Publicado em 23/03/2008 as 12:00am

Brasileira nega ter feito parte de rede de prostituição

A brasileira Andreia Schwartz, considerada uma das responsáveis pela queda do governador de Nova York Eliot Spitzer, negou na tarde deste domingo (23) que fizesse parte de uma rede de prostituição nos Estados Unidos. Segundo ela, seu trabalho era agenciar

A brasileira Andreia Schwartz, considerada uma das responsáveis pela queda do governador de Nova York Eliot Spitzer, negou na tarde deste domingo (23) que fizesse parte de uma rede de prostituição nos Estados Unidos. Segundo ela, seu trabalho era agenciar modelos e acompanhar pessoas importantes.

Andreia falou com jornalistas pelo telefone e afirmou que seu trabalho gerou inveja, o que fez com que ela fosse envolvida em um esquema que a levou para a cadeia. "Se você for ver, nos EUA eu não fui acusada nem de tráfico nem de prostituição, ficou só a história da posse [de drogas]. Há uma grande diferença. A pessoa pode possuir para usar. Porque, na verdade, eu nunca usei droga nenhuma. Os policiais colocaram droga na casa", acusou.

Segundo ela, seu advogado está vindo dos EUA para mostrar que ela não tem envolvimento com a rede. "Eu tinha muito contato com modelos, com gente também muito grande, milionários, bilionários, assessores do governo, com o assessor do Giuliani [Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York]". Andreia afirmou que seu trabalho era conectar aqueles que tinham dinheiro aos que tinham as idéias.

"Eu estava no meu auge pela primeira vez na minha vida, lá em cima, e, quando eles viram que eu estava lá em cima, me fizeram toda essa armadilha, tomaram todas as minhas coisas, e me colocaram onde me colocaram, terminando aqui."

Andreia afirmou que a polícia americana ofereceu dinheiro para que ela colaborasse nas investigações, mas que ela acabou não recebendo nada. "Eu vim para o Brasil sem nada, não tinha nem calcinha para vestir. Disseram 'Schwartz, a gente troca a sua identidade, você vai para fora, nos ajuda, a gente sabe que você não é cafetina, mas você conhece esse pessoal e a gente quer saber todo mundo que está envolvido'."

Entretanto, ela afirmou que não deu as informações extras - Andreia chegou a ficar presa no país uma semana a mais do que o previsto -, se dizendo decepcionada com a justiça americana, e afirmando que não quer voltar para o país agora. "Eles matam o espírito das pessoas. Se eu realmente tivesse feito isso, eu estaria muito bem hoje. Foi exatamente porque eu nunca faria uma coisa desse tipo que eu fiquei esse tempo todinho sofrendo."

"A minha única informação que eu podia dar é que eu sabia o que as pessoas estavam fazendo, eu sabia que o governador era envolvido. Mas eu nunca ganhei dinheiro nenhum porque eu não era nenhuma cafetina. Cafetina é uma pessoa que programa, ela tem um website, ela vive disso, e eu não precisava viver disso", afirmou.

No fim da entrevista, Andreia afirmou que já havia falado bastante e que, se falasse mais, poderia perder a possibilidade de ganhar algum dinheiro por futuras entrevistas. "Se eu te falar tudo, ninguém vai querer mais pagar entrevista, eu já falei bastante". A brasileira, que viveu muitos anos nos EUA, tropeça no português e recorre a expressões em inglês para se comunicar.

Paradeiro

Depois de chegar a Vitória na noite deste sábado (22), saindo do aeroporto com um carro que a retirou da pista, Andreia despistou os jornalistas e não foi para a casa de sua família. Segundo seu padrasto, Adriano Lemke, ela está bem, tranqüila, junto com a mãe, na casa de um amigo.

Testemunha

Por cerca de um mês, ela permaneceu em um presídio onde ficam estrangeiros que aguardam a deportação. Nos Estados Unidos, ela cumpriu a pena de um ano e meio de prisão por tráfico de drogas e por comandar uma rede de prostituição.

Andréia seria uma informante do FBI na investigação que levou à queda do ex-governador de Nova York, acusado de usar regularmente serviços de prostitutas.

A deportação da brasileira estava prevista para acontecer na semana passada, mas foi adiada. Na ocasião, o departamento de imigração dos EUA informou que o adiamento é um procedimento normal e confirmou que promotores interrogaram Andreia no dia 14 de março.

Fonte: (G1)