Publicado em 3/03/2008 as 12:00am

Jornal brasileiro retrata desilusão de brasileiros nos EUA

A crise que se alastrou nos diversos segmentos da comunidade norte-americana abalou muitas empresas

Da redação

A crise norte-americana continua sendo alvo das principais machetes em jornais que circulam no Brasil. Desta vez o foi a vez do jornal A Gazeta, que circula na parte centroeste brasileira. O noticioso contou a história do empresário Jerônimo Brum, que tem 47 anos de idade dos quais 11 viveu nos Estados Unidos e neste período conseguiu obter cidadania estadunidense e abrir uma promissora companhia de revestimento em mármore e granito.

Segundo o jornal, o sucesso deste capixaba foi interrompido pela crise econômica e "assim como tantos outros brasileiros, ele resolveu retornar ao seu país de origem". Indo mais além o noticioso afirma que o "sonho americano está prestes a se tornar realidade no Brasil. Explicando a afirmação o brasileiro disse que a economia brasileira logo será mais forte que a dos Estados Unidos.

Jerônimo explicou que "nos últimos seis meses o volume de trabalho foi declinando" e isso o obrigou a dispensar trabalhadores. Além disso, os seus filhos já estavam morando no Brasil e o dólar baixo foram fatores preponderantes para seu regresso. "Levarei minhas máquinas e equipamentos para continuar atuando. O mercado imobiliário está valorizado demais no Espírito Santo. Mas tenho medo, acho que corremos o risco de passar por uma crise. É preciso ter critério antes de conceder crédito habitacional", alerta.

Ele lembra que, no início, ninguém reclamava. O financiamento imobiliário era concedido sem embaraço para americanos, estrangeiros e até para imigrantes ilegais. "Muitos investiram o que ganharam em imóveis, e hoje, vêem o valor do seu patrimônio despencar", ressalta.

Com a crise, funções até então valorizadas nos Estados Unidos, como as da construção civil, passaram a pagar baixos salários - assim como no Brasil. Demissões aconteceram. Para lidar com a situação, o Centro do Imigrante Brasileiro, nos Estados Unidos, há duas semanas criou um serviço até então improvável: o Banco de Empregos, que já conta com 20 currículos. A "terra das oportunidades" passou a não ser mais tão acolhedora. O drama dos 1,2 milhões de brasileiros que moram nos Estados Unidos ficou ainda maior com a valorização do real frente ao dólar. Mandar dinheiro para casa já não tem mais o mesmo valor.

Pablo Maia, brasileiro e dono de uma imobiliária, acompanhou de perto a formação da crise. "Nos últimos dois anos vendemos mais de 500 casas e apartamentos e 90% dos compradores eram brasileiros. Com a crise, só na minha empresa a inadimplência chegou a cerca de 70%", conta. Mas Pablo está otimista e diz que seu público agora é outro. "Tenho certeza que isso vai passar. A hora de comprar imóvel é agora, porque o preço caiu muito. Estou vendendo mais para americanos e chineses", explica.

" Com o dólar desvalorizado e a crise, as pessoas estão voltando em massa para o Brasil, sem alcançar seus objetivos. O sonho americano está acabando"
Celiomar Pereira de Oliveira 33 anos, eletricista

"Avalio essa crise como uma locomotiva que vai parando aos poucos. Ela ainda vai declinar até parar completamente. Depois irá recuperar a velocidade aos poucos"
Jerônimo Brum 47 anos, empresário

Menos ilegais

17.910. Esse foi o número de brasileiros que conseguiram o Green Card em 2006. Esse número vem crescendo regularmente: foram 16.664 em 2005; 10.556 em 2004; 6.331 em 2003; 9.439 em 2002; 9.448 em 2001; 6. 943 em 2000

. Esse foi o número de brasileiros que conseguiram o Green Card em 2006. Esse número vem crescendo regularmente: foram 16.664 em 2005; 10.556 em 2004; 6.331 em 2003; 9.439 em 2002; 9.448 em 2001; 6. 943 em 2000

7.028. Esse é o número de brasileiros que se naturalizaram americanos em 2006. Isso representa 1,4% do total de estrangeiros naturalizados, que foi de 1,2 milhão. Em 2005 foram 4.583 e em 2004 esse número foi de apenas 4.074

. Esse é o número de brasileiros que se naturalizaram americanos em 2006. Isso representa 1,4% do total de estrangeiros naturalizados, que foi de 1,2 milhão. Em 2005 foram 4.583 e em 2004 esse número foi de apenas 4.074

0800 para imigrante brasileiro

Um número de telefone gratuito pode ser a solução para brasileiros que vivem no exterior, mas sofrem com a falta de informação e com o idioma estrangeiro. O projeto, de autoria do deputado federal Neucimar Fraga (PL-ES), está sendo avaliado pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. O deputado explica que a intenção é facilitar a comunicação com o imigrante em diversos países, sobretudo, os Estados Unidos. "Isso vai facilitar a vida até de quem não domina a língua estrangeira e precisa de alguma orientação. Acredito que os maiores beneficiados sejam os que estão na ilegalidade, que muitas vezes são presos pela Imigração e não sabem a quem recorrer", diz.

O gerente comercial Edson Ferreira, 45, passou 20 anos de sua vida nos Estados Unidos. Ele conta que foi com a intenção de voltar logo, mas mudou de idéia. "Fui para trabalhar, ganhar dinheiro e voltar para casa, como todo mundo. Mas, na época, a situação era tão boa que valia a pena ficar por lá", conta.

Edson - que começou como imigrante ilegal e só conseguiu o Green Card em 2001 - foi mais longe do que a maioria dos brasileiros naquele país. Ele conseguiu estudar, cursar um MBA em Finanças e ter um bom emprego em solo norte-americano.

Ele trabalhava em um banco, no setor de títulos imobiliários. Foi graças ao contato com o mercado financeiro que Edson previu a crise imobiliária antes de ela se instalar e decidiu voltar para sua terra natal.

De volta ao Brasil, ele se tornou gerente comercial de uma imobiliária e compara as duas realidades. "Provavelmente eu não seria afetado diretamente porque morava no Texas, onde não houve desvalorização imobiliária. Mas uma crise sempre se espalha para vários setores. Eu sabia que se lá o mercado imobiliário não estava bom, no Espírito Santo a situação era diferente".

"Por aqui, a previsão de crescimento para o setor imobiliário é para os próximos dez anos, ao contrário de lá"

Fonte: (jornal A Gazeta)