Publicado em 24/04/2008 as 12:00am

BT frente a frente com o presidente da CleanNet

Paul Oliveira falou, com exclusividade, sobre as denúncias feitas por House Cleaner's

Por Elizabeth M. Simões

 

A equipe de reportagem do jornal Brazilian Times entrevistou o presidente da CleanNet, Paul Oliveira, o qual respondeu às acusações de "quebra de promessa", que veiculou na matéria "Sujeira nas franquias de limpeza", publicada neste noticioso em sua edição de número 1577, em 11 de abril.

Oliveira, que está há 10 anos na CleanNet, recebeu a equipe do BT em seu escritório, localizado na cidade de Stoneham-Massachusetts, quarta-feira (23).

Na edição 1577, foram publicadas denúncias de house cleaner's contra a franchising, como por exemplo, no depoimento de uma das franqueadas: "A proposta feita pela companhia era irrecusável e eu imaginei que finalmente teria o meu próprio negócio, mas conforme o tempo foi passando, percebi que fui enganada".

Antes da entrevista com o presidente, foram entrevistados house cleaner's, proprietários de franquias cedidadas pela CleanNet, os quais falaram sobre os problemas e as satisfações encontradas na adminstração das franquias.

A CleanNet é uma companhia no segmento de limpeza que oferece oportunidade para que as pessoas abram seus própios negócios no ramo de limpeza comercial ou que queiram dividir o lucro com outros house cleaner's.

 

"Nós tivemos sorte"

O casal Márcia Neves e Abidenas Dionizio, proprietários de contas equivalentes a aquisição do direito de limpeza de 12 prédios comerciais estão no negócio há 3 anos. Eles terminaram de quitar a última parcela referente à compra da franquia e disseram estar recebendo bons lucros. "Nós tivemos sorte, recebemos lugares rentáveis e de fácil acesso para limpar", disse Márcia.

Com o que recebe, ela paga a universidade e o mortgage da casa própria. Mas, Dionizio, alertou, "Eu sou bom em cálculos e isso fez de mim um bom administrador. Eu avaliei as condições que foram oferecidas, coloquei na ponta da caneta e tive a prova de que valia a pena. Não é sempre assim. Vou devolver uma das contas referente à limpeza de uma instituição financeira. Toda vez que a minha esposa limpa aquele banco, ela recebe pouco por isso. Nós vamos perder essa conta e ficar no prejuízo. É como investir numa bolsa de valores, todo investimento tem um risco", explica.

Dionizio calculou as perdas e disse que eles descontam 20% sobre o valor total rendido pela limpeza, taxa regular paga pela participação nos negócios. Depois menos 6% referente ao seguro, aproximadamente $4.00 que são destinadas para taxas do imposto de renda anual e por fim a gasolina. Sobrava por volta de $4.00 líquido por todo o trabalho, sendo que metade do tempo era perdido dirigindo para chegar até o local.

 

"A experiência é o que conta"

Marlete Nascimento, grávida de sete meses, relata que obteve sucesso em seu investimento. "Antes de pagar as pessoas para trabalhar em meus 13 pontos comerciais, eu fiz uma boa seleção e treinei todos com muito cuidado, porque grande parte das quebras contratuais acontecem por reclamação da limpeza. Para não ter prejuízo eu treino e supervisiono os house cleaner's. Estou trabalhando pouco e recebendo o suficiente para o sustento da minha família. Experiência no negócio é o que conta", explica.  

 

"Eu faço o trabalho"

Hiran de Oliveira, de 50 anos de idade, há 6 anos nesse negócio, limpa 8 lugares sozinho. "Eu faço o trabalho e tenho um ótimo relacionamento com os gerentes dos lugares que limpo, bem como com os diretores da CleanNet. Quando eles ofereciam um contrato eu analisava as condições antes de aceitar. Alguns house cleaner's, na ansiedade de pegar a primeira conta, aceitam sem ponderar as facilidades, como por exemplo o acesso ao lugar. Mas também sei de outros que se tornam tão rigorosos na hora de escolher, que acabam ficando fora do negócio, nada os satisfazem", fala.

 

A entrevista com Paul Oliveira

Com base nessa afirmação de Hiran, o BT perguntou ao presidente da CleanNet, se o house cleaner poderia escolher o local de preferência.

 

BT: Existem privilégios para a escolha do estabelecimento pretendido pelo franquiado?

Paul Oliveira: Não é política da CleanNet deixar o house cleaner escolher o comérico que limpará. Nossa equipe encaminha o franqueado para prédios mais próximos de sua residência. A escolha é feita visando acessibilidade ao local, quando o candidato ganha e realiza bem o seu trabalho, a imagem da empresa também cresce com ele.

 

BT: O quê mudou depois da matéria publicada pelo Brazilian Times?

Paul Oliveira: Começamos uma pesquisa de satisfação. Uma funcionária está ligando para todos os franqueados, independente de sua nacionalidade. Ela faz cinco perguntas sobre o atendimento da companhia e o seu relacionamento conosco. Com isso, nós já tivemos a oportunidade de ouvir uma queixa sobre o custo de uniformes e buscamos uma solução sensata.  

 

BT: Depois do escândalo da Coverall, as companhias de limpeza estão sendo chamadas de "rodízio", por repassarem à limpeza de prédios, de um franqueado para outro. Diante disso, como a CleanNet posiciona-se nesse mercado?

Paul Oliveira: Nós somos a terceira maior empresa no segmento e o nosso primeiro escritório completou vinte anos de existência. Todos os investimentos têm riscos e nem tudo funciona bem no mundo dos negócios. Mesmo assim, nós temos um sistema que dá suporte e treina os franqueados para que eles obtenham êxito. Gerimos nosso empreendimento com regras transparentes.  

 

BT: Existem mais franqueados à procura de lugares para limpar ou mais companhias ofertando vagas para House Cleaner's?

Paul Oliveira: (longa pausa e depois de insistir na pergunta ele responde). Você pode imaginar que nos EUA existem muitas companhias precisando serem limpas.

 

BT: Um gerente de banco teria encaminhado uma reclamação formal para CleanNet fazendo com que uma house cleaner perdesse o direito de limpeza e também o investimento. Mas ela descobriu que a assinatura no documento não foi feita pelo gerente em questão. Como você explica isso?

Paul Oliveira: Não iriamos envolver uma empresa, que é nosso cliente, numa situação dessas.

Fonte: (Brazilian Times)