Publicado em 9/04/2008 as 12:00am

Brasileiros denunciam terem sido passados para trás

House cleaners denunciam franquias que vendem contas de limpeza de que elas não cumprem a promessa de lucro e ainda geram prejuízos para os investidores

Por Elizabeth M. Simões

 

 

A redação do jornal Brazilian Times recebeu inúmeras denúncias contra a Companhia CleanNet, uma franquia de limpeza que vende contas de serviço para o trabalho de house clean. As vítimas reclamaram por terem investido dinheiro na compra dessas franquias sem receberem os lucros prometidos pela CleanNet.

Luzia Borges, doméstica, residente da cidade de Winthrop-MA, empregou $10,000 de entrada na compra de cinco franquias que permitiria um lucro aproximado de $1,500 pela limpeza efetuada em cada um dos cinco estabelecimentos comerciais que seriam indicados pela CleanNet. "A proposta feita pela companhia era irrecusável e eu imaginei que finalmente teria meu próprio negócio, mas com o passar dos meses, percebi que fui enganada.", disse Luzia.

A trabalhadora, de 47 anos, limpava dois escritórios e recebia o cheque nominal à franquia descontando o valor das parcelas referente as cinco contas, das quais, três, ela nunca teve acesso à limpeza, nem sequer ao lucro. Ao reclamar com o administrador da CleanNet de Woburn-MA sofreu represália e teve o contrato cancelado pela empresa.

Elen Sinzker (FOTO), especialista em direitos advocatícios, foi procurada pela equipe de reportagem do jornal para comentar sobre outros casos representados pelo Centro do Imigrante Brasileiro. "Nós estamos reunindo pessoas para mover uma ação coletiva contra a CleanNet no estado de Massachusetts. É importante que as pessoas afetas por essa franquia recorram aos seus direitos e unam-se para fazer justiça.", disse Elen ao saber sobre a situação de Luzia, mais uma house clean que sofreu prejuízo de $45,000 ao longo dos quatro anos de limpeza franqueada.

As cláusulas dos contratos redigidas pelas franquias de limpeza prendem o franqueado de tal forma que ele fica impossibilitado de mover uma ação judicial, mas segundo Elen, mesmo cientes desses termos contratuais, o advogado é capaz de revogá-las e iniciar um processo civil, e recomendou, "Jamais comecem um negócio sem ajuda de um profissional, não assinem nada sem consultar alguém que conheça a linguagem jurídica."

A especialista conta que uma doméstica chegou a pintar uma parede para garantir a qualidade da limpeza, "Ela me disse que todos os dias haviam marcas de pés na parede da escola e de tanto esfregar sem nenhum resultado ela decidiu pintá-la", mesmo tendo aprovação dos proprietários do lugar, a doméstica perdeu essa conta sem explicações razoáveis. Poucos dias depois, ela soube que uma colega de profissão havia recebido o direito de limpeza sob a escola. "Esses casos são regulares, eles fazem um verdadeiro rodízio. Como eles não possuem contas suficientes vão tirando de um e passando para outro", concluiu Elen.

Entre algumas das provas envolvidas no processo está uma carta, supostamente assinada por um gerente de banco, que teria reclamado da limpeza de uma das house clean's deslocada de suas atividades. Como o gerente da agência não reconheceu o documento, a house clean desconfiou do conteúdo que justificava a perda de sua conta e pediu para checar a assinatura do gerente em outro papel. Comparando-as, constatou que, de fato elas divergiram.

Uma das regras impostas pelas companhias é o impedimento do contato direto entre a house clean e o dono do estabelecimento que ele limpa. "No contrato há um acordo que determina que a house clean só poderá voltar a limpar aquele lugar após dois anos de quebra contratual da franquia. Isso impede que o contratante dos serviços deixe a CleanNet para negociar com ele. Isso acontece mesmo quando o gestor gosta dos serviços e vê o seu house clean sendo afastado do lugar sem qualquer razão.", disse a especialista.

A advogada Hillary Schwab, responsável pelas ações judiciais representadas pelo Centro do Imigrante Brasileiro, disse que as companhias de franchise Coverall, Jan-Pro e JaniKing também estão sendo processadas por operarem com as mesmas denúncias. "Muitas pessoas que pensaram estar comprando seu negócio de limpeza terminaram ganhando um salário mínimo ou menos que isso, pela franquia investida.", constatou a advogada.

Os administradores da CleanNet não retornaram às solicitações do jornal Brazilian Times, para manifestarem sua posição.

A exemplo do sucesso nas ações contra esse tipo de franquia, três anos depois de pagar um cheque de $1,00 dólar para um house clean, a empresa Coverall, reconheceu a exploração e neste ano indenizou o trabalhador pelas suas perdas financeiras. "Não comprem entrem no negócio das franquias, elas não respeitam o nosso esforço", desabafou Luzia.

Fonte: (Brazilian Times)