Publicado em 13/07/2008 as 12:00am

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Como todo mundo sabe, a crise mercadológica no mercado imobiliário americano derrubou várias bolsas de valores em todo o mundo em 2007 e aumentou o medo de uma desaceleração econômica nos Estados Unidos.

 

Como todo mundo sabe, a crise mercadológica no mercado imobiliário americano derrubou várias bolsas de valores em todo o mundo em 2007 e aumentou o medo de uma desaceleração econômica nos Estados Unidos.

Os mais pessimistas começaram a falar em recessão, porque a taxa de crescimento econômica ficou abaixo do esperado. Os políticos começaram a culpar o Governo Bush, por não tomar as medidas necessárias para resolver a questão.  Entretanto, a crise imobiliária não foi o único problema a fechar o ano passado. O preço do barril do petróleo bateu todos os recordes e, no fim de 2007, se aproximava dos US$ 100.

Outra crítica dos políticos é sobre as atuais regras do comércio mundial, que está prejudicando os trabalhadores americanos. O desemprego aumentou, com empresas despedindo milhares de funcionários semanalmente. Grandes indústrias americanas estão fechando fábricas, escritórios e representações.

A grande incógnita gerada na cabeça de todos os brasileiros passou a ser exatamente a palavra recessão, que vem de 2007, ou crise, como preferem alguns nesse meado de 2008.

Na comunidade brasileira espalhada pelos Estados Unidos, o que mais se ouve são as vozes dos inconformados com muitas situações que acabam fazendo com que um imigrante resolva voltar para o seu país; "crise", alta da gasolina, falta de documentação, falta de empregos melhores, preços dos produtos de consumo, aluguel, roupa, custo de manutenção dos filhos e por aí vai.

Com base nesses argumentos, tentando equilibrar a balança do custo de vida do brasileiro que vive nos EUA e do brasileiro que vive no Brasil, o Brazilian Times resolveu lançar uma série de reportagens aonde o personagem principal é você, leitor. Nossa equipe passou algumas horas no telefone e na Internet levantando preços executados no Brasil, em reais, comparando-os com preços executados nos EUA, em dólares, e os salários que são possíveis de serem faturados aqui e lá pela classe média trabalhadora. 

 

Qual o custo de vida na cidade onde você mora?

Levantando parte desses custos, nos deparamos com gastos de impostos, água, luz, telefone, aluguel ou mortgage, alimentação, escola das crianças e outros. Onde está o custo mais barato?

Vamos começar aqui pela tradicional Boston, Massachusetts, comparando-a com Belo Horizonte. 

S., uma mulher solteira, moradora de Somerville, MA, entrevistada pelo telefone, nos disse: "pago aluguel da metade de um apartamento, $650 dólares, Internet $28, comida por semana $90, celular $40, não tenho carro, ando de carona e às vezes de ônibus, por isso a gasolina não me atrapalha, mas o heater aumenta a conta do óleo no inverno. Só saio pra comer fora uma vez por semana e gasto uns $25.00, no máximo. Consigo enviar $600 dólares para a minha mãe, isto é, ela recebe mais de 900 reais por mês, o que eu jamais conseguiria ganhar na minha cidade, perto de BH. Também estou guardando um dinheirinho na poupança do banco português". Ela nos disse que ainda vai ter que ficar aqui por muito tempo, pois a qualidade de vida é melhor, a segurança e o custo de vida, comparando com o salário que ela ganha limpando casas e com o que ganharia no Brasil como auxiliar de escritório.

Por outro lado, um estudo do IEDI no Brasil chegou à conclusão que o país perdeu competitividade com relação a todos os seus parceiros comerciais e que a valorização da moeda brasileira não constituiu uma norma, se é levado em conta o que ocorreu em outros países parceiros do comércio exterior brasileiro.

Em outras palavras, trata-se de uma valorização muito elevada do padrão mundial, impactando assim, a valorização do Real, sem estudos muito adequados. Principalmente, a revisão nos impostos, sinaliza que estamos reduzindo a capacidade de nossas exportações continuarem evoluindo em importantes mercados conquistados nos últimos anos. E que estamos dando munição para outros competidores nos sobrepujarem nestes mercados e em nosso próprio espaço econômico.

Como podem observar, o custo de vida caiu porque o real se valorizou perante o dólar e não o contrário. Com isso, as coisas, sobretudo as importadas, ficaram mais baratas. E tornou-se mais negócio vender internamente no Brasil que para o exterior. Veja-se a quantidade de caixas enviadas para o Brasil com eletrônicos, perfumes, roupas, peças de automóveis, brinquedos, objetos de uso pessoal, etc.

Camila da Silva, que mora em Belo Horizonte, disse que suas despesas fixas ficam por volta de 4,5 mil reais mensais, o que equivaleria, hoje, a cerca de US$2,812. Ela é casada e tem dois filhos na escola particular.

 

Se nos EUA a vida é mais cara, ganha-se melhor

Comparativamente, há brasileiros faturando até 9000 reais por mês nos EUA, sem se dar conta que seria impossível para ele faturar 5600 dólares no Brasil.

Claro que não é coisa das mais baratas morar nos Estados Unidos, mas considerando que o brasileiro da classe média veio para trabalhar e ganhar algum dinheiro, ainda é o paraíso. Como a maioria não vive a vida cultural americana, a diversão principal é mandar dinheiro e falar com a família no Brasil.

No Brasil, muitos afirman que os "EUA começam a perder apelo para os brasileiros", por causa da valorização do real e o desaquecimento da economia americana, que tem levado brasileiros a retornar para sua cidade natal.

A cidade mineira de Governador Valadares recebeu de volta 3 mil pessoas nos últimos meses, nos diz a prefeitura local. Na cidade, "imigrantes que retornaram e se desapontaram se tornaram incrivelmente comuns". Os efeitos vão além. "A enxurrada de pessoas de volta a Valadares está causando prejuízo à economia da cidade". Sueli Siqueira, socióloga da Universidade Vale do Rio Doce na cidade, entrevistou muitas pessoas que retornaram recentemente, e descobriu que menos da metade delas tinha acumulado capital em seu período nos Estados Unidos e voltou por ouvir dizer que o Brasil "estava melhor".

O assessor do prefeito nos diz que "os preços de imóveis caíram". "Imobiliárias afirmam que poucos imigrantes têm dinheiro para comprar um terreno à vista. Mais de 20 agentes de viagens especializados no trecho México-EUA fecharam suas portas nos últimos dois anos." Um em cada três imigrantes já pensa em voltar para o exterior, desta vez para a Europa - aproveitando o euro forte - ou o Canadá.

                (Acompanhe esta pesquisa todas as Sextas no Brazilian Times e envie seu comentário para op@braziliantimes.com. O leitor está convidado a mandar sua opinião e seus dados próprios. Faça as suas contas e nos mostre em dólar com a conversão para o real).

Fonte: (ANBT - Agência de Notícias Brazilian Times)