Publicado em 27/05/2008 as 12:00am

Jovens brasileiras privam-se de conforto para ajudar a África

Duas voluntárias brasileiras abandonaram bons empregos e uniram esforços para ajudar o continente africano. São incontáveis os brasileiros que estão contribuindo com a campanha das jovens solidárias

Por Elizabeth M. Simões

 

Narah Teixeira, jornalista de 21 anos, e Sabrina Gahyva, formada em Relações Internacionais, de 22, são voluntárias brasileiras participantes da Institute for International Cooperation and Development (IICD), de origem dinamarquesa, elas deixaram o Brasil para iniciarem uma jornada louvável para ajudar os países africanos. Neste mês, elas chegaram às cidades de Everett e Somerville-Massachusetts para arrecadar fundos que serão empregados em programas de apoio à saúde, educação e saneamento básico.

Cada uma delas irá desempenhar uma diferente missão para diminuir à desigualdade humana. Na quarta-feira (21), a equipe de reportagem do Brazilian Times havia localizado Sabrina, durante a empreitada. "Nossa primeira etapa é levantar doações de países desenvolvidos para posteriormente, distribuí-los nos países pobres da África. A IICD possui uma política de divisão", disse Sabrina.

Segundo as duas voluntárias, os donativos irão financiar oficinas que irão promover a cooperação e o desenvolvimento das comunidades carentes. Todos os meses até Agosto elas vão sair às ruas em busca da colaboração dos brasileiros até atingirem a meta de $ 6,000 por voluntária, saldo necessário para subsidiar todas as etapas do programa.

A IICD treina os grupos de brasileiros entre outros voluntários de diferentes nacionalidades. Eles participam de aulas de história e cultura africana, além de classes que irão prepará-las para a missão.

Embora as brasileiras tenham o suporte da instituição para a execução do programa, elas não contam com a IICD para manterem as suas despesas, abriram mão do conforto, bem como de qualquer renda para os seus gastos pessoais. Mesmo contribuindo com a força de trabalho e tendo pago pelas passagens e a inscrição no programa, elas arcam com seguro saúde e toda conta que surgir. Narah e Sabrina recebem apenas $ 3.00 para refeição diária.

Para locomover-se entre as cidades, as voluntárias usam um carro cedido pela IICD, o combustível também é financiado pela instituição, porém elas não possuem lugar certo para hospedarem-se. "Os brasileiros sempre oferecem um quarto ou uma cama para dormir, os centros comunitários e igrejas também abrem as portas para nos receber.", disse Narah que na mesma tarde foi conhecer o local onde passaria a próxima noite.

O BT acompanhou a chegada delas à casa de Natália Martinele, uma brasileira caridosa que as recebeu com entusiasmo. Sem saber da visita inesperada do BT ela demonstrou espontaneamente a mesma preocupação e apreço com a solidarização. Depois de tomar conhecimento da reportagem, tornou-se apenas um pouco mais vaidosa e fez questão de arrumar-se antes de ser fotografada.

Sobre a acomodação na África, Narah respondeu que outros grupos de brasileiros que retornaram do programa haviam sido instalados em bons alojamentos da IICD e tiveram acesso à assistência hospitalar.

Ao ser questionada sobre uma possível do desistência, Narah respondeu, "Eu não penso mais nas dificuldades das situações adversas. Porque, a cada dólar arrecadado, cada pedaço de pizza ou cama para passar a noite essa causa cresce e ganha uma nova esperança coletiva. Agora o meu sonho não é só meu, são de todos que já encontrei nas ruas. Agora somos todos cúmplices. A separação é inaceitável para eles e para mim.", disse Narah.

Desde de o mesmo período que iniciaram os trabalhos voluntários, elas souberam de apenas duas desistências, uma mexicana e uma guatamateca. Elas acreditam que os sete brasileiros que ingressaram na mesma data irão permanecer no programa até o seu término.

       

África

Segundo relatório das Organizações das Nações Uniadas (ONU), mais de um quarto das crianças com menos de cinco anos que vivem no continente africano estão abaixo do peso normal. Em geral, grande parte de seus habitantes vivem abaixo da linha da miséria.

Para saber mais sobre a IICD acesse www.iicd-volunteer.org

Quem quiser colaborar com as voluntárias poderá contatá-las através do telefone (413) 884 2431 ou escrever para os e-mail's:  sgahyva@gmail.com  ou  ntslive@yahoo.com.br 

Fonte: (Brazilian Times)