Publicado em 13/04/2008 as 12:00am

Cooperativa Vida Verde inspira trabalho com imigrantes na Dinamarca

A Cooperativa Vida Verde, de mulheres que trabalham na limpeza, um projeto do Grupo Mulher Brasileira, pode servir de modelo e inspiração para o governo dinamarquês.

A Cooperativa Vida Verde, de mulheres que trabalham na limpeza, um projeto do Grupo Mulher Brasileira, pode servir de modelo e inspiração para o governo dinamarquês. No início deste mês, o trabalho foi aparesentado e explicado durante seminário sobre imigrantes que trabalham com limpeza em Copenhaque-Dinamarca.

O convite veio do Centro Nacional de Pesquisa no Ambiente de Trabalho (NRCWE), que ganhou financiamento de três anos para pesquisar imigrantes que trabalham em limpeza. O objetivo do projeto é dsenvolver, testar e implementar medidas novas que ofereçam aos trabalhadores de limpeza um ambiente de trabalho saudável.

O grupo da Dinamarca soube da Vida Verde pelo site da NIOSH ? Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacionais, órgão do governo norte-americano que financia o projeto "Avaliando e Controlando Riscos de Saúde em Imigrantes Trabalhadores", em parceria com a universidade Tufts.

A primeira fase do estudo dinamarquês desenvolveu pesquisa de campo, agora eles estão no processo de analisar os dados obtidos. O próximo passo será sugerir intervenções e treinamentos que possibilitem melhores condições de trabalho no setor de limpeza. Embora a população imigrante estudada pelo Centro não seja brasileira, mas procedente de países asiáticos, os procedimemtos usados pela Vida Verde, como formação de um grupo organizado em cooperativa, produção de produtos naturais e conscientização dos perigos dos produtos químicos usados na limpeza, podem ser aplicados em qualquer outra população.

Isabella Gomes Carneiro, brasileira, que trabalha como geógrafa no NRCWE, estima que a população brasileira em Copenhague está em torno de mil pessoas, a maioria é de mulheres casadas com dinamarqueses. Isabella imigrou há nove anos porque casou com um dinamarquês. Ela disse que na Dinamarca, ao contrário dos Estados Unidos, é praticamente impossível haver imigração indocumentada porque as pessoas têm um número de identificação, como o número da carteira de identidade no Brasil ou o social nos Estados Unidos, que é necessário para tudo, desde alugar casa, abrir conta no banco, até fazer compras com cartão de crédito. A brasiliense explicou que na Dinamarca não há organizações comunitárias, nem movimentos  reivindicatórios, porque a população espera que o governo tome conta delas. "O governo provê tudo, espera-se que o governo tome conta dos cidadãos, não é preciso pedir", explicou a geógrafa. As organizações imigrantes são de natureza cultural, os brasileiros por exemplo, têm o Clube Terra Brasilis, que festeja o carnival e outros eventos típicos brasileiros.

 

Apresentação

O Seminário sobre imigrantes trabalhadores em limpeza durou dois dias e foi aberto com apresentação do professor David Gute, da universidade Tufts e principal investigador do projeto "Avaliando e Controlando Riscos de Saúde em Imigrantes Trabalhadores",, seguida de apresentação da Vida Verde. David explicou que o projeto financiado pela NIOSH engloba, além do Grupo Mulher Brasileira, dois outros grupos, um haitiano e outro salvadorenho. Eles formaram grupos de jovens e tentam influenciar e informar a população de Somerville sobre as conseguências de um trabalho praticado de forma não saudável.

Heloisa Galvão, do Grupo Mulher, falou sobre a criação da Cooperativa Vida Verde e de como o trabalho de oganização e conscientização das mulheres é feito de maneira também a promover a organização e o ativismo comunitário das brasileiras. "Eles adoraram tudo que viram", disse David Gute, acrescentando que os pesquisadores dinamarqueses ficaram impressionados, por exemplo, com o trabalho de campo dos jovens haitianos e salvadorenhos em Dunkin Donuts, por exemplo. "A troca de experiência é fundamental para o trabalho que fazemos e este convite e a oportunidade de apresentarmos o trabalho da Vida Verde no exterior é um testemunho da qualidade de trabalho que a cooperativa e o Grupo estão fazendo", disse Heloisa Galvão. "Estas mulheres e Mônica tên un entusiasmo e uma conscientização que estão produzindo frutos até fora do país", ressaltou Heloisa, dizendo que a cooperativa tem sido convidada para apresentações em diversas de universidades a feiras de saúde, mas esta foi a "primeira vez que pudemos falar do nosso projeto em um outro país".

A pesquisadora Mari-Ann Flyvholm, que dirige o projeto do Centro de Pesquisa dinamarquês, por sua vez, considerou as contribuições dos visitantes essenciais para o desenvolvimento do projeto. "Conseguimos muitas idéias boas, inspiração, fatos e contatos para continuar nosso trabalho". Além de David e Heloisa, participaram do seminário as pesquisadoras Migle Gamperiene e Bjoerg Soerensen, ambas do Instituto de Pesquisa da Noruega em Oslo. Além as apresentações, os dois dias de semnários e workshops foram dedicados a reuniões em pequenos grupos para debate das experiências de Boston e como podem ser aplicadas em Copenhague.

Fonte: (Brazilian Times)