Publicado em 18/03/2008 as 12:00am

Briga e denúncias dividem a Bramas ao meio

Reportagem especial do Brazilian Times apurou a crise da entidade. O conflito provocou a prisão de Ilma Paixão, embaixadora da organização

Elizabeth M. Simões

 

 

Ilma Paixão, embaixatriz da Brazilian American Association - Bramas, foi presa na sexta-feira (14), após se recusar a deixar o prédio onde está localizado na sede da associação, na cidade de Framinghan-Massachusetts. Segundo o boletim de ocorrência policial, ela declarou que era presidente da organização e mesmo após apelos da força policial, continou no local até receber voz de prisão. A denúncia de "trepassin" (violação da lei), praticada quando uma pessoa permanece em propriedade privada sem autorização, foi feita pela própria advogada e membro da entidade, Charlene Cabral.

Antes da prisão, testemunhas contaram que o policial solicitou que ela deixasse o recinto, por seis vezes, e os amigos, também imploraram para que ela obedecesse a ordem. Mas Ilma teria dito, "Eu pago o aluguel desse lugar, não saio não". O policial advertiu pela última vez, "Caso a senhora não se retire, cometerá o crime de trespassin", e ela respondeu, "não me importo". No relatório consta que Ilma teve seis chances de desistir até ouvir o comando, "fique de pé", o policial foi até ela e a algemou. Na cadeia, após ser fichada, passou mal e foi levada ao hospital.

Na segunda-feira (17), Ilma foi julgada inocente pelo juiz Robert Greco, da Primeira Corte Distrital de Southern Middlesex do Condado de Framinghan. O ex-presidente Frank Kavanagh apresentou o documento que refere-se a nomeação de Ilma como embaixadora integrante do quadro diretivo. "Ilma é exemplar, ela tem representado a comunidade brasileira e promovido programas educacionais e de saúde com profunda dedicação", disse Frank, seu ex-marido.

Roberto da Silva, membro da diretoria, acrescentou, "Eu e o José G. Natal fomos contra as decisões arbitrárias tomadas pelos membros Wilian Robinson, Dennis Prefontaine e Charlene Cabral". As últimas desavensas que terminaram na desunião completa da Bramas culminaram com a carta de afastamento de Frank da presidendência. O documento datado em 28 de fevereiro, deste ano, assinado pelos mesmos nomes citados por Roberto, formaliza a desição por maioria dos votos do comitê e anularam os poderes de Frank frente a representação da organização.

Charlene, em nota ao Brazilian Times, justificou que dia-a-dia as operações da associação foram deterioradas e por isso o comitê atribuiu o problema ao indivíduo responsável, Frank Kavanagh. E denuncia: "Regras da lei foram violadas, relatórios foram retirados do escritório e informações imprecisas foram disseminadas ao público".

Com isso, os membros da diretoria, (refere-se aos mesmos três que assinaram a carta de destituição do presidente), estão desapontados e preocupados em realizar mudanças que resgatem a integridade da entidade. Depois da votação que afastou Frank, ocorrida em 19 de fevereiro, foram providenciadas medidas de segurança para limitar o acesso aos documentos da Bramas, com a finalidade de preservá-los no local.

Os policiais de Framinghan estavam engajados em protejer relatórios arrolados numa investigação sobre as finanças da entidade, devido à suspeita de irregularidades. Consta ainda no conteúdo da nota, que a Bramas está atravessando uma crise financeira e pontuou que isso deve-se ao indivíduo, em poder, cuja confiança e o mal comportamento não poderia mais ser tolerado.

E encerrou a nota, justificando que para o benefício da Bramas e da comunidade, os diretores estão tentando reconstituir a organização. Eles declararam que pretendem reestabelecer a sustentabilidade e força da entidade.

Frank defendeu-se das acusações, "Esses americanos estão dizendo que querem ajudar, mas não são verdadeiros. Nós pedimos apoio em várias iniciativas que foram vetadas por eles sem qualquer razão. Além disso, é clara a intenção de acabar com o diálogo que nós conquistamos com os políticos em Framingham. Creio que existe um grande ressentimento por de trás dessas ações. Eles querem calar a voz dos brasileiros. Não faz sentido algum manter essa organização que não tem nem sequer brasileiros no comando. Tanto a Ilma, quanto o Roberto e eu pagamos a taxa anual de membros. Eles não têm direitos, porque não efetuaram o pagamento. Ilma teve que usar parte do dinheiro arrecado dos programas para custear as despesas de aluguel e de uma funcionária responsável pela administração"

Frank disse, também, que Charlene pretendia alugar uma das salas da organização para uma entidade sem nenhum propósito com as causas da Bramas. Esse teria sido mais um dos motivos da discussão que aumentou a discórdia entre os membros. "A reunião foi agendada há 40 dias e entre os quatro participantes estava Kátia, do Ministério da Cultura Brasileira. Nós estávamos estruturando um projeto para implementar o supletivo a distância, mas fomos brutalmente interrompidos e eu presa. Sharlene e os outros querem paralisar nosso crescimento. Acho que essa não foi a minha prisão, representou a prisão da comunidade brasileira", desabafou Ilma.

Fonte: (Brazilian Times)