Publicado em 22/05/2008 as 12:00am

Com dimensões superlativas, a Amazônia concentra a maior biodiversidade já conhecida.

A Amazônia representa um terço das florestas tropicais do mundo e é essencial para o clima e a diversidade biológica do planeta.

Com dimensões superlativas, a Amazônia concentra a maior biodiversidade já conhecida. Sua extensão em território brasileiro é de 5,5 milhões km2, dos quais 100.000 km2 pertencem às reservas dos índios; 200.000 km2 à exploração sustentável e 1,9 milhão km2 de floresta pública. Nela habitam aproximadamente 22 milhões de pessoas, incluindo 480.000 índios de 220 tribos. Cerca de 25%  dos vegetais e animais do mundo  vivem ali agrupados, ou seja, de 200 a 300 espécies de árvores por hectare, 1.400 espécies de peixes, 1.300 espécies de pássaros e 300 espécies de mamíferos, ultrapassando a casa dos 2 milhões de variedades de espécies. Uma  preciosidade até difícil de ser compreendida em toda sua grandeza. A Amazônia representa um terço das florestas tropicais do mundo e é essencial para o clima e a diversidade biológica do planeta. Mesmo assim é ignorada pelo homem, destruída para "plantação" de bois, soja e cana-de-açúcar. Em menos de quarenta anos, somente com a pecuária, 70 milhões de hectares da vegetação original foram devastados, numa área superior aos estados do sul do Brasil juntos.  Além disso, as queimadas (22.000 focos em 2007) são apontadas como uma das principais causas da emissão de gases de efeito estufa. O perigo pode ser  avaliado a cada km2 de floresta incinerada quando são produzidas 22.000 toneladas de CO2.

            Para piorar, rumores de sua internacionalização eclodem nos quatro cantos da Terra.  O agrônomo Mauro Victor advertiu em seu livro "Brasil, Capital Natural" o seguinte:  "se o Brasil não conseguir debelar a destruição da Amazônia por convicção, ele será obrigado a fazê-lo por conta das pressões externas; estas serão em primeiro lugar econômicas e comerciais, e depois se tornarão políticas e até mesmo militares". E, no último dia 18 de maio, o "NY Times"  jogou gasolina na fogueira: "a Amazônia não é patrimônio exclusivo de nenhum país". Um assunto martelado  inúmeras vezes pela imprensa, como, em 1989, quando o ex-vice-presidente americano, Al Gore, falou: "Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós"; no mesmo ano, o Grupo dos Cem da Cidade do México, esboçou: "Só a internacionalização pode salvar a Amazônia"; em 1990, o Congresso de Ecologistas Alemães, comentou: "A Amazônia deve ser intocável, pois se constitui no banco de reservas florestais da humanidade"; em 1992, o Conselho Mundial das Igrejas Cristãs, em Genebra, notificou: "A Amazônia é patrimônio da humanidade. A posse desse imenso território pelo Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador é meramente circunstancial". Porém, em 1980, o  caso foi longe demais.  O G-23 apoiou a criação da PRINFA (Primeira Reserva Internacional da Floresta Amazônica) sob alegação da floresta estar "localizada na América do Sul, uma das regiões mais pobres do mundo e cercada por países irresponsáveis, cruéis e autoritários. Fazia parte de oito países diferentes e estranhos, os quais, em sua maioria, são reinos da violência, do tráfego de drogas, da ignorância, e de um povo sem inteligência e primitivo". E o "Estadão" também  publicou denúncia gravíssima de uma brasileira residente nos EUA: "Os livros geográficos americanos estão mostrando o mapa do Brasil amputado, sem o Amazonas e o Pantanal. Eles estão ensinando nas escolas que estas áreas são internacionais, ou seja, em outras palavras, eles estão preparando a opinião pública deles, para dentro de alguns anos se apoderarem do nosso território com legitimidade".

        Os olhares invejosos dos estrangeiros sempre estiveram, de alguma maneira, focados nas riquezas amazônicas. Conforme a BBCBrasil noticiou, a Indonésia  pretende "criar" uma floresta maior que a nossa. O megaprojeto está calcado nas novas leis daquele país,  obrigando todos os casais ao contraírem núpcias se responsabilizarem pelo plantio de cinco árvores. Mas o compromisso é aumentado nos casos de divórcio. Para dissolução do  matrimônio os cônjuges terão de plantar vinte e cinco árvores.  Isso quer dizer que "em menos de 66 anos a Amazônia pode perder sua graça e ser apenas a segunda maior floresta do mundo" (?). Diante de tais absurdos, os brasileiros encabeçam campanhas  no sentido do governo se empenhar mais na preservação da nossa floresta. Uma  delas é o manifesto "Amazônia Para Sempre", da atriz Cristiane Torloni, Victor Fasano e Juca de Oliveira,   que reuniu um milhão de assinaturas. Se não acordarmos logo, a Amazônia se converterá na terra de ninguém. Até os cantos dos pássaros e as vozes dos animais estão sendo abafados pelos ruídos das motosserras e pelos gritos de... MADEEEEIRA!!!. À beira das matas, "árvores" importantíssimas, tão ricas quanto o mogno,  são tombadas  de forma criminosa nessa guerra ambiental: Vicente Cañas; Chico Mendes; Ademir Alfeu Federicci, o Dema; Miguel de Freitas da Silva; Bartolomeu Morais da Silva; Dorothy Stang, além  de, "só no estado do Pará, 800 pessoas assassinadas... nas últimas décadas".

           Enfim, independente dos discursos demagógicos e dos engodos políticos, o governo precisa buscar soluções urgentes, não esperar que o povo arranque o resto dos cabelos para conter a "calvície amazônica" e  siga tombando cruelmente em  defesa do nosso valioso patrimônio.

Fonte: (Brazilian Times)