Publicado em 8/05/2008 as 12:00am

Força tarefa é criada para proteger mulheres em MA

Agressores serão monitorados por GPS. O sistema de localização via satélite ajudará a polícia evitar este tipo de crime

Por Elizabeth M. Simões

 

 

O detetive Robert Wile, do Departamento de Polícia de Amesbury-MA recebeu a equipe do jornal Brazilian Times, na terça-feira (08)  para a cobertura do treinamento policial "Domestic Violence". Este trabalho aconteceu depois que ficou constatado um aumento no registro de crimes envolvendo agressões entre casais. Maior parte dos casos anotados são de estrangulamento e todos os departamentos policiais de Massachusetts receberão o curso até o próximo verão.

Para registrar o início deste treinamento, o departamento policial convidou os jornais Metrowest Daily news (representante da mídia norte-americana) e o Brazilian Times (representante da mídia brasileira).

A missão "High Risk Case Response Team", que em português significa, Resposta do Time em Casos de Alto Risco,  e a equipe do BT teve acesso exclusivo ao projeto especial da inteligência policial.

O porta-voz Paul J. Shastany deu as boas vindas aos representantes dos jornais e explicou os motivos do convite, aos policiais presentes. "Nós convidamos o jornal Brazilian Times pela abrangência de sua circulação e influência na comunidade brasileira. A transparência nas informações nos permite confiar a estes veículos nossas estratégias de combate à violência. Sejam norte-americanos ou brasileiros, quando o assunto é evitar o crime todos nós estamos no mesmo trêm", disse ele.

Segundo um estudo realizado pelo Centro Jeanne Geiger Crisis, inc., em 2007, o percentual de mulheres assassinadas pelos seus maridos cresceu 36 pontos em relação aos três anos anterioreres. A evolução desse panorama tem preocupado os chefes de polícia que resolveram treinar os oficiais para que estes investiguem com mais detalhes as ocorrências de violência doméstica. "O risco de uma relação matrimonial violenta pode ser mapeado e acompanhado. Há diversos indícios que classificam a sua gravidade, antes de uma briga tornar-se fatal", disse Robert.

 

 

 

 

O estrangulamento de Dorothy

Muitas vezes quando uma vítima se recusa denunciar o seu agressor e pedir proteção, ela fica sujeita a entrar na estatística dos assassinatos. O novo formulário, que será preenchido pelos policiais, foi criado após o trágico desfecho do caso de Dorothy, morta diante de sua filha de 12 anos de idade.

O marido William Coter já havia enfretado um julgamento por crime de violência doméstica, mas foi considerado inocente, pela corte, por falta de subsídios que provassem as agressões. "A corte avaliou a sua vida social e considerou que ele era um bom rapaz", disse Robert, enfatizando a importância do formulário.

Mais de 25 fatores indicavam que Dorothy estava ameaçada pelo marido. Uma das evidências foi o estrangulamento que sofreu alguns meses antes de seu assassinato. "A lesão causada pelo estrangulamento não pôde ser notada facilmente, por isso o policial deve estar preparado para reconhecer os pequenos sinais e preencher o formulário. Se tivessemos tido mais provas, Dorothy não teria sido estendida numa mesa de necropsia", disse Robert.

Os policiais ouviram a gravação realizada pela filha de Doroty ao serviço 911, "Minha mãe precisa de ajuda. Meu pai quebrou a porta e esta a machucando", depois de três minutos ouvindo gritos de Dorothy sendo espancada, Dorothy foi assassinada com um tiro",disse o detetive.

 

 

GPS que rastreia Humanos

O formulário é minuncioso e contém questões íntimas como: "Você já foi forçado a fazer sexo?" ou "Já foi abordado por ciúmes excessivo?". Essas e outras questões foram elaboradas após a conclusão da pesquisa que demonstrou que 93% dos casos que terminaram em morte já tiveram registros policiais anteriores ou foram identificados em emergências hospitalares.

A recente legislação aplicada em Massachussetts (House Bill 30, "Ato Relativo a Proteção à vítimas de Violência Doméstica) garante a segurança das vítimas comprovadamente ameaçadas. Caso o agressor não seja detido imediatamente, ele deverá usar um acessório GPS, (Global Positioning Satellite) que irá monitorar a sua localização. Caso ele ultrapasse o limite estabelecido pelo juíz, sofrerá as penalidades cabíveis na lei.

Os casos de alto risco também serão direcionados à programas de suporte às vítimas no sentido de providenciar apoio piscológico ou financeiro.

O detetive respondeu ao Brazilian Times que os brasileiros temem a aproximação com a polícia e ficam desprotegidos sem o devido amparo policial e completou: "Não importa o status no país, nós vamos protegê-las".

Shastany chamou essa estratégia de "New Answering Machine", um termo que define a mudança do sistema e concluiu: "Queremos que as vítimas confiem no sistema. Sabemos que durante um conflito, existe um grande desgaste emocional que impede essas mulheres de falerem de suas intimidades. Mas essa resistência deve ser cordialmente quebrada pelos policiais que deverão preencher os formulários para evitar um destino igual ao de Dorohty.  

 

 

O estado Massachussetts registrou 55 assassinatos de mulheres vítimas de violência doméstica em 2007, conforme o relatório divulgado pela associação Jane Doeinc. No mês de março, deste ano, o escritório da Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers -MAPS, já recebeu 65 queixas de brasileiras que foram ameaçadas pelos seus parceiros. "Começa com um empurrão, depois uma puxada no cabelo até que a situação perde o controle", disse Marta V. Especialista em casos de violência doméstica da divisão de serviços sociais do escritório da entidade, em Cambridge.

Marta encoraja que as vítimas procurem assistência logo nas primeiras ameaças e tortura. Ela recordou alguns casos de brasileiras que precisaram até da proteção do Federal Bureau of Investigation - FBI. "Existem denúncias de parceiros envolvidos com drogas e tráfico de mulheres. Nesses casos criminais as vítimas, mesmo sem terem "status" legal no país, recebem amparo policial e o visto "U", uma categoria especial concedida à testemunhas criminais.

Algumas perseguições são tão ofensivas que só com a ajuda policial é possível recuperar a liberdade das vítimas, "Duas brasileiras casadas com norte-americano foram seguidas por causa do serviço de GPS disponível em alguns planos de celulares familiares", explicou ela.

Os escritórios da MAPS assessoram vitimas de violência doméstica, "Nós solicitamos o preenchimento da ordem de proteção na corte, usando o relatório 209-A. Quando o juiz determina a distância do conjuge, ele não poderá desrespeitar o limite estabelecido, do contrário a queixa civil passará a criminal e o agressor poderá ser preso.

 

 

Os escritórios da MAPS oferecem assistência às vítimas:

Cobrig 617 864 7600

Dorchester 617 825 5897

Lowell 978 970 1250

Family Justice Center of Boston 671 779 21311

Fonte: (Brazilian Times)