dieta, cujos rótulos descrevem como naturais, na verdade contém ingredientes ativos incluindo substâncias controladas, (são remédios de tarja preta, no Brasil), normalmente encontrados em prescrições de drogas como Librium e do anti depressivo Prozac.

Fonte: (braziliantimes.com)