Publicado em 15/04/2008 as 12:00am

Duas décadas informando a comunidade brasileira

Numa época em que as pessoas não tinham grande acesso aos computadores e não existiam programas para a computação gráfica, um casal brasileiro, instalado na cidade de Cambridge-Massachusetts, lamentava a falta de notícias do Brasil.

Por Elizabeth M. Simões

Numa época em que as pessoas não tinham grande acesso aos computadores e não existiam programas para a computação gráfica, um casal brasileiro, instalado na cidade de Cambridge-Massachusetts, lamentava a falta de notícias do Brasil. Isolados pela distância do país e representando um pequeno percentual de imigrantes brasileiros nos Estados Unidos, os dois decidiram fundar o primeiro periódico brasileiro na região em que moravam. Surgia então o Brazilian Times, popularmente conhecido por BT.

Buscando notícias no Brasil para suprir a própria necessidade informação, Edirson e Cristina Paiva colocaram a primeira edição do jornal nas ruas em 1988. "Nós tinhamos informantes em Minas Gerais que nos mantinham atualizadados sobre todos os assuntos. Reproduziamos as notícias sem receber nenhum lucro. Edirson seguia a sua carreira apaixonado pelo jornalismo e cotidiano das manchetes", disse Cristina.

Há 20 anos, o jornal, antes de sua impressão, era confeccionado artesanalmente. Cada pedaço de texto e fotografias eram recortados para serem colados em uma folha chamada de paica (tipo de medida tipográfica). O trabalho de montagem as vezes durava dois dias, chegando a atravessar madrugadas. "Parecia um quebra-cabeças de notícias. Era tão interessante, que os amigos se ofereciam para ajudar", disse Cristina.

Depois de tudo pronto as cópias impressas saiam da gráfica diretamente para as mãos dos editores, que não possuiam funcionários. Eram eles que realizavam o trabalho de distribuição do jornal, levando a informação, através do BT, à comunidade brasileira.

Essa aproximação com o leitor aumentou o acesso aos acontecimentos locais, desta forma, Edirson passou a intensificar os assuntos de interesse de todos. "Nós sabiamos quem morreu, adoeceu, foi preso, casou, nasceu, prosperou e muito mais. Éramos e ainda somos uma espécie de porta-voz da comunidade brasileira: Todos desabafam, denunciam ou comemoram as suas realizações conosco", disse ele.

O BT possui todas as seções que os grandes jornais da imprensa brasileira têm, suprindo a comunidade com notícias culturais, utilidades públicas, prestação de serviços e, principalmente, divulgando assuntos relacionados à imigração nos EUA, assunto constante e indispensável em todos as edições do BT. "Nós pesquisamos diariamente quais são as resoluções políticas no governo norte-americano que afetam aos brasileira em todos os diferentes distritos. A comunidade brasileira pode organizar-se melhor na sociedade sabendo quais são as novas leis e conhecendo o impacto que elas exercem sobre nós. Por isso, o nosso dever é tornar público este tipo de assunto", enfatizou Edirson.

Leitores da Califórnia, Pennsylvania, Flórida e Houston recebiam* o jornal gratuitamente, eles pagavam apenas a taxa de $12 referente as despesas de envio. No início cerca de duzentas cópias do BT eram postadas para cidades do sul dos EUA. O tempo passou e o jornal acompanhou a modernidade. "Hoje o website contempla todos os nossos leitores em qualquer região do país. Nós temos mais de 2.500 acessos diários, recebemos visitas e comentários de toda parte dos EUA e do mundo", falou Edirson sobre a propagação do conteúdo.

*Atualmente o BT é distribuido gratuitamente em oito estados, sendo Massachusetts, Rodhe Island, New Hampshire, Connecticut, New Jersey, New York, Pennsylvania e Flórida.

*Atualmente o BT é distribuido gratuitamente em oito estados, sendo Massachusetts, Rodhe Island, New Hampshire, Connecticut, New Jersey, New York, Pennsylvania e Flórida.

Canal Aberto

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Fonte: (Brazilian Times)