Publicado em 4/05/2008 as 12:00am

Aumenta a cada dia o número de brasileiros que fazem o caminho de volta

O assunto já chamou a atenção tanto da mídia brasileira, quanto americana. Não há como calcular o número exato de brasileiros que desistiram do sonho americano ou que já conseguiram o que vieram buscar.

Por Magno Assis

O assunto já chamou a atenção tanto da mídia brasileira, quanto americana. Não há como calcular o número exato de brasileiros que desistiram do sonho americano ou que já conseguiram o que vieram buscar. Segundo o Centro de Imigrantes em Boston, cerca de 6 mil brasileiros voltaram ano passado para o Brasil. Alguns pesquisadores defendem a idéia de que os brasileiros estão encontrando melhores oportunidades no país de origem e se sentem otimistas com o futuro da nação pátria. Na opinião do CIB, o imigrante brasileiro está assustado com a dificuldade de emprego, a desvalorização do dólar e as mudanças na política de imigração e diz não acreditar que essa volta em massa, tenha a ver com a expansão da economia brasileira e sim por causa da crise no setor ecômico americano. Para os representantes do Centro do Imigrante, "O crescimento econômico pode até vir a ser o motivo para que os brasileiros deixem os EUA daqui a dois ou três anos, mas ainda não é a razão principal que os fazem irem embora". Outros ainda citam o medo da Imigração, as dificuldades de legalização no país e a desesperança de novas leis a esse respeito.

Motivos à parte, o resultado desse retorno é sentido nos dados, principalmente do comércio. As empresas de mudanças assinalam um crescimento de 300% nos últimos meses, o setor de transporte aéreo fala num aumento de 230% em vendas de passagens. Enquanto isso o comércio voltado para o público 'canarinho' tem vivido dias de queda. Esses fatores são sentidos, principalmente em locais de maior concentração de brasileiros como a região de Boston, Pompano Beach, na Flórida e na Califórnia.

O governo brasileiro estima que 1.1 milhões de brasileiros fixaram residência nos Estados Unidos. Deixando o país, muitos acabam com o medo que constantemente sentem, e com a esperança de enriquecer e comprar apartamentos no Brasil. Segundo a Brazilian Foundation of America Board and Governance a volta faz muito sentido. A maioria dos brasileiros que tentaram a vida nos Estados Unidos, não gostam do estilo de vida que levam: trabalham demais, muitos são solitários, sem o carinho da família, ou sem integração na cultura americana. Um grande número não fala inglês, não têm assistência médica, os sem documentos, não têm carteira de motorista. Pedro Coelho, um negociante em Mount Vernon, no estado de New York, pergunta: "Se você faz um apanhado de tudo, você tem que se perguntar por que viver nos Estados Unidos, quando não há esperanças, e por que não voltar para o Brasil onde existem oportunidades e uma luz no final do túnel? Os brasileiros estão voltando aos milhares" completa.

O BT conversou com dois brasileiros que já estão de passagem de volta comprada e ansiosos aguardam o grande dia chegar. Um deles é José Machado, conhecido na região de Somerville, onde vive, como 'Zezinho'. Natural de Dom Cavati, Minas Gerais, José nos contou que chegou aos Estados Unidos em 1996, e depois de um mês na Flórida, onde conseguiu tirar uma carteira de habilitação, veio morar com amigos em Massachusetts. Ao chegar, Machado começou a trabalhar em um restaurante na cidade de Burlington-MA, onde está até hoje. Para ele está na hora de descansar e viver ao lado da família. Nesse tempo em que viveu aqui, 'Zezinho' trouxe seus dois filhos para morar com ele, a filha retornou ao Brasil, ano passado, onde cursa faculdade de enfermagem e seu filho ainda vai ficar mais algum tempo no país. "Creio que não não há melhor hora para ir embora, já fiz esse plano há um tempo atrás, mas nunca tive tanta certeza que estaria tomando a decisão certa, como tenho agora," resalta José, que não vê a hora de reencontrar sua esposa, parentes, amigos e desfrutar do que conseguiu trabalhando aqui. "Sinto que isso aqui não vai melhorar tão cedo, e mesmo sabendo que sentirei falta de algumas pessoas que moram aqui, não posso adiar mais meu tempo aqui, estou dando adeus à Massachusetts," concluiu o brasileiro.

Outro caso diferente, porém com o mesmo desfecho é do colega de trabalho de José Machado, Ronildo Miranda, que está nos Estados Unidos a pouco mais de 3 anos, um tempo considerado curto se comparado com a média de outros brasileiros que regressaram. Segundo Miranda, que é natural de Ipatinga, também em Minas Gerais é o tempo de viver com mais qualidade de vida. Atualmente com dois trabalhos, ele nos conta que chegou na América com muitos sonhos e planos, e por isso chegou a ter três trabalhos simultâneos. Mesmo não alcançando todos os objetivos, diz que não se vê mais nessa correria por doláres. "Antes eu mandava 300 dólares e eu tinha mais de 600 reais no Brasil, hoje esse mesmo valor não chega à 500 reais. Não dá pra ficar se matando aqui por um dólar tão baixo," desabafa o mineiro, de 25 anos. De acordo com Ronildo,  hoje ele vê mais oportunidades de crescer no Brasil e passar momentos perdidos ao lado da família. "Sei que tenho que trabalhar duro no Brasil também, mas ao lado de quem a gente ama, o fardo é mais fácil de carregar,"  relata Miranda, que ainda nos contou que tem planos de colocar em circulação um jornal comunitário na região do Vale do Aço, onde seus pais vivem.

Os motivos são variados e o tempo de permanência diferentes, entre os compatriotas que regressam ao Brasil, mas o fato é que a busca de imigrantes para ocupar postos em restaurantes, empresas de limpeza, contrução e muitas outras áreas, tem crescido muito nos últimos meses. Em dezembro do ano passado o New York Times falou sobre o retorno dos brasileiros e no mês de março desse ano entrevistou um empregador de Cape Cod que se queixava da falta de imigrantes para preencher vagas de trabalho temporários em hotéis e restaurantes da região. Na mesma reportagem o americano relatou que os trabalhadores de temporada que sempre costumavam aparecer nessa época do ano, no estado, estão deixando Massachusetts ou voltando para seus países de origem.

Fonte: (Brazilian Times)